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Após os bate panelas, a CPI da Petrobrás mostra a que veio

13 Mar 2015   |   comentários

Logo após os bate panelas de setores mais abastados da classe média se inicia as reuniões de cúpulas da CPI da Petrobrás. FOTO: UOL

Logo após os "bate panelas" de setores mais abastados da classe média se inicia as reuniões de cúpulas da CPI da Petrobrás. Este fato recente dá luz sobre as caracteriações, feitas em artigos do Esquerda Diário, publicados neste Portal Palavra Operária, de que na crise política atual as "tendências àunião para os ajustes contra a classe trabalhadora tendem a prevalecer ao ’salve-se quem puder’".

Os "bate-panelas" mostraram o crescimento do descontentamento também em setores abastados da classe média. Descontentamento, que por sua vez, é parte da crise de representatividade que marca o cenário político de conjunto. No entanto, para os empresários e governos, no ano que preparam mais ataques a direitos sociais, estes setores, históricamente aliados da classe dominante, precisam estar debaixo de suas asas. Pois assim os ricos almejam "dobrar" as lutas e resistências dos trabalhadores e do povo pobre.

E talvez isso explique porque a segunda sessão da CPI da Petrobrás, realizada nesta quinta-feira, dia 12/03, ganhou ares de espetáculo midiático.

Foi armado um palco para encenar uma imagem de moralização da câmara dos deputados (instituição que não tem confiança nenhuma da população). O que seria a abertura de um "inquérito", não passou de um mar de elogios para o presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha do PMDB. Televisionada ao vivo, através de canais de notícias da TV por assinatura, a CPI se tornou um palco de operações em busca de mais base social nas classes médias mais favorecidas e de mais acordos para os partidos dos ricos. Este sinal indica que a CPI está mais em busca de prevenir uma crise muita profunda que atinja todo o regime político do que de uma "apuração" para punir os corruptos.

Apenas na primeira parte da sessão, Eduardo Cunha recebeu o apoio do PT (na fala de 2 deputados), do PSDB, do DEM, do PSC, do PHS, do PSB, do PSD, do PP, do PR, do PMDB, do PPS e do PTB (pelo burocrata Paulinho da Força). O governo, sua base e seus opositores dentro do parlamento corrupto; todos juntos para defender um corrupto "dos seus".

Ao mesmo tempo já se mostram também, na própria CPI, indícios de que devem ocorrer "cortes" aos atores "mais extremos" desta crise. Em várias das falas o conteúdo professado foi o de que havia que se punir, com "pena quadruplicada", os responsáveis pela "lista Janot", porque aí supostamente se apresentariam acusações sem prova - com ênfase na defesa de Anastasia, do PSDB de MG, e outros - a políticos que teriam se envolvido nos esquemas de corrupção.

O roteiro já virou "clichê"; contra a classe trabalhadora e o povo, os políticos corruptos, os mais diferentes partidos dos ricos, o PT, o PSDB, o PMDB, os burgueses e seus governos sempre negociam e tudo "acaba em pizza" - no caminho "cortando as asinhas" dos seus membros "desgarrados".

Ainda tem muita água para passar embaixo desta ponte e pode haver ainda muita confusão entre os partidos dos ricos. Mas a questão é que neste momento de previsões econômicas muito mais dificeis (não só para o Brasil, mas sim para toda a América Latina), após Junho de 2013, simultâneo a uma intensa politização dos trabalhadores, com muitas greves e lutas do povo, os governos dos ricos não podem mais continuar surfando na mesma onda das últimas décadas. Em certo sentido, já sabem que em um breve futuro não poderão continuar governando como antes. Por isso podem querer fazer deste escândalo um "rearranjo das suas forças" para aprofundar os ataques aos trabalhadores.

Para que não sejam bem sucedidos, tudo depende da resposta dos trabalhadores e dos seus setores mais organizados e conscientes para a pergunta: "aceitaremos continuar vivendo e sendo governado desta forma"?

As greves, como a dos professores do Paraná, mostram um caminho para que nossa resposta seja um sonoro não.

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