Movimento Operário

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Zago, comece o corte de gastos da USP pelo seu salário!

17 Apr 2014   |   comentários

Marco Antonio Zago, novo reitor, e Vahan Agropyan, novo vice, foram pró-Reitores da gestão Rodas, e deixam claro que não existe muita novidade nesta nova gestão.

Que o reitor e todos do CO não ganhem mais que um trabalhador!
Os trabalhadores e estudantes não vão pagar pela crise!

Enquanto o Tribunal de Contas do Estado rejeita as contas da USP, denunciando que os salários de Zago, Rodas e outro 167 professores que “em geral, tinham cargos de direção†são tão altos que ferem a constituição, pois estão acima do que o governador recebe, esses mesmo dirigentes querem descontar a crise do orçamento da USP sobre os estudantes e trabalhadores, inclusive dizendo na imprensa que o problema é a folha de pagamentos (enquanto Zago ganha R$24 mil)! A solução deles é cortar gastos – já cortaram mais de 30% de custeio e investimento -, precarizando o ensino e a pesquisa com salas de aula ainda mais superlotadas e falta de recursos, e rifando os direitos dos trabalhadores (até o cafezinho está sendo cortado!) e gerando mais sobrecarga com o corte de contratações!
Um dos principais alvos dos ataques no momento são os trabalhadores terceirizados. Se por uma lado a longo prazo a reitoria mantém a política de substituir os trabalhadores efetivos aumentando a terceirização (mais de 20% dos postos de trabalho já foram terceirizados), no momento o que está fazendo é reduzir o quadro de terceirizados, cortando postos, transferindo e demitindo trabalhadores em todas as unidades, e aumentando a sobrecarga sobre os que ficam, já superexplorados, e sobre os trabalhadores efetivos, com acúmulo de função, o que se agrava com a paralisação das contratações. Por exemplo, no HU já começaram as demissões, como em várias outras unidades, deixando dezenas de terceirizados da distribuição de materiais e da manutenção desempregados e passando suas funções para os efetivos, e reduzindo até o quadro da limpeza, o que num hospital já sobrecarregado só piora o problema de saúde pública com infecções hospitalares!

Não adianta uma reforma feita pela própria estrutura de poder antidemocrática!

Marco Antonio Zago, novo reitor, e Vahan Agropyan, novo vice, foram pró-Reitores da gestão Rodas, e deixam claro que não existe muita novidade nesta nova gestão. O discurso de “diálogo†foi o mesmo de Rodas no início da gestão, e o que está por trás dele agora é uma “autorreforma†do regime, feita pelo pela própria estrutura de poder herdeira da ditadura, através do Conselho Universitário (composto por uma grande maioria de professores titulares, um terço deles – segundo denúncia da ADUSP – proprietários ou dirigentes de Fundações Privadas ou empresas terceirizadas que lucram milhões na USP), que já votou todo seu planejamento, com data pra começar e pra acabar. Fazem isso por medo de que a luta histórica por democracia desestabilize a universidade e ameace seus interesses, de tão antidemocrático que é o regime.

Assim nada vai mudar! É necessário dissolvermos esse Conselho, a Reitoria e toda essa estrutura de poder por meio de uma Assembleia Estatuinte livre, soberana e democrática imposta pelas categorias dos estudantes, trabalhadores e professores mobilizados, para construir um governo das três categorias, com a maioria estudantil!
Abaixo os cortes! Investimento na educação e democratização radical do controle das finanças!

Por um lado, a origem dessa crise é que quando as universidades ganharam autonomia, em 1989, o governo cortou o orçamento do equivalente a 11,6% (em média) para 8,4% do ICMS: um corte de quase um terço! Óbvio que isso geraria crise! E foi só nossa luta que aumentou o repasse pra os 9,57% de hoje!

Por outro lado, se acusam a folha de pagamento, nem sequer é possível confirmar exatamente quanto do orçamento é mesmo gasto com salários, pois as contas da USP não são públicas. É preciso questionar como se gasta o dinheiro, tanto o que vai para as empreiteiras, fundações privadas, terceirizadas e regalias da burocracia universitária, quanto o que é investido na universidade a serviço das empresas, e não dos interesses dos trabalhadores e do povo que a sustentam.

Exigimos a abertura dos livros de contas da Universidade! Que expulsemos as fundações privadas e as empresas terceirizadas! Que o orçamento seja diretamente controlado por estudantes, trabalhadores e professores, derrubando essa estrutura de poder!

E se os gastos estão superando o repasse do ICMS, o Estado tem que investir mais verbas na educação, começando por garantir os 11,6% do ICMS para as estaduais paulistas! Essa é parte da luta dos milhões de jovens que saem às ruas desde 2013, com quem devemos nos unificar, lutando pelo fim do vestibular e pela estatização de todo o ensino privado!

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