Domingo 16 de Junho de 2019

Movimento Operário

INTERNACIONAL

Viva a luta dos trabalhadores da Vale do Rio Doce no Canadá

09 Jul 2010   |   comentários

No próximo dia 13 a heróica greve dos trabalhadores da transnacional brasileira Vale no Canadá (tratam-se de duas minas localizadas nas cidades de Sudbury) completa um ano de duração. Ao longo de todo este ano os trabalhadores resistiram duramente aos ataques que a patronal brasileira tenta infringir, tornando-se assim um exemplo internacional de combatividade frente àcrise capitalista que vem atacando a todos.

Em 2006 a Vale comprou a mineradora Icon no Canadá (e só neste país a mineradora brasileira produz cerca de 31% de toda sua produção de níquel e 10% da produção mundial do mesmo metal) e depois de lucrar cerca de 4,1 bilhões de dólares, o dobro do que a antiga empresa lucrou em uma década inteira, ainda não contente, resolveu explorar ainda mais os trabalhadores com fortes ataques em seus direitos. Busca impor a restrição aos bônus (algo similar ao PLR no Brasil); a mudança no plano de aposentadoria, criando dois planos distintos de aposentadoria de acordo com o tempo de trabalhado, dividindo assim os trabalhadores. Além disso há o congelamento dos salários, quebrando o antigo gatilho da empresa, que incorporava automaticamente ao salário dos trabalhadores os índices inflacionários, e a ampliação do trabalho terceirizado na empresa, foram duramente negados pelos trabalhadores por todo este ano que se passou. Assim, os trabalhadores já conseguem impor, com a greve, uma quebra de mais de 1,3 bilhões de dólares no lucro dos patrões, que ainda seguem endurecendo.

Acostumada a explorar brutalmente os trabalhadores brasileiros, contando com o apoio do governo Lula e também da burocracia sindical da CUT, a Vale tenta impor o mesmo padrão em suas filiais no exterior. A intransigência da empresa é estratégica rumo àliderança mundial no setor mineiro (a Vale é hoje a segunda maior mineradora do mundo e pretende ocupar o posto mais alto, além de ser uma das empresas mais lucrativas do mundo), e para isso manteve-se dura durante todo esse tempo, demitindo já 9 trabalhadores e movendo ações judiciais por terem utilizado seus métodos históricos de luta. Como diz o próprio vice-presidente corporativo da Vale no Canadá, Cory McPhee, “todos têm que entender que só porque há uma greve não significa que as pessoas não serão responsabilizadas por seus atos†, em entrevista àFolha no último sábado.

E assim a empresa já vem procedendo. Além das demissões e punições a Vale não paga o salário dos trabalhadores paralisados há meses. O forte sindicato internacional United Steelworkers (USW, Metalúrgicos Unidos) tem pagado um salário aos trabalhadores, mas que ainda é insuficiente para o custo de vida de suas famílias.

Assim como no Brasil (como se pôde ver na luta da USP), na Espanha (ver matéria sobre a luta do Metrô de Madri neste mesmo jornal), também no Canadá o direito de greve dos trabalhadores está sendo duramente atacado.

É preciso que os trabalhadores da Vale no Canadá triunfem. A vitória deste combativos mineiros, é uma vitória da classe operária internacional, para que os capitalistas paguem pela crise e para que nosso direito de greve seja inalienável! Os trabalhadores, os sindicatos e as organizações operárias devemos impulsionar uma forte campanha pelo direito de greve em todos os países! Ela é nossa principal forma de luta para fazer com que os patrões paguem pela crise. Reincorporação imediata dos demitidos políticos e pagamento integral dos salários dos trabalhadores em greve! Toda solidariedade aos trabalhadores da Vale do Canadá! Que os sindicatos dos trabalhadores do Brasil prestem a mais ampla solidariedade aos seus irmãos canadenses.

Na última segunda-feira, dia 05/07, realizou-se uma nova negociação, cujos termos até o fechamento desta edição não tinham ainda sido divulgados pela empresa, o sindicato USW aceitou os termos do acordo, mas falta ainda ser votado pelos trabalhadores. Esperamos que os trabalhadores triunfem.

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