Movimento Operário

LUTA DOS TRABALHADORES DA FAÇON

Viva a luta dos trabalhadores da Façon no Metrô de SP! Pela unidade das fileiras operárias para derrotar os patrões e o Governo!

02 Nov 2012   |   comentários

Depois da ocupação do canteiro de obras, atos em frente ao Metrô e Alstom, a mobilização forçou o pagamento de 187 trabalhadores da Façon (quarteirizada do Metrô-SP e da multinacional francesa Alstom). A empresa demitiu os trabalhadores sem pagar dois meses de salários e anos do INSS e FGTS dos mais de 200 trabalhadores envolvidos na implementação do Sistema CBTC (o mesmo utilizado na circulação de trens da Linha 4) do Metro. Nós da LER-QI, junto a agrupação Metroviários Pela Base, nos orgulhamos de ter participado dessa luta e ter contribuído para que os trabalhadores da Façon tenham obtido essas vitórias parciais.

A luta dos trabalhadores da Façon indicam novos fenômenos explosivos contra a precarização do trabalho no Metrô!

A expansão do Metrô baseada na política de privatização e terceirização do trabalho há anos vem sendo implementada pelos tucanos Alckmin e Serra em SP, com o objetivo de transformar um serviço público essencial num grande balcão de negócios para a burguesia. Muitos empresários e multinacionais ganham contratos milionários com as Parcerias Público-Privadas(PPP’s) e o super faturamento das obras. Esse modelo é o mesmo seguido nacionalmente pelo Governo Dilma e o PT, no atual pacote de mais R$133bi concedido a um punhado de capitalistas para a expansão de ferrovias e rodovias em vários Estados.

Enquanto a população sofre com passagens caras e trens lotados, os efetivos do Metrô têm um ritmo de trabalho cada vez mais intenso e a terceirização aumenta a passos largos. Hoje mais de 50% dos trabalhadores do metro são super explorados nas estações e túneis não tendo os mesmos salários e direitos dos efetivos. A luta dos trabalhadores da Façon evidencia a precarização do trabalho, além de escancarar como a terceirização é meio dos patrões para acabar com os direitos conquistados.

Metrô/Alstom/Façon tentaram impor um calote aos trabalhadores. Vale lembrar que a Alstom é investigada até hoje depois de ser acusada pelo Ministério Público da Suíça em pagar mais de U$S 6,8 mi de propina a agentes do governo tucano entre 1998 e 2001, para obter contratos milionários nas obras de expansão do Metrô que giravam em torno de U$S 45mi. Entretanto, para pagar os trabalhadores declaravam não ser responsáveis enquanto a Façon dizia decretar falência. Em resposta os trabalhadores da Façon ocuparam o canteiro de obras da empresa e assumiram o controle dos bens da Alstom, mostrando como novos processos explosivos começam a surgir no movimento operário brasileiro, como aconteceu recentemente nas obras do PAC e na construção civil, e devem se potencializar no Metrô com os impactos da crise capitalista internacional no Brasil.

Força Sindical junto com Serra, contra os trabalhadores!

O Sindicato da Construção Civil (Sintracon), que é representante legal dos trabalhadores da Façon, desde o princípio esteve contra a luta pois é filado àForça Sindical, temia que o conflito atingisse a campanha eleitoral de Serra, candidato burguês apoiado pela Força Sindical em SP. Atuaram para isentar o Metrô de responsabilidade, como se a Alstom não tivesse nenhum envolvimento com a empresa estatal controlada pelo PSDB.

O Sintracon articulou um acordo no Ministério Público, onde previa o desmonte da ocupação dos trabalhadores prometendo os salários e os direitos em troca, garantidos pela Alstom. Depois de terem entregado a ocupação a Alstom aplicou o calote dividindo os trabalhadores, pagando apenas 104 deles. Isso levou o conflito para o terreno da justiça burguesa, favorável àempresa a fim de dispersar os trabalhadores pelo cansaço. Apenas a Alstom era cobrada enquanto o Metrô era blindado pela multinacional e pela Força Sindical de qualquer responsabilidade.

O PSTU na direção do Sindicato dos Metroviários: muita ilusão no TRT, pouca confiança nos trabalhadores!

Com a direção traidora do Sintracon, desde o primeiro momento confiavam no Sindicato dos Metroviários e apostavam na aliança com os trabalhadores efetivos do Metrô. Os efetivos estavam em plena campanha por direitos pendentes da última greve. A oposição governista do PCdoB/PSB/PT estava dando de ombros contra toda mobilização, pois defendem a regulamentação da terceirização na lei trabalhista. O PSOL e suas correntes C-SOL e CST foram criminosamente ausentes na luta. Por outro lado, o PSTU contava com uma autoridade na comissão interna capaz de levar a luta para um rumo distinto da burocracia da Força Sindical, mas não o fez. Toda a diretoria, junto àoposição, está neste momento fazendo uma campanha para não implementar a medida de solidariedade aprovada amplamente na última assembléia em descontar R$ 5,00 em folha dos efetivos para o Fundo de Luta dos terceirizados!

Essa política levada a frente pelo PSTU é resultado da falta de uma estratégia baseada na unidade das fileiras operárias, com objetivo nos momentos de luta de fomentar organismos de auto-organização dos trabalhadores capazes de promover espaços de atuação conjunta entre efetivos e terceirizados.

A unidade dos metroviários efetivos com os terceirizados em luta poderia servir para motorizar uma forte greve contra o governo que colocasse àmostra os crimes contra os terceirizados, além de abrir um espaço político especial para a classe trabalhadora intervir diretamente nas eleições municipais de forma independente. Mas atuação do PSTU foi contrária a essa estratégia, o Sindicato passa a ser um fim em si mesmo e não um meio para unir a classe trabalhadora. Assim acabou deixando a comissão interna dos trabalhadores na mão da política do SINTRACON e da justiça burguesa, deixou de construir comitês de solidariedade entre os efetivos para fortalecer a luta dos terceirizados, acabou defendendo junto com a burocracia o acordo que previa a desocupação do canteiro e deixou de lutar por um programa que defendesse a manutenção dos postos de trabalho. Por outro lado, na campanha dos efetivos não conseguiu nenhuma vitória na pauta de reivindicação da categoria, e o ceticismo na possível aliança entre efetivos e terceirizados novamente fez com que as reivindicações em torno da PR, redução da Jornada, equiparação salarial e periculosidade, fossem condicionadas aos acordos no TRT.

A política revolucionária foi determinante para as conquistas parciais dos trabalhadores da Façon!

Mesmo com nossas pequenas forças, a potencialidade de uma política revolucionária mostrou como foi determinante para que os trabalhadores da Façon conseguissem parte de suas reivindicações. Fizemos parte da ocupação junto aos trabalhadores e os acompanhamos em cada embate com o Sintracon e a Justiça. Com a campanha de solidariedade, mesmo sem o apoio do Sindicato, arrecadamos mais de 1200 reais para o fundo de mobilização nas estações e na manutenção, essa arrecadação foi fundamental para que os trabalhadores permanecessem mobilizados, conseguindo participar de todas as atividades. Combinado a isso, o apoio dos estudantes da Juventude as Ruas e do SINTUSP que participaram da ocupação e dos atos cercando de solidariedade a mobilização, e trazendo a experiência da vitoriosa luta das terceirizadas da União na USP que passaram a mesma situação dos trabalhadores da Façon.

Defendemos desde o começo que a estratégia judicial deveria estar sempre ligada com a manutenção da ocupação e da mobilização, defendendo a reorganizando a comissão interna e organizando novos atos para dar continuidade a luta. Nessa perspectiva, travamos um importante combate com a burocracia sindical para cobrar do Metrô a responsabilidade de arcar com o pagamento e unificar a pauta de reivindicação com os metroviários efetivos, esse combate foi reconhecido pelos trabalhadores da Façon que nos defenderam e impediram que os bate-paus da Força Sindical nos retirassem da assembléia do dia 19/10.

Durante 2 meses nas assembléias da categoria defendemos a necessidade de incorporar a pauta dos trabalhadores terceirizados, lutando por direito iguais para todos os trabalhadores, e assim que os trabalhadores da Façon saíram em luta levantamos imediatamente uma política de incorporar como eixo na campanha o pagamento dos salários e direitos, assim como a manutenção de todos os postos de trabalho pelo Metrô junto as empresas contratadas para continuar os serviços da Façon.

Fazemos um chamado a todos os trabalhadores que tiveram acordo com nossa posições durante toda a campanha para construir uma forte corrente classista e revolucionária, que lute por direitos iguais a todos os trabalhadores, defendendo a incorporação dos terceirizados sem necessidade de concurso público, unificando os trabalhadores numa só classe para derrotar os patrões.

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