Movimento Operário

RELATO DA GREVE E PIQUETES DOS GARIS NO RIO DE JANEIRO

Viva a greve da Comlurb!

01 Mar 2014   |   comentários

Começou no Rio, em plena sexta feira de carnaval, a greve dos trabalhadores da COMLURB. Na terça feira, já tinha acontecido um grande do ato na Av. Presidente Vargas no qual os trabalhadores já exigiam a atuação do sindicato, já que nesse mês se inicia o dissídio da categoria.

Começou no Rio, em plena sexta feira de carnaval, a greve dos trabalhadores da COMLURB. Na terça feira, já tinha acontecido um grande do ato na Av. Presidente Vargas no qual os trabalhadores já exigiam a atuação do sindicato, já que nesse mês se inicia o dissídio da categoria. E na cidade maravilhosa onde não faltam recursos para Fifa e empresários, os garis sofrem de sol a sol com míseros R$ 850 de salário. Os garis já anunciavam que fariam greve durante o Carnaval para garantir um acordo coletivo e um aumento salarial justos. Quando foi noticiado em todos os jornais, na sexta-feira de manhã que o sindicato já havia assinado o acordo coletivo, que garantia apenas horas extras de 50% nos feriados, auxilio funeral e mísero aumento no ticket de alimentação e sequer tocava no aumento do salário base, aparecendo em letras garrafais que os garis não fariam greve e que o acordo estava selado, centenas de trabalhadores saíram furiosos para porta do sindicato exigir o apoio do mesmo para que houvesse greve.

É importante ressaltar que o Sindicato dos Trabalhadores do Asseio e Conservação do Rio de Janeiro dá exemplos de como a burocracia pode chegar em seu nível extremo. O sindicato que compõe a UGT, não realizou sequer um assembleia para assinar o acordo com a patronal. Indignados com toda a situação e a histórica colaboração com as empresas e governos deste sindicato o trabalhadores expressavam em suas falas a necessidade da democracia operária. Diziam nenhuma reunião fechada, que tudo se resolva na rua na frente de todos. E sendo tratados com tamanho desprezo viram que a única alternativa era pressionar o sindicato a assinar um documento de apoio a greve. Centenas dele gritavam GREVE! e nenhum deles titubeava sobre o que fazer, muitos diziam "É tudo ou nada!". Gritavam também "ooo o gari acordou!!" como uma incrível ressonância da energia de junho que ainda reverbera na classe trabalhadora.

Depois de muitas tentativas de manobra, o sindicato finalmente assina o apoio a greve. Fazendo com que todos ali retornassem as suas gerências para garantir os piquetes e os informes. Eles saíram sozinhos, sem nenhum orientação, sem nenhuma faixa do sindicato apoiando a greve. Mas três horas depois o sindicato faz a sua manobra maior, emitindo um documento onde diz que a greve é ilegal, usando o argumento que não foi avisado ao empregador 72 horas antes. Nessas horas fica claro o quanto a legalidade burguesa serve apenas aos patrões uma vez que não é julgado criminoso um sindicato passar por cima dos interesses da categoria.

De posse de mais este documento do sindicato encarregados que são ligados a direção do sindicato, gerentes, pressionaram os trabalhadores a trabalhar. Apesar disso a greve segue em muitos bairros da cidade. Com piquetes impedindo a saída dos caminhões, com pelegos amedrontados sem conseguir trabalhar, deixando a cidade caótica e mostrando a importância dessa categoria tantas vezes invisibilizada pela precarização. Em unidades mais organizadas os trabalhadores formaram equipes para correr outras e avisar da greve em piquetes ambulantes parando toda a região e todos já se dirigindo para o sindicato para impor sua vontade. Utilizando de muita articulação e coação, a patronal nas gerências das regiões turísticas do Carnaval pressionam os trabalhadores. Presenciamos muitos trabalhadores saindo obrigados a trabalhar com esperança de que a luta continue e se fortaleça. Ainda não tiveram força de derrotar nestas unidades a pressão da patronal e do sindicato, mas muito "esqueciam" suas vassouras, e mesmo com contradições estão dando passos em sua organização e consciência. A manobra do sindicato inclui uma reunião hoje às 12 horas com a direção da empresa. Já há um forte movimento para que todos estejam novamente na porta do sindicato.

Seguimos acompanhando e vivendo de perto a luta dessa categoria. Esperamos contribuir para que sejam vitoriosos. No entanto já é possível perceber que está greve nos serve de escola e podemos a partir delas tirar várias lições. A primeira é da importância da militância revolucionária estar diretamente ligada ao dinamismo da luta de classe. Era impensado que houvesse uma luta tão intensa no período em que todos se anestesiam e há grande refluxo, por esse tipo de giro deve se tornar constante em nossa política. Além disso, fica claro que mesmo com todo o ativismo, ódio de classe e clareza do papel que cumprem na sociedade, a falta de organização da categoria e até mesmo um comando alternativo ao sindicato para que orientasse alguma direção debilita muita a força do movimento. É necessário um programa classista e revolucionário que seja uma alternativa àburocracia sindical e um ponto de apoio para construir a organização. Até agora, esse evento inesperado na luta de classes, mostra também a tamanha debilidade da esquerda que figura raramente com pouquíssimos militantes de algumas correntes ou nenhum. Pulam tranquilamente seu Carnaval enquanto deixam passar a luta concreta e a aliança com a classe trabalhadores. Por último, a principal lição que temos aqui é a de que Junho não acabou, a classe trabalhadora pode nos surpreender com a força que está acumulada subjetivamente em cada um de nós. É nosso papel estar ombro a ombro nessa luta!

TODO APOIO A LUTA DOS GARIS!
VIVA A GREVE DOS TRABALHADORES DA COMLURB!

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