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EGITO

Vergonhosa capitulação da LIT-QI no Egito

22 Aug 2013   |   comentários

Uma contribuição essencial dos marxistas à causa da revolução egípcia e árabe é ajudar a esclarecer os problemas que enfrenta e as vias para seu triunfo, o que põe sobre a mesa um problema central: como podem conquistar o pão, o trabalho, a liberdade, os povos árabes em luta?

Uma contribuição essencial dos marxistas àcausa da revolução egípcia e árabe é ajudar a esclarecer os problemas que enfrenta e as vias para seu triunfo, o que põe sobre a mesa um problema central: como podem conquistar o pão, o trabalho, a liberdade, os povos árabes em luta? É possível uma democratização real, sem tomada do poder pelos trabalhadores? Lamentavelmente, setores da esquerda socialista imaginam uma fase de “revolução democrática†, prévia e separada da tomada do poder pelos trabalhadores, o que tem gravíssimas consequências políticas. Por exemplo, a LIT-QI, corrente liderada pelo PSTU, fala da “grande conquista das massas†– um grande passo adiante de sua “revolução democrática†– enquanto os militares dão um golpe, massacram, encarceram, impõem o estado de emergência e avançam em ataques que apontam não só contra a Irmandade Muçulmana, mas contra o conjunto do processo revolucionário.

Segundo a LIT, há um avanço da revolução “por mais que se coloque a contradição de que a cúpula militar reassuma diretamente as rédeas do governo, é uma nova vitória das massas populares, parcial mas importantíssima, pois ainda que não destrua o regime militar, desferiram-lhe um novo golpe†. Assim, “Apesar desta contradição, a queda de Morsi se configura como uma grande conquista das massas e um novo golpe ao regime, que perdeu seu segundo governo em dois anos e meio a partir da mobilização popular†. Como explica então a LIT que esta “grande conquista das massas†tenha levado àimposição de um governo militar e aos piores massacres, que não se viam desde a época de Mubarak?

Seguindo esta lógica, a LIT-QI se situa no “campo democrático†em nome “da mais ampla unidade de ação†incluindo os políticos patronais liberais e laicos, contra os “bonapartistas†, sejam islâmicos ou militares. Pela via desta vacilação às forças “liberais†se dá o paradoxo de que a LIT, falando da revolução “democrática†termina concedendo aos militares e seu governo – aliados do imperialismo e de Israel – legitimidade para reprimir os islâmicos. É insólito que uma organização que se reivindica de esquerda coloque que a repressão estatal foi “desenfreada e completamente desproporcional contra os militantes da Irmandade†(...) e que se o Exército quisesse reprimir a Irmandade Muçulmana, “Bastaria prisões massivas ou, como mínimo, de toda a sua cúpula. Tampouco seria necessário declarar um estado de emergência (de sítio), nem um toque de recolher, pois seria suficiente ilegalizar a Irmandade†. Ao mesmo tempo pede (aos militares? aos liberais aliados do imperialismo?) que não se conceda “nenhum direito democrático nem de expressão para a Irmandade e seus líderes políticos enquanto se mobilizem pelo retorno de Morsi†(sic). Parece incrível ter de recordar aos companheiros da LIT algo tão elementar para um revolucionário: que uma coisa é que as massas derrotem o governo reacionário de Morsi, e outra muito distinta é que quem o faça sejam as forças repressivas do estado capitalista, cujo objetivo é liquidar o processo de conjunto. Ao mesmo tempo, não deixa de chamar a atenção sua consigna de: “Eleições imediatas para a Assembléia Constituinte livre e soberana, sem a participação de militares nem da Irmandade!†, o que traduz sua adaptação ao campo das correntes burguesas laicas, liberais e nacionalistas. A política de “revolução democrática†já levou a LIT e outras organizações da esquerda internacional a considerar que a queda de Kadafi na Líbia, sob a direção da OTAN e seus colaboradores locais, era um “grande triunfo†das massas. Agora os leva, no Egito, a capitular aos “democratas†que encobrem o poder militar.

A dois anos e meio de convulsões e lutas de massas de todo tipo no mundo árabe e no Egito, demonstram que a utopia de uma fase de “revolução democrática†que mude o regime político sem que o poder passe das mãos da burguesia para as mãos da classe operária e dos oprimidos, é equivocada. Não há outra forma de satisfazer as demandas profundas das massas e resolver integral e efetivamente as tarefas nacionais e democráticas que não a tomada do poder pelos trabalhadores, àfrente da aliança operária, camponesa e popular.

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