Repressão na USP

ENTREVISTA COM DIANA ASSUNÇÃO

"Vamos trabalhar e estudar normalmente nos dias da suspensãoâ€

08 Feb 2013   |   comentários

Entrevistamos Diana Assunção de Oliveira, diretora do Sintusp e uma dos 72 denunciados pela ocupação da Reitoria da USP, que nos últimos dias foi uma das principais porta-vozes do movimento em defesa dos estudantes e trabalhadores da USP contra a escandalosa denúncia do Ministério Público.

JPO: Qual repercussão a denúncia do Ministério Público teve na sua unidade e na categoria de trabalhadores da USP?

Diana: Entre muitos trabalhadores expressou-se indignação diante da notícia. Na minha unidade, a Faculdade de Educação, dezenas de trabalhadores se mostraram surpresos com uma medida tão dura por parte do Ministério Público, sempre questionando que enquanto isso os corruptos continuam livres e impunes nos mais altos cargos dos governos estaduais e federal. Ainda que muitos demonstraram enorme preocupação com a possibilidade de prisão por 8 anos, como vem sido noticiado pela imprensa, muitos trabalhadores da Faculdade já vinham fazendo parte de uma campanha de apoio importante que organizamos no ano passado com um forte abaixo-assinado contra a minha ameaça de demissão que contou com centenas de assinaturas de trabalhadores, estudantes e professores da Faculdade, e também com reuniões de unidade para debater o tema e passagens por setor. Na USP de conjunto foram muitos os trabalhadores que procuraram o Sindicato para saber mais sobre o tema, por isso será fundamental nas próximas semanas a organização de uma reunião do Conselho Diretor de Base e de uma Assembléia Geral de Trabalhadores para organizar a campanha em nossa categoria.

JPO: Os estudantes e trabalhadores que neste momento estão sendo denunciados pelo Ministério Público já receberam punições internas. Quais foram as punições e que política está sendo levada adiante?

Diana: As punições chegaram no dia 31 de janeiro e a Reitoria puniu estudantes e trabalhadores com 5 a 15 de suspensão. Os pareces da Comissão Processante indicavam 30 dias para o meu caso, mas havia pareceres indicando 2 semestres letivos de suspensão para estudantes. Por conta da divergência entre as Comissões Processantes, a Reitoria criou uma 3ª Comissão, por cima destas, que decidiu pelas penas de 5 a 15 dias. Na verdade, foi a própria Reitoria. Como denunciamos desde o início o processo todo foi uma farsa, uma vez que a própria Reitoria acusou, julgou e agora pune. Diante desta situação a política que discutimos no movimento foi de, em primeiro lugar, não aceitar nenhuma punição. Por isso, além das medidas jurídicas, trabalharemos e estudaremos normalmente nos dias da suspensão, ao lado de nossos colegas de trabalho e estudo, demonstrando que não aceitamos de fato nenhuma punição. Além disso, o início das suspensões coincide com o início da calourada, que queremos transformar em uma semana de grande campanha, onde todos os suspensos sejam parte ativa e militante desta luta junto aos estudantes que ingressarem na universidade.

JPO: No ano passado a Faculdade de Educação se posicionou firmemente em sua defesa. Como foi feita a campanha naquele momento e como pretendem continuá-la agora?

Diana: Sim, no ano passado já fizemos uma forte campanha contra a ameaça de minha demissão. Isto dá bases muito fortes para seguir uma campanha desde aí. Conseguimos por exemplo uma declaração da Congregação que dizia que “(...) ao tomar conhecimento de que a servidora Diana está sendo processada por Comissão Processante ressaltamos que a qualidade de seus préstimos e sua dedicação às atividades funcionais são de grande valia para a Instituição e declara que qualquer tipo de penalidade ou sanção que ela eventualmente sofra, significará grande prejuízo àFEUSP†. Nas próximas semanas organizaremos uma nova reunião de unidade para debater estes temas e votar medidas entre os trabalhadores. Por exemplo no Sintusp vínhamos discutindo a necessidade de organizar uma importante campanha de sindicalização para fortalecer o nosso Sindicato junto aos novos funcionários que ingressarem. Acho que esta campanha deve ocorrer simultaneamente a coleta de milhares de assinaturas no abaixo-assinado que está sendo organizado pelas entidades exigindo o arquivamento da denúncia. Podemos conseguir uma grande presença dos trabalhadores nesta campanha.

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