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VALDIR, MILTON E CLESTINA. PRESENTES!: Punição aos executores e mandantes de seus assassinatos!

29 Mar 2012   |   comentários

Há uma semana da data de 48 anos do Golpe Militar no Brasil, dois companheiros e uma companheira do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) foram brutalmente assassinados na frente de uma criança de 5 anos, em uma emboscada na rodovia MGC-455, Uberlândia. Xs Companheirxs eram reconhecidas lideranças na luta pela terra na região e coordenavam o acampamento de 3 meses na Fazenda São José dos Cravos, também no triângulo mineiro/MG. Essa área, improdutiva, passou então a ser reivindicada pela Usina sucroalcoleira Vale do Tijuco (sede em Ribeirão Preto/SP), alegando posse com base em um contrato de arrendamento.

Curiosamente, no mesmo dia do assassinato dxs companheirxs, o Governo de Minas Gerais (Anastasia/PSDB) e a Companhia Energética Vale do Tijuco assinavam uma Parceria Público-Privada (PPP) com o investimento de R$22 milhões, provenientes do ICMS, para a pavimentação de 17,3Km entre o trecho da BR-050 e o entroncamento de acesso àUsina Vale do Tijuco, o que, para além da ’coincidência’ do fato, demonstra que a finalidade dos impostos da população nas mãos dos governos da burguesia só podem ser utilizados a favor dos interesses das grandes empresas, do agronegócio e dos latifundiários e jamais na garantia de obras públicas de moradia para o interesse da população.

A contratação de jagunços para assassinar os militantes Sem-Terra é uma prática corriqueira dos latifundiários, especialmente no Norte e Nordeste do país. A recorrência desses crimes e seu crescimento também em outras regiões é, por um lado, fruto da cada vez maior concentração de terras do Brasil – subindo de 0,856 em 1996 no governo FHC para 0,872 em 2006 no governo Lula –, e por outro, da legitimação da violência sobre os pobres e os movimentos sociais garantida pelo Estado brasileiro desde a impunidade aos crimes da ditadura militar.

No governo Lula o número de mortos entre os sem-terras foram recordes e se depender do governo Dilma, essa estatística só tende a aumentar. Essa, mais ainda do que Lula, garantiu sua eleição a partir da costura de alianças com a maioria dos partidos burgueses e com o espectro mais reacionário das oligarquias latifundiárias, logo, o compromisso do governo é com a defesa da propriedade privada e não com o direito dos sem-terras. Os latifundiários, assim como os militares da ditadura, se sentem encorajados pelo PT e organizam seus bandos paramilitares para “defenderem suas propriedades†– leia-se “terras públicas, do Estado, roubadas, griladas, expropriadas e empossadas por empresários e latifundiários†– a fogo e sobre o sangue dos trabalhadores, camponeses e sem-terras.

A impunidade dos crimes da ditadura se revertem hoje na impunidade dos crimes no campo e nas cidades. Os financiadores, mentores e executores de ontem que atuavam sob o regime ditatorial, estão livres hoje para cometerem os mesmos atos de barbárie, tortura e homicídio sob o regime ‘democrático’. É preciso dar um basta na impunidade de ontem e hoje. O governo Dilma já demonstrou que não pretende avançar no resgate da memória, da verdade e da justiça sobre os responsáveis civis e militares dos crimes da ditadura, a Lei de Anistia e o pacto da transição entre a ditadura e a ‘democracia’ nãopode ser quebrado pelo PT, que, além de ter sido uma peça chave na sua configuração, tem seu governo sustentado pelos responsáveis e financiadores diretos da ditadura. A manutenção desse pacto, porém, custa caro para a classe trabalhadora e o povo pobre, como se demonstrou no início desse ano na desocupação violenta e assassina feita em Pinheirinho/SP e todo o ano se demonstra nacionalmente em inúmeras desocupações violentas e assassinatos em emboscadas de militantes, trabalhadores e camponeses sem-terras.

Exigimos a imediata punição dos responsáveis – executores e mandantes – pelos assassinatos dxs companheirxs. Em memória de Valdir, Milton, Clestina e de milhares de outrxs militantes assassinados, é necessário que as organizações de direitos humanos, os sindicatos, as organizações de esquerda e os movimentos sociais coloquem na ordem do dia a preparação de um movimento nacional pela abertura irrestrita dos arquivos da ditadura militar, pela constituição de uma verdadeira Comissão Nacional de Memória, Verdade e Justiça, independente do governo e dos militares e órgãos repressivos, para as tarefas atuais de luta contra a violência, a tortura e os assassinatos que marcam o caráter da polícia em todos os estados, pela extinção dos órgãos de vigilância e perseguição aos movimentos sociais e organizações operárias e pela punição dos autores e mandantes dos crimes contra o povo pobre, os trabalhadores e camponeses sem-terras.

A reforma agrária radical só pode ser alcançada com a luta dos camponeses, trabalhadores e da juventude pela expropriação imediata, sem indenização, das grandes usinas e fazendas que se descubra ligação no assassinato de nossxs companheirxs! Que essas usinas sejam colocadas sob controle operário e que suas terras sejam transferidas para quem nela trabalha por meio de uma reforma agrária radical, no caminho da socialização e coletivização da terra! Os sem-terras acampados devem ter o direito de se armar para poderem se defender e se organizar contra as ameaças dos bandos de jagunços e paramilitares!

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