Juventude

JUVENTUDE ÀS RUAS

Unificar as lutas por educação em todo o país e organizar os estudantes para lutar contra a Copa dos patrões!

22 May 2014   |   comentários

O dia de mobilização nacional chamado para o último dia 15 de maio demonstrou que há disposição da juventude em intensificar as lutas à beira da Copa. O ato unificado do fim da tarde em São Paulo poderia ter sido muito maior se não tivesse sido reprimido pela PM logo no início. Mesmo assim, a preparação para o 15M mostrou os limites das direções majoritárias dos movimentos de juventude e do movimento (...)

O dia de mobilização nacional chamado para o último dia 15 de maio demonstrou que há disposição da juventude em intensificar as lutas àbeira da Copa. O ato unificado do fim da tarde em São Paulo poderia ter sido muito maior se não tivesse sido reprimido pela PM logo no início. Mesmo assim, a preparação para o 15M mostrou os limites das direções majoritárias dos movimentos de juventude e do movimento estudantil.

Como propusemos no chamado da Juventude ás Ruas ao 15M, acreditamos que a melhor forma de transformar a politização passiva que se existe hoje em centenas de milhares de jovens por todo o país em ações contundentes contra os governos e a FIFA é organizar as mobilizações desde a base dos locais de ensino e trabalho. Apesar de cumprirem um papel importante, as convocações via rede social e por agitação não podem sozinhas responder a necessidade de organização da juventude. Neste sentido, nós da Juventude às Ruas impulsionamos paralisações neste dia 15 no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UNICAMP e no Serviço Social na UERJ votadas e construídas em assembleias de curso que ligam as demandas específicas mais sentidas com a luta por educação em geral e contra os governos.

A aliança operário-estudantil se coloca na ordem do dia

Como desenvolvemos no editorial e outros artigos desta edição, o elemento mais dinâmico na atual conjuntura nacional é sem dúvida a onda crescente de greves que se espalha por todo o país. Vimos na exemplar greve dos garis do RJ, pelos próprios depoimentos destes trabalhadores, que ações de solidariedade da juventude aos trabalhadores em luta podem contribuir muito para que possam seguir firmes e avançar na difícil luta contra a burocracia sindical e a patronal. Por isso, os setores de juventude que reivindicam a centralidade da classe trabalhadora na luta contra o capitalismo precisam mais do que nunca se lançar na construção da aliança-operário estudantil. A vitória das greves em curso, mesmo que parciais, podem incentivar que outros setores e categorias entrem em cena, tornando ainda maior a ameaça ao domínio da burguesia brasileira.

Concretamente, precisamos impulsionar em cada universidade e escola comitês de solidariedade às greves em curso. Desta forma, podemos organizar arrecadações para os fundos de greves, preparar estudantes para reforçar os piquetes, organizar panfletagens que levem solidariedade, mas também que possam contribuir para a articulação de diferentes unidades de trabalho, seja de uma mesma categoria ou não. A aliança entre estudantes e trabalhadores pode representar um enorme avanço nas mobilizações contra a Copa, e é a única capaz de enfrentar a repressão que preparam os governos e a FIFA!

21 de maio: paralisar as estaduais paulistas e unificar as lutas por educação!

Em mais uma demonstração de que estão junto do governo do PSDB contra os interesses de trabalhadores e estudantes, as reitorias da USP, UNESP e UNICAMP decidiram que este ano trabalhadores e professores das três estaduais não terão aumento salarial. Na prática isso significa que, frente ao aumento da inflação, o poder de compra desses trabalhadores cairá cerca de 10% em um ano. Em resposta imediata, os trabalhadores das estaduais decidiram paralisar suas atividades neste dia 21 e já preparam uma possível greve caso o ataque se mantenha. Desde o dia 17 de março, estão em greve também os trabalhadores técnico administrativos de várias universidades federais em diferentes estados.

Assim como no segundo semestre de 2013, em meio a greve dos professores do Rio e das greves e ocupações estudantis na USP e na UNICAMP, está aberta a possibilidade de unificar diversas lutas por educação, uma das principais demandas exigidas pelos milhões que saíram às ruas em junho. Naquela ocasião, uma grande oportunidade de unificação foi perdida por PSOL e PSTU, que estão nas direções do sindicato dos professores do Rio e dos DCE’s da USP e UNICAMP. Não podemos impedir que isto aconteça mais uma vez! Está colocada outa vez a chance de construirmos uma forte luta nacional contra o projeto de educação dos governos do PT e PSDB!

Os estudantes das estaduais precisam organizar paralisações desde as bases em apoio a pauta dos trabalhadores e por nossas próprias demandas, como a exigência de políticas efetivas de permanência estudantil que atendam as necessidades, a luta pela ampliação e autogestão dos espaços estudantis e pela democratização radical do acesso e da estrutura de poder das universidades! Nós que construímos Juventude às Ruas, precisamos ser a linha de frente deste movimento nacional de unificação, conformando nele uma fração revolucionária. Precisamos exigir o aumento urgente de verbas para a educação pública através do não pagamento da dívida pública! Defender também que a única saída para o problema da educação está na luta contra os monopólios privados de ensino, que precisam ser estatizados sob controle de trabalhadores e estudantes! Fim do ensino pago e do vestibular!

Comando de delgados de base para coordenar a luta nas estaduais!

Conforme a mobilização avança nas estaduais paulistas, se faz necessário travarmos a luta política para que os rumos desta estejam concentrados nas decisões das assembleias de base. Para coordenar a luta estadual e a participação dos estudantes nas mobilizações contra a Copa, estas assembleias de base precisam eleger delegados com mandatos revogáveis que possam se reunir e decidir democraticamente a construção de atividades de mobilização e dias unificados de luta a nível estadual e federal. A experiência da greve e ocupação de 2007, que tinha como principal exigência a luta contra os decretos Serra, nos mostra a potencialidade da unificação das estudais para derrotarmos o governo tucano! Que os DCE’s da USP e UNICAMP e o comando estadual de mobilização da UNESP façam um chamado para que todas as assembleias de base votem delegados para conformação de um comando estadual de mobilização dos estudantes em luta! Que a ANEL SP organize uma assembleia estadual para articular a intervenção na luta das estaduais e unificá-la com as demais universidades e escolas do estado!

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