Internacional

Utilizando o clima de terror deixado pelo atentado

Unidade reacionária europeia: Merkel, Cameron, Rajoy e Renzi marcham no domingo em Paris

11 Jan 2015 | Os chefes de Estado da Alemanha (Angela Merkel), Reino Unido (David Cameron), Estado Espanhol (Mariano Rajoy) e Itália (Matteo Renzi) confirmaram sua participação neste domingo na manifestação convocada pelo governo de Hollande com todos os partidos do regime francês após o atentado contra o semanário satírico “Charlie Hebdo†. Os Estados Unidos enviarão um representante. Algumas horas antes será realizada uma cúpula “contra o terrorismo†com ministros europeus e representantes norteamericanos.   |   comentários

Os chefes de Estado da Alemanha (Angela Merkel), Reino Unido (David Cameron), Estado Espanhol (Mariano Rajoy) e Itália (Matteo Renzi) confirmaram sua participação neste domingo na manifestação convocada pelo governo de Hollande com todos os partidos do regime francês após o atentado contra o semanário satírico “Charlie Hebdo†. Os Estados Unidos enviarão um representante. Algumas horas antes será realizada uma cúpula “contra o terrorismo†com (...)

“Será um importante sinal da amizade franco-alemã que nos une†, afirmou a Chanceler alemã Angela Merkel, e agregou que confirmou pessoalmente sua presença ao presidente francês, François Hollande.

“A Europa inteira†está “ao lado da França†, continuou Merkel e reiterou sua condenação ao “atentado bárbaro†contra Charlie Hebdo. A chanceler alemã conclamou a “levantar a voz quando se atacam os valores da democracia†.
Pouco depois se somou ao prêmier britânico David Cameron, que em sua conta do Twitter garantiu que aceitou o convite de Hollande para participar da macha unitária.
Também o presidente espanhol. Mariano Rajoy, se somou àconvocação. “Estarei em Paris nesse domingo apoiando o povo francês. A Espanha está com a França contra o terrorismo e pela liberdade†, disse também em sua conta do Twitter.

Matteo Renzi, primeiro ministro italiano, também confirmou sua presença em um tweet, escrito em uma curiosa combinação de francês e italiano.

“No domingo estarei com Hollande em Paris. Não permitiremos que o medo mude a Europa.â€

A líder da ultradireitista e xonófoba Frente Nacional, Marine Le Pen, se queixou de não ter sido convidada a participar da manifestação. Após sua visita ontem ao palácio de Elísio (sede da presidência francesa), expressou com indignação: “Não obtive do presidente da República a confirmação clara da suspensão da proibição ao nosso movimento, seus representantes eleitos, que milhões de franceses esperavam ver nos cortejos,†disse indignada. E acusou o Partido Socialista e a UDI (uma formação de centro direita com perfil social que foi parte da presidência de Sarkozy) de haver rompido a unidade nacional (a UMP se declarou a favor de não proibir ninguém de participar). Para além desse desencontro, é uma novidade que a FN seja convidada ao palácio de Elísio por um presidente de “esquerda†.

O ex-presidente Nicolas Sarkozy e líder da conservador União por um Movimento Popular (UMP) respondeu ao chamado de Hollande e se somou ao clima de “unidade nacional†. “Foi declarada guerra àFrança, a suas instituições, àRepública, pelos bárbaros que negam a própria ideia de civilização e os valores universais da humanidade†, sustentou em um comunicado. “Esta situação trágica chama cada um de nós a respeitar a unidade nacional que devemos às vítimas†, acrescentou.
A manifestação do próximo domingo, com a presença de todos estes chefes de Estado, incluindo o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, será um fato inédito e terá uma enorme repercussão mundial. Uma política para mostrar uma grande “frente ocidental pela democracia†e “contra o terrorismo†.

Após o brutal atentado da última quarta-feira, os líderes da Europa imperialista, desde os social liberais e conservadores até os representantes da direita xenófoba, como Marine Le Pen, junto com os representantes do imperialismo guerreirista norteamericano, querem se mostrar como os defensores da “liberdade†e da “democracia†.

Mas os que falam em nome da “democracia†são os verdadeiros terroristas de Estado na à frica e no Oriente Médio, os aliados do Estado genocida de Israel. Os que reforçam a doutrina de “Guerra contra o Terrorismo†idealizada por Bush contra os povos do mundo e demonizam milhões de muçulmanos que vivem na miséria nos subúrbios da Europa.

E também são os que proíbem manifestações de solidariedade àPalestina ou por Rémi Fraisse, como Hollande; os que na Itália, como Renzi, impulsionam reformas trabalhistas anti-operárias e perseguem os imigrantes; os que criminalizam os protestos impondo a “Lei Mordaça†no Estado Espanhol, os que, como Angela Merkel, perseguem os refugiados na Alemanha. E todos eles, que vêm aplicando os planos de austeridade e cortes contra os trabalhadores em toda a Europa e votando leis xenófobas contra os imigrantes que moram nas periferias das grandes cidades, são acuados pela polícia nos bairros pobres e sobrevivem na precariedade absoluta ou em prisões.

Frente àopção de “Civilização ou Barbárie†na boca dos responsáveis cotidianos pelas guerras imperialistas e pela fome de milhõres, a luta é tanto contra a extrema direita como contra a “frente republicana†, igualmente anti-imigrante, anti-operária e anti-popular.

Os grandes problemas enfrentados pelas massas exploradas e oprimidas da França e Europa não terão solução efetiva sem tomar o poder dos exploradores.

Artigos relacionados: Internacional









  • Não há comentários para este artigo