Movimento Operário

ARGENTINA | AS BATALHAS DO PTS NO CENÃ RIO NACIONAL

Uma nova militância política para chegar a dezenas de milhares de trabalhadores e jovens

23 Jul 2012 | Nesta seção que inauguramos há alguns números de LVO, destacamos a intervenção do PTS e suas principais lutas no movimento operário e da juventude. Aqui explicamos a campanha de agitação política que votou a Conferência Nacional de Trabalhadores, sintetizada nas consignas "por sindicato sem burocratas e por um partido de trabalhadores sem patrões, para que a crise seja paga pelos exploradores".   |   comentários

Os próximos dias começaremos a por em prática a resolução central da Conferência do 8 de julho, que transbordou o Estádio de Ferro: lançar uma campanha de agitação com as duas consignas votadas (imagem a cima) através de adesivos, pichações, cartazes, projeções de rua; sem descuidar, obviamente, da intervenção decidida em toda luta concreta dos trabalhadores e da juventude, o enfrentamento aos ataques da burocracia, como a tentativa de sanções por parte do SMATA àComissão Interna de Lear, e as ações que se preparam frente o julgamento pelo assassinato de Mariano Ferreyra.

Se a própria Conferência constituiu um fato inédito na esquerda que comoveu aos que participaram, agora nos propomos transformar esse impacto em uma nova força militante de muitos milhares de trabalhadores, trabalhadoras e jovens que assumam como própria a luta política por essas duas idéoas (e todo o que elas colocam) para dezenas de milhares. Isto seria outra novidade no país: milhares de trabalhadores, trabalhadoras e jovens militando com seus companheiros de trabalho, amigos e conhecidos dos bairros, com a finalidade de instalar a ideia da necessidade de um partido próprio de todos os explorados (efetivos, contratados, sem carteira assinada, imigrantes) que defenda um programa para que a crise a paguem os exploradores. Como se vê, se trata de uma militância diretamente política, não apenas "sindical" ou por uma demanda específica, nem exclusivamente eleitoral.

Duas ideias para mudar a história da classe trabalhadora

A realidade política nacional faz mais correto do que nunca agitar as duas consignas unidas: "por sindicatos sem burocratas" e "por um partido de trabalhadores sem patrões, para que a crise a paguem os exploradores", para deixar claro que impulsionamos uma alternativa independente não só do governo e as variantes patronais, mas também de todas as alas da "liderança sindical": contra a Conferência de Gordos Traidores que apóia Cristina e a CTA oficialista de Yasky; contra o "trem fantasma" da CGT que armou Moyano com Venegas, Pereyra e o radical Palazzo (cafetões da oligarquia, das petroleiras e dos bancos, respectivamente); contra a CTA de Micheli que "banca" o governo "socialista" -radical-sojeiro de Santa Fé.

Colocar massivamente essas duas consignas aumentará a possibilidade de que a experiência da classe trabalhadora com o peronismo, que ainda se encontra no seu começo, cristalize quando as condições permitir num novo partido que tenha como "base" o que chamamos "independência política da classe trabalhadora" ou "independência de classe", e a partir dela se articule um programa de demandas transicionais até o governo dos trabalhadores. As formas surgiram do processo real. O que é urgente é instalar a ideia e conquistar setores de trabalhadores dispostos a leva-la adiante. Por isto, propomos as organizações com as que integramos a Frente de Esquerda impulsionar esta política, partindo da conquista comum dos 660 mil votos das eleições.

Conseguir que novas gerações de trabalhadores, trabalhadoras e jovens desenvolvam uma militância política com o objetivo de superar pela esquerda ao peronismo não é pouca coisa, como mostra a história. Não nos limitamos a intervir nas lutas sindicais ou nos pequenos espaços eleitorais que nos deixa o regime há cada dois anos, porque sabemos que por essas vias, ainda que são inevitáveis, não se obtém mudanças de fundo. Tão pouco seria correto esperar passivamente que os setores que avancem em sua experiência política com o peronismo "venham" ao programa dos marxistas revolucionários. Em função da estratégia do PTS de construir um partido revolucionário (como parte da luta por reconstruir a Quarta Internacional), buscamos construir pontes que nos permitam confluir com os trabalhadores e jovens que deem passos para a esquerda.

A luta de classes e seus limites

Um acelerador chave da experiência política com o peronismo no poder é o desenvolvimento dos enfrentamentos diretos entre as classes. Por isto o governo dos K teme tanto a "ação direta", e por isto Moyano levantou a greve dos caminhoneiros quando mostrava toda sua força, aceitando um acordo "rebaixado" nas paritárias do setor. Desde a grande greve de Kraft de 2009 que aconteceu ao fim da recessão desse ano, baixou a intensidade dos conflitos, devido a recuperação econômica de 2010/11 e a política das diferentes alas da burocracia sindical de negociar nas paritárias sem lutar, permitindo que persistam as condições de precarização do trabalho imposta nos anos 90.

O freio da economia deste ano ainda não se traduziu em ataques generalizados. Quando estes ocorrem, como ao final de 2011 em Santa Cruz, renascem fortes processos de luta. Os estatais da Província veem respondendo com greves massivas ao bônus em partes de Scioli, obrigando-o em parte a retroceder, ainda que sem superar os limites impostos pelas direções burocráticas.

Cada batalha da luta de classes será um terreno privilegiado para a intervenção dos classistas, já que o partido dos trabalhadores que queremos que surja forjará (como veem fazendo até agora) nessas "escolas de guerra" seus melhores dirigentes e destacamentos de combate.

Que a força da Conferência se transforme em uma nova militância política operária

A Conferência despertou um enorme entusiasmo nos milhares de trabalhadores, trabalhadoras e jovens que assistiram, não só pela quantidade de gente reunida um dia de domingo (para que as delegações do interior pudessem assistir), mas também pela qualidade da Mesa que a presidiu (cujos oradores principais, dirigente do PTS, são referências de grandes lutas que apresentaram informes políticos "de operários" e não "para operários", desenvolvendo uma perspectiva "hegemônica" para o conjunto dos exploradores e oprimidos) e pela presença "do novo" considerando o que já havíamos conquistados como PTS: oradores dos setores mais oprimidos da classe operária: os jovens imigrantes, as mulheres bolivianas que trabalham nas plantações do NOA e novas dirigentes operárias do PTS que expressam com força e nível não só os problemas específicos do movimento operário mas também a opressão da mulher e das pessoas LGBT. Na semana seguinte, muitos trabalhadores começaram a organizar reuniões com aqueles companheiros e companheiras que não puderam assistir, passando os vídeos da TvPTS e/ou transmitindo as próprias impressões e conclusões.

A Conferência foi um evento de propaganda (como definida Lenin: "muitas ideias para poucos", tendo em conta que os 4 mil presentes são "poucos" frente aos 11milhões de trabalhadores do país) que definiu como uma das orientações centrais uma grande campanha de agitação (poucas ideias para muitos), que é o que temos desejado começar agora. Esta campanha abrirá o caminho e ampliará as redes de discussão política (propaganda em uma nova escala) e organizar uma nova militância.

A atividade do PTS no movimento operário dos últimos anos permitiu conquistar novas camadas de dirigentes e militantes partidários, como se expressou na Conferência, mas também uma rede de milhares do que poderíamos chamar "militantes de fábrica" (ou de empresa) que compartilham dia a dia o enfrentamento com a patronal, o governo e a burocracia. Muitos assistiram a Conferência, simpatizam claramente com o PTS e saíram impactados pela força do evento, mas sua prática política até agora se limitou às lutas concretas em seu lugar de trabalho, às campanhas eleitorais da Frente de Esquerda ou em seus sindicatos. Ainda não desenvolveram o "hábito" da luta política cotidiana. A eles e elas queremos prove-los todas as ferramentas necessárias para que desenvolvam uma militância política "direta" pelos interesses gerais dos trabalhadores como classe, buscando ganhar seus amigos e trabalhadores mais próximos para que sejam parte, junto com PTS, dos que lutamos para por em pé um partido de trabalhadores sem patrões. Algo similar, com maior audácia, nos planejamos na juventude trabalhadora e entre as mulheres trabalhadoras (incluídas as donas de casa de famílias operárias).

Queremos potencializar essa "unidade de propósito" que gerou uma energia nova na Conferência: entre os operários e operárias que formam correntes classistas nas principais concentrações industriais, das comunicações e transportes, com as mulheres trabalhadoras e os jovens dos setores mais explorados, passando por todo o arco de trabalhadores e trabalhadoras de distintos sindicatos e regiões do país, junto aos estudantes organizados na Juventude do PTS que "colocam o corpo" em cada luta porque defendem a única perspectiva realista para transformar radicalmente esta sociedade. Todos golpeando como um só punho para instalar a necessidade de construir um partido de trabalhadores que levante um programa para que a crise a paguem os exploradores. Um programa e uma estratégia para vencer.

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