Movimento Operário

DEPOIS DA CONFERÊNCIA NACIONAL DE TRABALHADORES | ARGENTINA

Uma nova etapa com grandes desafios

16 Jul 2012   |   comentários

Veja todos os vídeos da Conferência Nacional de Trabalhadores realizada em 8 de julho em http://www.tvpts.tv/ConferenciaNacionaldeTrabajadoresPTS

A massiva Conferência Nacional de Trabalhadores se realizou num momento de virada no cenário político e da luta de classes internacional e nacional.

O combate dos mineiros no Estado Espanhol evidencia duas questões. Por um lado, a profundidade da crise, com um novo e brutal plano de austeridade; e por outro, a não menos profunda resposta operária que retoma as melhores tradições de sua história de luta, considerando os limites que as burocracias sindicais impõem. Nossos companheiros do Classe Contra Classe do Estado Espanhol estão intervindo ativamente nos apaixonantes acontecimentos e na primeira fila do combate junto aos heroicos mineiros ( ver http://www.pts.org.ar/spip.php?article20903).

No nosso país, a combinação de crise econômica, que golpeia com ritmos ainda não catastróficos, mas que se faz sentir por meio de uma forte desaceleração; e as disputas internas da coalizão governante, começam a ter como resultado os inícios de uma divisão e ruptura de setores da classe operária com o governo (ver http://www.pts.org.ar/spip.php?article20876).

Neste momento particular, a Conferência reuniu referências e ativistas do mais destacado da vanguarda classista, com força nas principais concentrações operárias do país. Desde os lutadores do ’Ingênio La Esperanza’ em Jujuy, passando pelos trabalhadores dos citros de Tucumán, dos automotivos de Córdoba, representantes das distintas fábricas dessa grande concentração do proletariado argentino que é a Zona Norte da Grande Buenos Aires, dos serviços estratégicos como o metrô ou o trem, até dirigentes dos mineiros de Rio Turbio, operários imigrantes e uma ampla delegação da vanguarda de Neuquén, encabeçada pelos lendários ceramistas (ver http://www.pts.org.ar/spip.php?rubrique5141).

No marco em que nem mesmo o governo, que conta com todo o aparato do Estado, seus funcionários e militantes rentados, nem as burocracias sindicais e seus aparatos com imensos recursos, conseguem ampliar sua capacidade de mobilização; que os classistas e militantes revolucionários do PTS tenham realizado uma Conferência operária com mais de 4 mil companheiros e companheiras, um domingo de um longo fim de semana, é mais do que significativo. Além disso, o êxito da Conferência se viu na quantidade e qualidade das e dos dirigentes operários que mostraram em seus discursos (que expressavam sua própria prática política), estarem contra uma perspectiva meramente corporativa ou sindicalista. Foi possível constatar o desenvolvimento de verdadeiros ’tribunos do povo’, que levantam na sua luta cotidiana as demandas de toda a classe trabalhadora e sobretudo dos setores mais oprimidos (a mulher operária, os imigrantes, a juventude, os companheiros e companheiras LGTBI), que também tiveram sua representação na Conferência.

Uma batalha política fundamental

O êxito da Conferência na situação que se abre no movimento operário coloca novos desafios. A campanha de agitação votada por "sindicatos sem burocratas e um Partido de Trabalhadores sem patrões", resumiu as principais ideias para ir batalhar no seio da classe operária e da juventude contra as propostas dos que enfrentam ao governo, mas desde alternativas políticas que são patronais.

A oposição ao governo não se reduz hoje apenas a vanguarda do "sindicalismo de base", mas também começa a incluir setores mais amplos (como os caminhoneiros ou os 550 mil estatais em luta na província de Buenos Aires), e enquanto os burocratas sindicais querem arrastar essa força atrás de alguma variante patronal, o desafio é semear a ideia de construir um Partido de Trabalhadores, que para nós deve adotar um programa revolucionário e socialista como saída estratégica de resposta àcrise. Um primeiro desafio atual é convencer a amplos setores de trabalhadores, que se multiplicam ao calor de sua experiência com um governo cada vez mais anti-operária, de uma ideia elementar: não há que se subordinar a novas fraudes políticas da patronal, das que são servis as burocracias sindicais. Como Moyano que afirmou na Praça de Maio que "o peronismo não morreu nunca" e "que os operários e os patrões somos todos trabalhadores" para ir atrás de um novo projeto peronista em comum com Scioli; como Micheli que apóia ao "socialista" sojeiro Binner. A possibilidade ou não de concretização desse partido dependerá da luta viva e da correlação de forças. Esta batalha é uma obrigação hoje e facilitará o caminho para fortalecer as fileiras dos revolucionários com aqueles que avancem na ruptura consciente com as variantes patronais e abracem as ideias e o programa revolucionário e socialista. A Frente de Esquerda é um ponto de apoio importante, necessário mas não suficiente, se não se almeja esta perspectiva maior. A unidade das principais forças que se reivindicam revolucionárias supõe igualmente a tarefa inevitável de convencer a dezenas de milhares que começam sua experiência com o peronismo kirchnerista da perspectiva de independência política de classe, que vá para além do terreno eleitoral.

Nossa tarefa imediata combina numa mesma hierarquia, a participação ativa nas lutas, como faremos agora no ’cabo de guerra’ da província de Buenos Aires contra o ajuste sciolista (do qual o governo nacional é um cúmplice cínico); com a batalha por convencer aos trabalhadores da necessidade de um Partido de Trabalhadores.

Novas tarefas e novas forças

A Conferência com mais de 4 mil companheiros e companheiras foi a atividade mais importante dentro de uma intensa intervenção e implementação política do PTS nas últimas semanas. As Juventudes realizaram um ato com mais de 1.200 companheiros na Capital e mais de 250 em Córdoba e Rosário, e em todos contaram com a presença de militantes revolucionários e dirigentes estudantis de Chile. Além disso, fomos parte substancial da coluna classista que foi com suas próprias bandeiras a praça na paralisação convocada pela CGT de Moyano.

Esta ampla intervenção e mesmo a Conferência mostram as forças das quais partimos. Com dirigentes, quadros e novos militantes para responder aos desafios que o momento presente e os tempos por vir colocam àesquerda revolucionária.

A participação de um qualitativo setor de jovens trabalhadores, em sua grande maioria precarizados, mostrou sua potencialidade e disposição a organizar-se. E deixou firmado um desafio ao conjunto da Juventude do PTS: construir uma forte juventude operária e estudantil. A unidade da juventude precarizada, a juventude estudantil combativa, com os setores operários organizados nas principais concentrações da indústria e dos serviços, mostram uma potencialidade e uma irrefreável dinâmica para avançar na construção de um poderoso partido revolucionário (ver http://www.pts.org.ar/spip.php?article20874).

Mas estamos longe de nos conformar como o que conquistamos. Através das principais consignas que votou a Conferência: "sindicatos sem burocratas e um Partido de Trabalhadores sem patrões", pretendemos que os milhares que organizamos hoje abram caminho para dezenas de milhares, para prepararmos para chegar a milhões quando a realidade permita essa possibilidade. Intervir na luta de classes e acompanhar ativamente a experiência de setores das massas com as distintas vertentes do peronismo.

Não se trata somente de compreender e analisar de forma jornalística o momento histórico, há que traduzir-lo em programa de ação, em tarefas e em força militante com capacidade de incidir decisivamente na realidade para transforma-la.

A esquerda revolucionária, para não ser testemunha ou um puro discurso, deve demonstrar capacidade e criatividade para conquistar força material: dirigentes e frações nas principais concentrações operárias e entre os setores mais oprimidos da sociedade. Multiplicar os dirigentes operários e juvenis, como os que se expressaram na Conferência que superam na sua própria prática a fragmentação e todo tipo de corporativismo funcional ao papel concedido pela classe dominante, que pretende que os trabalhadores se limitem no máximo a luta sindical, mas jamais se elevem àluta política. Não se consegue isso, proclamando de maneira fatalista a crise do governo e do sistema, há que demonstrar sermos necessários. Nos sentimos orgulhosos de contar com dirigentes que falam com voz própria e com paixão militante, como a que inundou a Conferência no Estádio de Ferro. Que incorporam aspectos da intencionalmente negada experiência histórica da classe trabalhadora e das melhores tradições da juventude. A Conferência Nacional de Trabalhadores mostrou essa potencialidade, mas é só o início, os primeiros passos e as primeiras tarefas que a história volta a colocar, como oportunidade e como perspectiva concreta a todos os que vibraram ao calor dos discursos e dos debates dessa intensa jornada.

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