Juventude

ACAMPAMENTO NACIONAL DA JUVENTUDE ÀS RUAS

Uma juventude revolucionária para um tempo de revoluções

09 Feb 2015   |   comentários

No dia de ontem (7/02/2015) dezenas de jovens se reuniram em um curso de formação para discutir um tema de grande importância para a juventude de todo o mundo. Com fenômenos políticos inéditos para nossa geração, que se iniciam após a crise anunciada pela quebra do Lehman Brothers, nossa juventude pode ver a conformação de partidos reformistas em países chave na luta classes no mundo atual, com a expressão máxima da vitória eleitoral do Syriza na (...)

No dia de ontem (7/02/2015) dezenas de jovens se reuniram em um curso de formação para discutir um tema de grande importância para a juventude de todo o mundo. Com fenômenos políticos inéditos para nossa geração, que se iniciam após a crise anunciada pela quebra do Lehman Brothers, nossa juventude pode ver a conformação de partidos reformistas em países chave na luta classes no mundo atual, com a expressão máxima da vitória eleitoral do Syriza na Grécia.

Encarando o mundo de maneira marxista, é possível compreender que, para todos os ataques deslavados pela burguesia contra os trabalhadores e a juventude desde 2008, saídas como as anunciadas pelo Syriza ou pelo Podemos (Espanha), estão muito longe de concretizar a qualidade de vida almejada pela totalidade dos trabalhadores e jovens que, em todo o mundo e especificamente nesses países, sofrem com os planos de austeridade para manutenção dos altos lucros da burguesia.

O governo Syriza, ao passo que implementa medidas progressistas, que reivindicamos como parte do resgate àqualidade de vida da população, ainda mantem um limite claro para essas conquistas ao anunciar sua intenção clara de se manter submisso aos desejos do capital internacional, sinalizando renegociamento de dívidas externas de águias de rapina como a Alemanha, a garantia de poder àpolícia racista, xenófoba e fascista que oprime dia a dia o povo pobre grego e os imigrantes que vivem nesse país ou mesmo o profundo descaso com as questoes LGBTs.

Em nosso curso, uma idéia ficou clara: não existe via de conciliação que torne possível o fim da superexploração, do genocídio e da colonização de dezenas de países pelo globo.

Como nunca visto por nossa geração, se coloca a nossa frente um momento de decisão histórica. As crises econômica cíclicas do capitalismo abrem as portas para que os revolucionários possam apresentar a revolução como uma alternativa concreta às mazelas do capitalismo.

Aos trabalhadores e àjuventude não falta vontade: em um período de 5 anos contados desde 2008, o povo grego levou adiante 32 greves gerais e 18 tentativas de ocupação do parlamento. Em lugar de aproveitar esse energia para que, de maneira autoorganizada, os trabalhadores ocupem de fato o que é seu por direito, partidos como o Syriza ou o Podemos alimentam ilusões de que o capitalismo pode ser reformado para garantir os direitos arrancados, negando seu total fracasso como sistema na medida em que se baseia no roubo do trabalho e na colonização e escravização de nações inteira.

É preciso desmascarar essa farsa.

E não é assim tão difícil.

Essa juventude, da qual fazem parte aqueles que com seus 15 ou 30 anos, jamais sofreu nenhuma derrota subjetiva como aquela que carregam os corajosos lutadores que ao tentar colocar fim àditaduras militares se viram enganados por governos de coalisão, que mantém até hoje figuras centrais dos governos ditatoriais gerindo espaços destacados de poder político e econômico. Essa juventude é capaz de, com toda sua energia, lembrar a esses heróicos trabalhadores que organizaram greves massivas por todo o Brasil, que sua força ainda existe e que, se aglomerada na força de um só punho é capaz de derrubar de uma vez por todas os alicerces do capital.

Em nosso curso, vimos a frente o período histórico que nos abre, e nos apaixonamos por ele. Reconhecemos nossas dificuldades e as trazidas por esse período, e consciente de todas elas, decidimos seguir nos organizando e demonstrar uma alternativa de organização que diga com todas as letras que não sucumbimos aos capitalistas, pois não queremos seguir sendo os escravos assalariados que garantem as vidas de luxo dessa burguesia parasita e desumana que se alimenta de nossa carne.

Negamos o pagamento de qualquer dívida, interna ou externa. Negamos os cortes de financiamento àsaúde, àeducação, àmoradia e ao transporte. Negamos a privatização de nosso bem mais essencial que é a água. Exigimos que tudo o que consumimos seja estatizado e controlado por nós, usuários e trabalhadores de todos os serviços. Exigimos a retirada integral e irrestrita da burguesia de todos os espaços de controle, e sabemos que, unidos jovens e trabalhadores com uma estratégia revolucionária, somos capazes de ocupar esses espaços e dar ao mundo o destino que nos for melhor.

Queremos, lado a lado com aqueles jovens que despertam para a vida política e vem a estratégia reformista como alternativa, convencê-los de que nenhum de nossos direitos está garantido quando permitimos a existência dessa classe de malignos donos de terras, indústrias e bancos.

Vimos que a história se abriu para novas transformações, e que o futuro está em aberto. Jovens e trabalhadores estão em maior número, e tudo o que querem é viver. Por isso, sabemos que esse futuro em aberto nos pertence. O futuro é nosso. Podemos sofrer a mais dura derrota, e como nossos pais vermos nossos filhos serem novamente engolidos pela ideologia racista, machista e privatista imposta pela burguesia. Ou podemos colocar toda a nossa energia para alcançar a mais merecida vitória sobre essa parasita, e garantir o fim da exploração e a vida mais plena para o conjunto da humanidade.

Pelo ontem, para o hoje e pelo amanhã, decidimos pela segunda alternativa, e sabemos que o futuro está em nossas mãos.

Por uma juventude revolucionária!

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