Internacional

XII CONGRESSO DO PTS

Uma juventude de alto nível na Conferência da Juventude do PTS

21 Dec 2011   |   comentários

Faculdade de Filosofia e o Colégio de Sociais (MT), UBA

Mais de cem delegados reuniram-se quase dois meses depois daquela Conferência de fundação da Juventude do PTS. Muitas caras novas, muitas experiências e avanços no trabalho de colocar de pé uma juventude trabalhadora, estudantil, militante, revolucionária e internacionalista. Dez meses de organização em nossos locais de trabalho e estudo. Discutimos com jovens de distintas opiniões. Alguns compreendem cada vez mais a necessidade de se organizarem frente a esta situação. Outros rompem com suas ilusões neste governo, evidenciando cada vez mais seu giro a direita, e também os milhares que apoiaram em seu momento a FIT e hoje vêem que não basta só o voto, mas é preciso cumprir um papel ativo nos combates que estão por vir. E nós, que somos parte desta juventude que não se conforma, nos colocamos nesta conferência com um objetivo mais que ambicioso: chegar aos mais de 600.000 trabalhadores e estudantes que nos deram seus votos nacionalmente e os outros milhares que nos apoiaram nas eleições universitárias, organizando frações do movimento estudantil que se alie aos trabalhadores para dar uma resposta operária e socialista a esta crise histórica. Como disse Leon Trotsky: “Sem uma organização dirigente, a energia das massas se dissipa, como se dissipa o vapor no conteúdo de uma caldeira. Mas, seja como for, o que impulsiona o movimento não é a caldeira nem o pistão, mas o vapor†. Para confluir com esse vapor se prepara a Juventude do PTS.


Noel, referência estudantil da luta dos secundaristas do ano passado em Córdoba.

Na cidade universitária da UBA se construiu durante anos um muro que a separa da realidade, formando os profissionais das mega empresas. A Juventude do PTS tem o mérito de começar a questioná-lo, para quebrá-lo e estender uma aliança com os trabalhadores. Organizamos um setor de estudantes que começou a fazer uma experiência com os jovens trabalhadores do parque aéreo. Trabalhadores com raiva contida pelas jornadas extenuantes, salários pobres, contratos ruins, que tem como patrões os “bons meninos†de La Cámpora que fazem carreira no estado.

Demos passos em uma organização comum entre estudantes e trabalhadores da corrente Nuestra Lucha, que vem construindo os delegados combativos de LAN desde a agrupação “El despegue†, e setores que começam a dizer basta ao ataque de Cristina Fernández àorganização dos trabalhadores. Estes ataques do governo reafirmam as tarefas que devemos tomar desde a juventude: construir um partido revolucionário forte nos setores chave da economia para enfrentar os capitalistas.

A conferência foi muito política e muito emocionante, conseguimos um espaço para discutir fraternalmente nossos acertos, erros e desafios. Queremos construir uma juventude de milhares de jovens que começam a ver com bons olhos as idéias dos revolucionários para a crise que vem pela frente. Aqui, enquanto os “alegres†jovens k louvam CFK, festejando seu discurso anti-operário, nós discutimos e nos organizamos com muita moral e militância para defender nossos direitos de manifestação, e contra os ataques a nossos salários e a nossa educação, nos preparamos para quando as ilusões k caiam das mãos do governo e cada vez mais jovens queiram escutar o grito de luta do trotskismo, estudantes e trabalhadores unidos, tomando os legados dos heróicos trotskistas revolucionários, levantando-o nas fábricas e universidades para lutar nas ruas... Não revisamos a história, a continuamos para transformá-la.


Secundaristas de La Plata

Foi uma experiência muito enriquecedora para minha curta vida militante. Principalmente me nutriu muito o aporte que deram os companheiros dirigentes de longa militância revolucionária. Esta grande experiência adquirida nesses poucos dias penso em utilizá-las no trabalho com secundaristas, onde temos que organizar dezenas de companheiros e companheiras.


Jovens trabalhadores de La Plata

Tomo como um ponto importante o debate sobre internacionalismo, para pensarmos como uma classe sem fronteiras. Isso nos ajuda a romper com o patriotismo e as divisões políticas que nos impõe a burguesia, enquanto as nações imperialistas têm sistemas de economia, de governos, militares que oprimem o mundo. E é preciso saber disso para pensar o momento de crise que está aberto e para intervir como grupo internacional. A partir daí, serviu o debate sobre a intervenção de nossos grupos irmãos, por exemplo, no Chile e no Brasil.


Andrés “Chaplin†Blanco, dirigente do Sindicato Ceramista e do PTS

O primeiro balanço tem a ver com meus dois anos como parte do Comitê Central, que me permitiu sem dúvidas, aprofundar o quanto é importante a centralidade das discussões e o nível de análise que requer uma organização que se propõe dirigir a revolução.

Parece-me necessário destacar a qualidade das intervenções, o caráter democrático, e por sua vez, as debilidades que devemos refletir para poder enfrentar esta nova etapa onde se viu claramente uma juventude muito dinâmica que é chamada a cumprir um papel central.


Emiliano - equipe de Juventude Trabalhadora Rosário

A Conferência da Juventude e as grandes discussões do Congresso do PTS serviram para “abrir nossas cabeças†para pensar mais em “chave política†, a nos formarmos mais como dirigente integral, construir-nos em todas as partes, combatendo dia a dia um governo que gira àdireita e prepara ataques, mas também a uma oposição como a de Binner, amiga dos empresários da soja, e inimiga dos interesses dos trabalhadores e da juventude.


Marcelo, delegado do PTS-Chubut

Para o PTS e a Juventude do PTS, Chubut foi nossa primeira experiência desse tipo, já que começamos a abertura de nossa regional no ano passado e viemos de um ano com um saldo positivo no que diz respeito a nossa construção política, sendo parte ativa em nível local, das lutas que se deram nas universidades, levando nossa solidariedade em duas oportunidades aos trabalhadores docentes e petroleiros de Santa Cruz, impulsionando um fundo de greve para os primeiros, participando nos comícios nacionais onde fomos parte da grande eleição da FIT, superando também em Chubut o piso prescritivo de 1,5% e conseguindo mais de 5.000 votos em outubro.


Augusto – Ferroviário da chapa “Bordó†da Roca

Justo quando discutimos a situação nacional, Cristina reassumia a presidência e se lançava em seu discurso contra o movimento operário, distorcendo a história ocorrida durante o primeiro governo peronista: 1950 e 1951 houve uma grande greve ferroviária, é mentira que não houve greves! O governo sabe que anos difíceis virão, não faltarão lutas. Mas é uma novidade importante que por meio da FIT o PTS se fez muito mais conhecido para centenas de milhares de famílias operárias, o que demonstra que não há uma barreira intransponível entre a esquerda e a classe operária, isso tem que nos dar impulso para lutar com tudo pela construção de um partido revolucionário de trabalhadores na Argentina.

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