Mulher

LUTAR CONTRA A VIOLÊNCIA ÀS MULHERES

Uma bandeira do conjunto da classe trabalhadora

21 Nov 2008 | Convocamos todos, ao lado dos companheiros e companheiras da Conlutas o ato contra a violência à s mulheres, no sábado, dia 29/12 à s 10h. Concentração na Praça Osvaldo Cruz (próx. ao metrô Paraíso).   |   comentários

A violência tem se convertido numa das principais causas de mortes de mulheres a nível mundial. Essa semana vimos o escandaloso caso de Rachel, 9 anos e Alessandra, 8, ambas estupradas e assassinadas no Paraná. Também na Espanha uma brasileira foi morta com facadas por seu ex-marido. E lembremos do caso de Eloá, assassinada há cerca de um mês. Isso sem falar nas mulheres estupradas e assassinadas nas guerras como a do Iraque ou Afeganistão e mortas na ocupação militar do Haiti.

Esses assassinatos são o ápice de uma grande cadeia de variadas formas de violência: estupros, espancamentos, desprezo, humilhação... Todos esses casos são muito mais habituais do que possamos imaginar, e na maioria das vezes, permanecem ocultos. Essa violência é tão antiga, que se naturalizou; é tão recorrente e cotidiana, que se tornou invisível; é tão cruel e sistemática, que parece quase impossível se enfrentar e acabar com ela... assim é a violência que se exerce sobre nós mulheres.

A sociedade capitalista, além disso, nos reserva outras formas de agressão como a repressão policial, a subordinação imposta pela Igreja, a proibição de direitos como o direito ao aborto legal, o salário menor pelo mesmo serviço, o assédio sexual e moral dos patrões, chefes e gerentes que acham que somos sua propriedade, a escravidão das trabalhadoras imigrantes, o sequestro de mulheres pelas redes de prostituição, a utilização da imagem da mulher como um objeto sexual para o desfrute de terceiros... É necessário entender porque o capitalismo só pode fornecer esse cenário aterrorizante para as mulheres.

Propriedade privada e opressão da mulher

Já sabemos que a opressão da mulher não se origina com o capitalismo, e sim muito antes de seu surgimento, entretanto esse sistema soube utilizar-se da opressão às mulheres para reforçar sua exploração. Mas afinal, qual é a relação que existe entre esse aberrante fenómeno de violência contra as mulheres e a manutenção de um sistema que encontra seu fundamento na exploração de milhões de seres humanos em benefício de um punhado de capitalistas?

Nós marxistas revolucionárias, dizemos que a existência da propriedade privada, defendida através da violência pela classe dominante, contra todos os explorados, condenou as mulheres a serem um grupo subordinado socialmente. Há gente que acredita que essa violência se reduz a determinados “setores sociais†, que seus executores devem ser considerados como “doentes†ou “loucos†, que as vítimas devem ter feito “algo†pra lhes ocorrer isso... mas o fato é que nenhum desses casos acontece isoladamente: essa violência acontece numa sociedade onde ocupamos um papel subordinado, pois temos que garantir o trabalho socialmente necessário (alimentação, vestimenta, cuidado com filhos e idosos) para manter a força de trabalho de nossa família, nos obrigando a viver uma dupla jornada de trabalho. E somos consideradas um mero objeto sexual, reprodutoras, incapazes e inferiores, com menores direitos e liberdades de escolha. Ou seja, a violência contra as mulheres se origina, se sustenta, se justifica e se legitima na desigualdade socialmente construída entre os gêneros e entre as classes.

Toda essa desigualdade não é natural, biológica e nem hereditária, mas faz com que esteja profundamente arraigada na sociedade a idéia de que as mulheres são propriedades dos homens, primeiro do pai, depois do marido, algumas de Deus, outras de todos os homens... porém nunca autónomas. Por isso, mais que uma repentina “perda de controle†por parte do homem que exerce essa violência contra a mulher, a mesma é expressão do mais alto grau de controle e dominação que se possa exercer sobre uma pessoa.

Basta de violência contra as mulheres!

Quando uma mulher é violentada e humilhada os pilares da classe dominante se fortalecem, enfraquecendo nossa luta, porque essa mulher perde a confiança em suas próprias forças, retrocedendo também o horizonte da liberação de todos os explorados. A saída contra tanta violência, portanto, não é individual. Para terminar com a milenar opressão contra a mulher, da qual o capitalismo se utilizou para seguir exercendo seu domínio, temos que nos organizar, ao lado de nossos companheiros para acabar com esse sistema de exploração. Nenhuma ilusão, portanto, no Governo de Lula, que salva os capitalistas da crise financeira e não se preocupa com a situação das mulheres, sobretudo das trabalhadoras. É preciso que as mulheres, ao lado da classe trabalhadora tenham independência política e por isso chamamos a juventude, as organizações de direitos humanos, populares e de esquerda, em especial a Conlutas, a impulsionar uma grande campanha contra a violência às mulheres!

Diana Assunção é integrante do Núcleo Pão e Rosas

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