Movimento Operário

Uma assembleia no mínimo incomum

10 Dec 2014   |   comentários

A associação dos bancários da Caixa convoca. Não se trata dos direitos dos trabalhadores, mas da venda de ações de uma corretora de seguros.

A Associação dos Funcionários da Caixa Econômica Federal (Apcef) de São Paulo está convocando seus associados para uma assembleia diferente. Não se trata dos direitos dos trabalhadores, mas da venda de ações de uma corretora de seguros. Essa assembleia, em pleno sábado de manhã, vai passar desapercebida da maioria dos bancários da Caixa. Nem por isso deixa de ser simbólica, por mostrar a quantas anda o sindicalismo bancário do PT.

As associações da Caixa, que representam os funcionários, são donas de uma empresa que faz negócios de seguro, a PAR. A assembleia em questão vai votar uma oferta de ações deste grupo. Em 2012 a PAR se transformou em uma sociedade anônima (de capital fechado) controlada majoritariamente pelas associações, mas com participação do fundo de investimentos GP. Seu lucro nos primeiros nove meses de 2014 foi de 61 milhões de reais.

Esse valor é apenas um trocado, se comparado ao lucro da seguradora Caixa Seguros. Em 2013 teve lucro de 1,4 bilhão de reais. Apesar de todo o discurso eleitoral do PT, está empresa que vende seguro nas agências da Caixa é controlada pelo grupo francês CNP Assurances desde 2001 e nunca foi questionada pelo PT. Ao contrário, o foco em negócios e vendas é cada vez maior nas agências das Caixa, mesmo que seja em detrimento das pessoas que vão sacar seus benefícios sociais, seguro-desemprego, FGTS, bolsa família, que só a Caixa paga.

Dentro do sindicalismo bancário petista, as associações e sua empresa de corretagem são apenas um prêmio de consolação. Os postos mais disputados estão na direção dos fundos de pensão e na direção do sindicato, para depois tentar voos mais altos. Ricardo Berzoini, ex ministro da previdência responsável pela reforma de 2003 que retirou direitos dos funcionários públicos e João Vaccari Neto, atual tesoureiro do PT, são dois ex presidentes do sindicato dos bancários de São Paulo, que assumiram postos-chave na administração petista. Como administradores, os petistas costumar fazer o contrário do que discursavam. Nas privatizações do FHC, o PT falava contra no sindicato, mas defendia aplicar o dinheiro dos fundos de pensão nas empresas privatizadas. Mais recentemente, em 2012, por exemplo, Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) Petros (da Petrobras) e Funcef (da Caixa), foram ativos nos leilões em parceria com a Odebrecht.

Esse é um sindicalismo bem ao gosto dos empresários e banqueiros. Já está na hora de nos organizarmos para retomar as organizações sindicais para as mãos dos trabalhadores.

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