Sábado 20 de Julho de 2019

Internacional

ARGENTINA

Um revés para os genocidas

04 Nov 2011   |   comentários

Emoção, lágrimas e abraços inundaram os sobreviventes, familiares, amigos e organismos de direitos humanos. Depois de 22 meses, o Tribunal Oral Federal Nº 5 condenou 16 dos 18 repressores julgados por seqüestros, torturas, desaparecimentos e assassinatos de 86 companheiros desaparecidos. Sem dúvida, uma grande conquista produto da luta e mobilização histórica do movimento dos Direitos Humanos. O PTS e o CeProDH estavam presentes nas portas de Comodoro Py com uma delegação.

Christian Castillo esteve numa das salas onde testemunhas de acusação e familiares acompanhavam a audiência. Nossa delegação gritou contra os genocidas assim como em coro gritávamos “Julio López e Mariano Ferreira presentes†, para surpresa dos grupos K, entre os quais estavam A Campora, o Evita, A Juventude Sindical de Facundo Moyano e a CTA Yasky, mais outras delegações do MTL, CTA Micheli, MST- Projeto Sul e PCR.

Dentro da sala, repleta de militantes, de mães, filhos, familiares, sobreviventes, amigos, além de algum figurão desagradável como Aníbal Ibarra, a longa espera e a ansiedade não davam trégua. Finalmente, depois de quase três horas de espera, apareceram os membros do tribunal e o desfile de genocidas provocou insultos e assobios. Logo, um silêncio atento a cada palavra do Juiz Daniel Obligado que lia o veredicto. As expressões contidas de felicidade ante cada condenação a prisão perpetua, a inquietação ante as condenações há 18 anos e finalmente a bofetada gelada que foi as absolvições. Corriam lágrimas, abraços e o compromisso de que vamos recorrer destas decisões. Mas definitivamente, se tratou de uma pequena revanche, o castigo conseguido com a luta sem paz, por todos os companheiros desaparecidos, por todos os sobreviventes e os familiares: Alfredo Astiz, Jorge “Tigre†Acosta, Ricardo Cavallo, Antonio Montes, Antonio Pernías, Raúl Scheller, Jorge Rádice, Alberto González, Néstor Savio, Adolfo Donda, Julio Coronel e Ernesto Weber foram condenados a prisão perpetua. Manuel García Tallada e Juan Fotea foram sentenciados a 25 anos, enquanto que Carlos Capdevilla e Juan Azic receberam una pena de 20 e 18 anos respectivamente, e escandalosamente Juan Rolón e Pablo García Velazco foram absolvidos. Este julgamento se dá no marco do primeiro tramo da mega causa ESMA, o maior centro clandestino de detenção durante a última ditadura militar, por onde passaram mais de 5.000 companheiros desaparecidos.

Mediante este tipo de julgamento, sobreviventes, amigos e familiares se vêm obrigados a testemunhar uma infinidade de vezes, expondo desnecessariamente suas próprias vidas e revivendo uma e outra vez os traumas mais dolorosos e sangrentos, enquanto o mesmo Estado que impulsionou o terrorismo desses grupos de extermínio continua liberado de toda investigação a favor dos repressores.

Apenas no final do julgamento o que se passava dentro do tribunal foi televisionado, as instancias da Corte Suprema. As testemunhas de acusação denunciaram a política restritiva da Justiça, opondo-se a transmitir os julgamentos pela televisão, negando assim o direito àinformação.

Durante o discurso de Myriam Bregman e Luis Bonomi exigiram também a abertura dos arquivos da repressão, de todos os repressores que atuaram em cada campo, para dar o destino das vítimas e das crianças que sendo já adultos continuam nas mãos de seus apropriadores. Chegamos ao final desse julgamento ratificando a certeza de que, as Forças Armadas não atuaram por iniciativa própria, mas também contaram com a benção da hierarquia da Igreja católica e o apoio dos grandes empresários, que orquestraram as linhas mestras do plano genocida, os mesmos que hoje junto ao governo processam os movimentos sociais e mantêm mais de 4.000 companheiros processados por lutar.

Desde que foram anuladas as leis de impunidade apenas 196 genocidas foram condenados (sendo 41 absolvidos), uma cifra absurda com julgamentos a conta-gotas, sendo que funcionaram mais de 500 centros clandestinos de detenção. É necessário redobrar esforços com a mobilização nas ruas para punir a todos os genocidas por todos os companheiros.

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