Domingo 21 de Julho de 2019

Movimento Operário

Greve dos Correios

Um “ar fresco†que pode oxigenar as lutas operárias

20 Sep 2007   |   comentários

Em assembléia no dia 12 de setembro, os trabalhadores dos Correios (cerca de 105 mil no país, sendo 50 mil carteiros), em 22 estados e no Distrito Federal decretaram greve por tempo indeterminado, rejeitando a proposta da empresa estatal que oferecia reajuste de 3,74%, R$ 50,00 de aumento real a partir de janeiro de 2008 e um abono de R$ 400,00, em duas parcelas. Os ecetistas reivindicam 47,77% de reposição das perdas salariais de 1994 a 2007, R$ 200,00 de aumento real. Dos 33 sindicatos da Federação Nacional apenas cinco não decretaram greve.

Em São Paulo, os ecetistas com seus uniformes amarelo e azul retomaram a Praça da Sé, fazendo reavivar as grandes lutas desses trabalhadores na década de 1980 e início dos anos 90. Na assembléia que decretou a greve havia mais de 5 mil trabalhadores, como informa o sindicato, trazendo ar fresco nestes tempos de clima seco e pouca luta de classes.

Vários grevistas destacam que esta greve está forte e se compara àde 1994, pois durante a gestão da direção sindical PT-PCdoB, e pior ainda nos tempos de governo Lula, as campanhas salariais eram boicotadas por esses sindicalistas governistas que negociavam migalhas. A empresa foi entregue por Lula ao PMDB de Renan Calheiros, e tem sido uma fonte de negociatas e roubalheira para os políticos, os bancos e as empresas capitalistas. Enquanto os carteiros recebem R$ 500,00 os chefes, gerentes e cargos de comissão têm salários que passam de R$ 20 mil. Este é um retrato fiel do que significa o governo de Lula, do PT, PCdoB e sindicalistas da CUT: tudo para os exploradores, miséria para os que tudo produzem.

A greve dos Correios mostra a disposição combativa dos trabalhadores nas campanhas salariais deste segundo semestre. Como dizem os companheiros do MTC (Movimento de Trabalhadores Classistas) dos Correios é necessário parar tudo; pela unidade dos trabalhadores dos Correios num comando de greve a partir das unidades e dos piquetes para que os lutadores controlem a greve e imponham seus métodos combativos contra as manobras traidoras da direção sindical governista do PCdoB-PT (CUT), aproveitando a força dos ecetistas para impor um programa de reivindicações que não seja de migalhas, começando por exigir um salário digno, de acordo com o calculado pelo Dieese (em agosto, a R$ 1.733,88, em agosto), pois este é o mínimo necessário para enfrentar os altos preços e atender as necessidades de uma família operária. E isso não é “sonho impossível†, como querem fazer crer os sindicalistas pelegos, pois se cada um dos 50 mil carteiros passasse a ganhar o mínimo do Dieese os Correios gastariam R$ 86.694.000,00, apenas 16% dos R$ 526,9 milhões que lucro em 2006 (www.aicep.pt/index).

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