Juventude

Um acervo de ataques àpermanência estudantil

24 Feb 2015   |   comentários

2015 começa com diversos ataques aos trabalhadores e estudantes, um dos mais escandalosos é a contaminação da biblioteca da FFLCH

Seguindo o que vinha acontecendo já desde o ano passado, 2015 começou com diversos ataques da reitoria da USP aos estudantes e trabalhadores. Dentre esses ataques, um dos mais escandalosos é o caso de contaminação na Biblioteca Florestan Fernandes da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).

O diclorodifeniltricloroetano, mais conhecido como DDT, é um pesticida altamente cancerígeno, de fácil propagação no ar e que é proibido no Brasil desde 2009. Além do DDT, há o DDE e o DDD, que oferecem os mesmos riscos a saúde humana. Há um ano foi descoberta a contaminação de uma parte do acervo da biblioteca devido a diversos sintomas de contaminação que surgiram dentre os funcionários. E durante todo esse tempo, mesmo com inúmeras tentativas de diálogo por parte dos trabalhadores, a direção da biblioteca e da FFLCH se negaram a tomar qualquer medida para garantir a saúde dos funcionários e usuários da biblioteca. E depois de todo esse tempo sendo enrolados, perseguidos e assediados, os funcionários da biblioteca resolveram dar um basta àsituação e paralisarão suas atividades a partir do dia 23/02 por uma demanda mínima, que a diretoria da FFLCH se recusa a levar a frente, que é a simples retirada da parte contaminada do acervo.

O ataque àbiblioteca é um ataque àpermanência estudantil

Tal como está escancarado agora na FFLCH, na EACH a burocracia da USP também demonstra que não está nem um pouco preocupada com os estudantes e trabalhadores, mas se preocupa somente com seus privilégios e super salários. Além da contaminação do campus, que foi reaberto sem nenhuma segurança aos funcionários, estudantes e docentes, agora os espaços de vivência da EACH também estão sendo retirados dos estudantes e os Centros Acadêmicos não estão sendo reconhecidos. O reitor Zago e todos os outros grandes burocratas da USP passam longe de demonstrar qualquer consideração com os estudantes e com toda a comunidade do entorno. Isso se provou mais uma vez quando já no início deste ano divulgaram o cancelamento das matrículas de vagas nas creches, que restaurantes seriam fechados e que estudantes seriam retirados do alojamento do CRUSP (Conjunto Residencial da USP). Sem falar do PDV (Programa de Demissão Voluntária) e a proibição de contratação de novos funcionários, que é responsável pela demissão de mais de 1400 trabalhadores da USP, que tem sobrecarregado os que ficam e prejudicado serviços fundamentais aos estudantes e a população da região, como o do HU (Hospital Universitário), levando a uma superlotação insustentável.

Todos esses são ataques inaceitáveis! Os poucos dentre os filhos da classe trabalhadora e da juventude periférica que conseguem furar o filtro racial e social do vestibular têm dificuldade de se manter na universidade justamente por uma política cada vez maior de cortes implementada pelos reitores da USP há vários anos, sempre ligados às políticas do governo do PSDB em São Paulo. E o ataque àeducação também se estende ao nível federal, pois o governo de Dilma Rousseff já anunciou cortes no ministério da Educação, o que atinge diretamente as universidades federais.

O que fazer agora?

Sem as vagas nas creches, diversas mães ficam sem opção de onde deixar seus filhos. Com restaurantes fechados, as condições de trabalho dos funcionários pioram e as filas do bandejão vão ficar cada vez maiores. Diversos estudantes precisam de moradia e não conseguem vagas, mesmo assim o movimento da reitoria é retirar estudantes do alojamento do CRUSP.

Com a situação de contaminação da Biblioteca da FFLCH, não apenas milhares de estudantes, professores e funcionários, correm risco de saúde, como os estudantes mais pobres, que não tem dinheiro para tirar xerox ou comprar livros, terão suas condições de estudo prejudicadas, apenas porque a diretoria e reitoria seguem intransigentes.

Está claro que a reitoria da USP e as diretorias das unidades somente atacam as condições de permanência para cada vez mais fechar a USP e elitizá-la. A alternativa a isso é a nossa aliança com os trabalhadores da universidade, que ano passado protagonizaram uma greve vitoriosa contra os desmandos do reitor Zago.

É indispensável que os estudantes entendam que, como parte da orientação nacional de todos os governos, é na educação que virão os cortes mais profundos. Isto já se pode ver no corte de verba das universidades federais, que tem levado a fechamento de museus, paralisação de pesquisas e atraso em salário de terceirizados e corte no repasse de verba federal para os Estados.

Na USP, lutar contra a contaminação e pelo atendimento imediato da reivindicação dos trabalhadores de higienização da biblioteca e de transferirem o acervo para outro local, é parte de lutar para que, neste começo de ano, a permanência estudantil (moradia, bolsas, bibliotecas, restaurantes universitários etc) não seja ainda mais atacada e, assim, lado a lado com os trabalhadores, possamos impedir que seja imposto um segundo filtro social na Universidade, além do vestibular, contra a juventude trabalhadora, pobre, negra e da periferia.

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