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Ucrânia: acordo de cessar-fogo antes da cúpula de Minsk

11 Feb 2015 | A Ucrânia e os separatistas pró-russos fecharam durante a noite de terça-feira (10) um acordo de cessar-fogo provisório e um mecanismo para sua supervisão no conflito no leste, antes das negociações que acontecerão em Minsk nesta quarta. Na cúpula participarão mandatários da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia, em uma negociação in extremis.   |   comentários

A Ucrânia e os separatistas pró-russos fecharam durante a noite de terça-feira (10) um acordo de cessar-fogo provisório e um mecanismo para sua supervisão no conflito no leste, antes das negociações que acontecerão em Minsk nesta quarta. Na cúpula participarão mandatários da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia, em uma negociação in extremis.

As partes também aceitaram a retirada do armamento pesado e abordaram o status das regiões de Donetsk e Lugansk – que se proclamaram como repúblicas autônomas de Kiev – assim como a celebração de eleições locais nas zonas rebeldes, segundo detalharam fontes que pediram o anonimato citadas por TASS.

As consultas começaram com várias horas de atraso devido àchuva de mísseis que se abateu hoje sobre a cidade de Kramatorsk, na região de Donetsk, que causou quinze mortos segundo os últimos dados.

As consultas entre os representantes de Kiev, os separatistas pró-rusos e os mediadores da Rússia e da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), o chamado Grupo de Contato, são consideradas chave às portas da cúpula de amanhã entre Ucrânia, Rússia, Alemanha e França.

Na terça-feira, Obama telefonou para Putin para pressionar por um acordo na Ucrânia, depois que Ângela Merkel visitou a Casa Branca e remarcou as diferenças com a possibilidade de que os Estados Unidos envie armas àKiev.

O ex-presidente da Ucrânia Leonid Kuchmá, o embaixador russo para Kiev, Mijaíl Zurábov, e a representante da OSCE, Heidi Tagliavini, não deram nenhuma declaração aos jornalistas que aguardavam às portas da Casa de Recepções da Chancelaria bielorrussa na terça-feira ànoite, apesar da temperatura gélida, mostrando que as negociações estão por um fio.

A sombra do último bombardeio em Kramatorsk, um antigo bastião dos rebeldes pró-rusos tomado pelo Exército Ucraniano em meados de 2014, passou sobre as negociações, como constatação de que os dois grupos enfrentados no leste da Ucrânia tratam de avançar o máximo possível em suas posições sobre o terreno.

O presidente ucraniano, Petró Poroshenko, acusou os rebeldes de atacar a sede do Estado Maior das forças governamentais em Kramatorsk, e os rebeldes negaram a autoria do ataque, que atribuíram a uma provocação de Kiev.

No momento não se sabe se ambas partes combinaram a linha de separação de forças e a zona desmilitarizada de que se deve retirar a artilharia de grosso calibre tanto das forças governamentais como das milícias insurgentes.

Os separatistas adiantaram que não dariam "nem um passo atrás" no que se refere ao traçado de uma linha de separação de forças, a semente da discórdia entre ambos grupos.

As milícias separatistas recuperaram centenas de quilômetros quadrados de território graças a uma forte ofensiva desde o começo do ano, conquistas que Kiev não reconhece, exigindo um retorno àlinha do frente de batalha referente àsetembro de 2014, quando foram assinados os acordos de paz de Minsk.

Kiev demanda o controle da fronteira russo-ucraniana, da qual vários setores estão sob controle separatista, e o acontecimento de eleições nas zonas rebeldes de acordo com a legislação ucraniana.

Poroshenko disse que espera que a cúpula, com os mandatários da Rússia, Vladimir Putin, França, Francois Hollande, e a chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, seja produtiva para conseguir uma solução duradoura para o conflito, que começou em fevereiro de 2014 com a queda de Yanukóvich e explodiu em abril deste ano com o começo da guerra civil no leste.

O ministro espanhol do Exterior, José Manuel García-Margallo, de visita hoje em Kiev, também assegurou que a cúpula de amanhã em Minsk é "uma das últimas oportunidades para a paz", depois de reunir-se com Poroshenko.

Ao referir-se ao plano de paz franco-alemão, Poroshenko advertiu no fim de semana passado que o leste da Ucrânia não precisa de forças de pacificação nem de um congelamento do conflito, já que isso impediria o acerto político da crise. Algo que entra em contradição com as propostas que vêm apresentando Alemanha e França, e que faz com que as negociações in extremis sigam penduradas por um fio, que pode romper-se ao menor movimento.

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