Teoria

Trotski e a tradição revolucionária

07 Sep 2014   |   comentários

Em seus mais de 150 anos de História, a classe operária mundial tem em León Trotski um de seus mais importantes dirigentes e uma de suas mais importantes tradições. A transformação do mundo pelas mãos do proletariado anunciada por Marx e Engels no Manifesto Comunista, foi a tarefa do momento para Trotski, que junto a Lenin, foi o mais importante teórico e estrategista marxista do século XX. Foram juntos os principais líderes da mais grandiosa (...)

Em seus mais de 150 anos de História, a classe operária mundial tem em León Trotski um de seus mais importantes dirigentes e uma de suas mais importantes tradições. A transformação do mundo pelas mãos do proletariado anunciada por Marx e Engels no Manifesto Comunista, foi a tarefa do momento para Trotski, que junto a Lenin, foi o mais importante teórico e estrategista marxista do século XX. Foram juntos os principais líderes da mais grandiosa atividade da classe operária em sua História, a Revolução Russa de 1917, onde organizou também o exército vermelho e foi o general inquestionável.

A vida pessoal de Trotski estava de tal maneira ligada àRevolução, e dela inseparável, que o curso e os feitos da primeira metade do século XX descrevem sua própria biografia.

Uma vida a serviço da organização e triunfo da classe operária

Com apenas 18 anos, Trotski fundaria sua primeira organização operária, o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia, que reunia círculos de trabalhadores para discutirem os acontecimentos da época e os jornais clandestinos da social democracia. Em seu primeiro exílio, na Sibéria, iria rapidamente se tornar dirigente da União Siberiana Social Democrata onde se reuniam amplos círculos de exilados políticos.
E assim nunca mais parou. Sempre aprofundando na teoria marxista, Trotski rapidamente começou a escrever para revistas teóricas, de literatura e de política, e por toda a vida criou e escreveu em diversos jornais revolucionários.

Na primeira revolução, a Revolução Russa de 1905, Trotski tornou-se presidente do primeiro soviet de Petrogrado. Tratava-se de uma primeira experiência da mais importante forma de auto-organização na história da classe operária. O soviet era uma espécie de conselho operário, que reunia representantes da classe por locais de trabalho, por regiões, bairros, por organizações operárias, que se tornaria, adiante, não só um organismo de frente única dos trabalhadores, onde as diversas posições políticas se expressavam, mas também logo se desenvolveria como um poder paralelo ao Estado dominado pela burguesia. Ou seja, era o ensaio mais avançado do que viria a ser o poder operário, a tomada do Estado pelos operários.

Quando eclode a Primeira Guerra Mundial, em 1914, Trotski é parte dos marxistas que denunciaram o caráter dessa guerra, dizendo que ela nada tinha a ver com os interesses dos trabalhadores de cada país, mas sim que era uma Guerra que disputava o poder, a hegemonia e o domínio do mundo entre as principais potências imperialistas (Inglaterra, França, Alemanha, Estados Unidos etc). Denunciavam que para esses interesses, cada país usava do sangue de seus operários e camponeses no front de batalha. Daí surgiu a necessidade da construção de uma nova Internacional dos trabalhadores, que seria coroada com o surgimento da III Internacional, a Internacional Comunista em 1919, da qual Trotski foi um dos principais fundadores, junto a Lenin, e um dos seus principais dirigentes antes de sua burocratização nas mãos de Stálin.

O maior legado teórico e estratégico de Trotski na construção da revolução russa e internacional, foi sem dúvida condensada na sua Teoria da Revolução Permanente, que previa toda a dinâmica da revolução na Rússia e mais tarde para toda a revolução internacional, incluindo países atrasados, as potências imperialistas e mais tarde os Estados operários degenerados, e as relações recíprocas entre eles.
Previa que a revolução não precisaria passar pelos caminhos da revolução burguesa clássica, mas sim que fase imperialista saltava a etapa democrático-burguesa da revolução, que só poderia ser cumprida com a construção do poder operário, no qual estas tarefas se ligariam diretamente às tarefas da classe operária, que se desenvolvem em conexão com o desdobrar da revolução no plano internacional.

A luta contra a passagem das organizações operárias para o outro lado da trincheira

Todos esses grandes feitos já fariam de Trotski e do trotskismo uma das mais importantes tradições do movimento operário mundial, sem sombra de dúvidas. Mas os anos da burocratização stalinista da União Soviética, com a construção da Oposição de Esquerda, não só fizeram do trotskismo uma importante tradição do movimento operário, como o transformou na única continuidade revolucionária do marxismo no século XX.

Hoje, há 74 anos da morte de Trotsky, quando pensamos no PT brasileiro e na CUT, por exemplo, devemos sim ou sim beber da fonte do revolucionário russo, que dedicou seus últimos anos de vida ao combate àburocracia stalinista.

Com a morte de Lenin e a subida de Stálin ao poder no partido bolchevique (naquele momento já Partido Comunista da União Soviética) e na Unisão Soviética, a Revolução Russa passa por uma grande transformação em seu próprio interior. A ditadura do proletariado contra a classe burguesa e seus esforços de voltar ao capitalismo, vai se transformando aos poucos em ditadura burocrática contra o desenvolvimento do Estado operário [processo ao qual Trotski deu o nome de Termidor em analogia ao Termidor na Revolução Francesa].

Seria Trotsky também o reorganizador da tradição revolucionária da Revolução de Outubro e dos primeiros anos da Internacional Comunista, quando em 1938 funda a IV Internacional, que às portas da Segunda Guerra Mundial pretendia resgatar a tradição do marxismo revolucionário, em oposição àcatástrofe stalinista, para dirigir a revolução mundial que viria com a crise política e social causadas pela guerra.

A tradição revolucionária para os dias atuais

Frente ao reaparecimento dos movimentos de massas em todo o mundo nos últimos anos, e também no Brasil, frente àvolta de greves e importantes lutas operárias pelo mundo, a tradição de Trotski segue como a melhor tradição revolucionária. A luta internacionalista dos trabalhadores; a perspectiva independente de organização dos trabalhadores; o classismo como tradição no movimento operário e sindical; o combate às burocracias sindicais e a auto-organização dos trabalhadores e a necessidade da construção do partido mundial da revolução seguem como a estratégia para a construção do poder operário, para a vitória definitiva dos trabalhadores sobre o capitalismo decadente.

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