Internacional

Trégua na Ucrânia desaparece diante de duros combates

19 Feb 2015   |   comentários

Os rebeldes pró-russos bombardearam nesta terça as tropas do governo empurrando o frágil acordo de paz mais próximo do colapso.

Os rebeldes pró-russos bombardearam nesta terça as tropas do governo cercadas no oeste da Ucrânia, enquanto se estancava um plano para que ambas as partes retirassem seu armamento pesado de combate, empurrando o frágil acordo de paz mais próximo do colapso.

Uma testemunha da Reuters próximo da linha de frente disse que os ataques da artilharia golpearam a localidade de Debaltsevo a cada cinco minutos a pesar da trégua que limitou os combates em muitas zonas desde que entrou em vigor o acordo mediado pela Europa no domingo.

Os rebeldes afirmaram ter capturado partes de Debaltsevo, situada em um estratégico entroncamento ferroviário, e que alguns soldados do governo haviam se rendido, ainda que Kiev negou esta informação.
“Ocorrem duros combates na periferia da cidade e o redor da estação de trem. Porém nossas forças estão mantendo as posições e tem todo o direito de abrir fogo em resposta†, disse o porta-voz militar do governo, Andriy Lysenko.
As esperanças de que o acordo alcançado na última quinta feira possa colocar fim a um conflito em que já morreram mais de 5 mil pessoas sempre foram escassas, pois um avanço rebende em janeiro colocou fim na trégua anterior. Porém a ferocidade dos combates em Debastsevo foi inesperada e aumentou a preocupação em Kiev e nos EUA de que os separatistas e o presidente russo, Vladmir Putin, queiram consolidar os últimos avanços rebeldes antes de que se possa estabelecer a paz.

Caminhões militares e tanques iam e vinham da aldeia de Nikishine, praticamente destruída, enquanto os rebeldes bombardeavam a periferia de Debaltsevo com misseis Grad, artilharia pesada e bombas de morteiro.
Colunas de fumaça se elevavam sobre Debaltsevo, que tinha cerca de 25 mil habitantes em tempos de paz e levou varias semanas sob o fogo dos separatistas pró-russos.
Se esperava que monitores da Organização pela Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) tentaram chegar àcidade assediada, depois que a Alemanha disse que havia acordado passos com os líderes da Rússia e Ucrânia para assegurar que os observadores tenham “acesso livre†no leste do país.
Contudo, um novo chamado de Berlim para o estabelecimento da paz e o começo da retirada das armas pesadas na terça, tal como estava previsto no acordo firmado na quinta na capital bielorrussa de Minsk depois de duras negociações, pareceu ter sido escutada por surdos.
“Não temos direito (de deixar de lutar por Debaltesvo). É um assunto de vida ou morte. É território interno†, disse Denis Pushilin, um destacado representante dos separatistas, enquanto estabelecia o objetivo de “destruir as posições de combate do inimigo†. O líder da região de Lugansk, uma das que estão controladas pelos rebeldes no leste da Ucrânia, disse que os combatentes separatistas haviam começado a retirar seu armamento pesado, porém não havia sinal de que o mesmo ocorria nas zonas que controlam na autoproclamada República Popular de Donetsk. “Não faremos nada unilateralmente. Isso nos transformaria em alvos fáceis†, disse Pushilin a Reuters em Donetsk.
O exército ucraniano reiterou que suas forças tampouco irão retirar suas armas até que haja uma trégua total. “Nas últimas 24 horas tem havido disparos, de modo que não há cessar fogo e portanto não há uma pré-condição para uma retirada das armas pesadas†, afirmou Lysenko.

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