Gênero e Sexualidade

Transformar o repúdio a Eduardo Cunha em mobilização rumo ao 8 de março

13 Feb 2015   |   comentários

As declarações de Eduardo Cunha geraram enorme repúdio nas redes sociais. "No mesmo dia em que ele disse que somente sob seu cadáver se legalizaria o aborto eu criei um evento no Facebook chamando a passar por cima do cadáver de Eduardo Cunha e legalizar o aborto. Para além da ironia que quis passar, as mais de 20 mil confirmações no Facebook mostram que há espaço pra transformar este repúdio em mobilização ativa, construída a partir dos (...)

A entrada de Dilma Roussef no governo do Brasil foi agitada por feministas ligadas ao PT como uma grande vitória das mulheres. Entretanto, já são 4 anos deste governo e o aborto continua ilegal, impondo a morte de milhares de mulheres que em sua maioria são negras, pobres e trabalhadoras. Agora, no segundo mandato, a entrada de Eduardo Cunha e suas declarações recolocam com tudo o tema do aborto no cenário nacional.

Sobre esta situação, Rita Frau do grupo de mulheres Pão e Rosas e da Executiva Nacional do Movimento Mulheres em Luta declarou que: "Já foram 4 anos com uma mulher no poder e o direito aborto continua sendo negado. Muitas feministas diziam que era um recuo tático para eleger a presidente. Entretanto esse recuo tático já dura 4 anos e agora surge na Câmara dos Deputados um novo inimigo desta bandeira histórica das mulheres, que tenta retomar projetos como o Estatuto do Nascituro, mais conhecido como Bolsa estupro. E diante da derrota do PT na disputa entre PT e PMDB pela presidência da Câmara, o ex-presidente Lula já está colocando panos quentes e pedindo que Dilma se acerte com Cunha para levar adiante o ajuste, o que mostra que a tendência é que não haja nenhuma resistência diante destes ataques contra mulheres e homossexuais É hora de retomar com tudo uma campanha contra a morte de milhares de mulheres por abortos clandestinos exigindo o direito ao aborto legal, seguro e gratuito".

As declarações de Eduardo Cunha geraram enorme repúdio nas redes sociais. "No mesmo dia em que ele disse que somente sob seu cadáver se legalizaria o aborto eu criei um evento no Facebook chamando a passar por cima do cadáver de Eduardo Cunha e legalizar o aborto. Para além da ironia que quis passar, as mais de 20 mil confirmações no Facebook mostram que há espaço pra transformar este repúdio em mobilização ativa, construída a partir dos locais de trabalho, estudo e moradia. Considero que a partir deste chamado poderíamos articular nacionalmente atos neste 8 de março que levantem a luta das mulheres contra os ataques e ajustes do governo Dilma, contra a violência que atinge números aterrorizantes em nosso país, mas também recolocar o tema do direito ao aborto com muito peso. Não podemos nos calar, precisamos arrancar este direito."

As reuniões de organização dos atos do 8 de março já vem acontecendo em todo o país. Rita considera fundamental uma unidade da esquerda pra combater a política governista: "A Marcha Mundial de Mulheres está propondo que uma das demandas do 8 de março seja a reforma política. Querem de qualquer forma defender o governo que vem de muito desgaste já que Dilma mentiu de forma deslavada pra população e agora ataca os trabalhadores. Não precisamos desta reforma política do governo, precisamos é enfrentar estes ataques que atingem com muita força as mulheres trabalhadoras e recolocar o tema do direito ao aborto como centro da mobilização pra enfrentar Eduardo Cunha e todos aqueles que querem passar por cima do cadáver de Jandira, Elisângela e tantas mulheres mortas pelos abortos clandestinos e os grandes negócios que lucram com a dor das mulheres†. Rita finalizou dizendo: “Vamos batalhar para que o 8 de março tenha este conteúdo, e achamos que deveria ser um chamado a partir do Movimento Mulheres em Luta e da CSP-Conlutas, organizando a partir dos sindicatos e entidades estudantis e que os parlamentares da esquerda e suas figuras, como Luciana Genro do PSOL, se coloquem a serviço desta luta numa forte unidade da esquerda neste 8 de março".

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