Sábado 20 de Julho de 2019

Movimento Operário

CAMPANHA EM DEFESA DOS OPERÃ RIOS DA GM

Transformar essa luta numa causa popular

31 May 2008 | Trabalhar menos para trabalhar todos. Reduzir a jornada de trabalho, sem redução salarial, sem banco de horas ou qualquer flexibilização. Emprego, salário e direitos iguais para todos. Incorporação de todos os terceirizados.   |   comentários

Os metalúrgicos da General Motors, em São José dos Campos, e seu sindicato estão sob fogo cruzado de uma campanha atroz em defesa dos interesses desta multinacional e contra os operários. A empresa faz a chantagem de que investiria na unidade de São José dos Campos e abriria novos 600 empregos. Porém, seriam empregos precários, com salários menores que os atuais e limite de teto salarial. Além disso, pretende implantar o famigerado banco de horas, ou seja, a flexibilização da jornada de trabalho, para aumentar a produtividade intensificando a exploração dos operários.

A patronal, os políticos burgueses e a imprensa se organizam para dividir os operários e isolar o sindicato

Em nome de garantir “novos investimentos†na cidade, a maioria dos vereadores da Câmara Municipal, o prefeito (PSDB), os empresários e a imprensa da cidade selaram uma “santa aliança†com a direção da GM para isolar, perante o povo, o sindicato dos metalúrgicos e os operários da montadora. Até mesmo o bispo [1] da cidade se postou ao lado empresa. Esta “santa aliança†utiliza todos os meios àdisposição ’ dinheiro, imprensa ’ para mentir que o sindicato e os metalúrgicos da GM estão impedindo a contratação de novos operários e que estão contra o povo de São José e da região.

A imprensa, com a TV Vanguarda (Globo) e o jornal Valeparaibano àfrente, cerram fileiras nesta frente unida reacionária, abrindo espaços para as chantagens do presidente da GM José Carlos Pinheiro Neto: "Temos de crescer. Se houver rejeição em São José, talvez tenhamos que pensar numa quarta fábrica no Brasil já que São Caetano está no limite da capacidade e Gravataí, no Sul, foi desenhada para as famílias Celta e Prisma".

Os sindicalistas da CUT e da Força Sindical são aliados da patronal, são os quinta-coluna da campanha reacionária dos patrões. Por exemplo, aceitaram 1.500 empregos na GM de São Caetano do Sul com salários rebaixados e banco de horas, fato que a patronal e os políticos têm aproveitado para pressionar o sindicato de São José como “intransigentes†. Como denunciam os sindicalistas de São José dos Campos, em Gravataí, no Rio Grande do Sul, os metalúrgicos da GM têm piso inicial de R$ 700,00, jornada de 44 horas semanais e foi implementado o banco de horas. Traindo os trabalhadores esses sindicalistas ’ junto com a CTB do PCdoB e outras centrais sindicais governistas ’ convocaram manifestações no dia 28 de maio em defesa do projeto de lei que está em votação no Congresso pela redução da jornada de trabalho para 40 horas, mas garantindo aos patrões a implementação do banco de horas. Estão com os patrões, o PT e Lula, contra os metalúrgicos da GM de São José e a classe trabalhadora.

A GM faz chantagem, os operários e o sindicato têm que preparar seu plano de luta

A direção da GM de São José pretende rebaixar os salários dos metalúrgicos para nivelá-los aos dessas outras unidades, diminuindo os custos de produção na cidade, aumentando a produtividade e os lucros. Fazem chantagem com a suspensão dos “investimentos†na unidade e a transferência da produção para outras cidades. Os metalúrgicos não podem se deixar amedrontar com essa chantagem. A GM produziu entre janeiro-abril/2008 212.760 veículos, ante 175.437 no mesmo período de 2007, o que significa um crescimento de 21% (mais de 5% ao mês). Nesse ritmo de crescimento, as instalações da empresa estão no limite; por isso fala em “nova empresa†, mas apenas para chantagear (os custos seriam elevadíssimos).

Nestas condições, os metalúrgicos da GM e o sindicato, apesar das dificuldades reais, podem e devem preparar uma verdadeira campanha regional. Não adianta manter o conflito nos marcos de uma luta sindical, quando a burguesia faz uma campanha política para isolar os metalúrgicos perante o povo. É preciso conseguir que a luta dos operários da GM se transforme numa verdadeira causa regional, apoiada por todo o povo de São José e região. Os operários da GM poderiam impulsionar uma campanha massiva com cartazes, abaixo-assinado percorrendo casa por casa explicando sua luta e pedindo apoio para sua proposta de “trabalhar menos para trabalhar todos, sem banco de horas e sem rebaixamento salarial†. Uma campanha regional que busque a solidariedade e a coordenação dos trabalhadores da região, começando pelos que já estão em luta como os químicos e os terceirizados da Refinaria da Petrobras (Revap), chegando aos setores combativos de modo a construir um Comitê de Solidariedade que impulsione atos e festivais culturais massivos.

Uma campanha com estas características despertaria a simpatia do povo com sua justa luta, desmascarando as mentiras da burguesia e rompendo o isolamento dos operários e do sindicato. Cada dia sem um plano claro neste sentido debilita as forças dos metalúrgicos e fortalece os inimigos. No próprio sindicato há diretores que se preparam para entregar os pontos e defender a patronal, mostrando divisão entre os dirigentes, o que só leva água ao moinho da patronal [2]. Entre os metalúrgicos da GM isso significará falta de confiança, divisão e resignação.

A Conlutas deve sair da rotina e organizar, urgente, a defesa dos metalúrgicos da GM e o sindicato

A situação é grave, e assim deve ser encarada por todos os dirigentes e militantes classistas e combativos. A direção da Conlutas ’ PSTU, mesmo partido que dirige o sindicato em São José ’ segue em sua rotina de campanhas salariais isoladas por categoria, sem unir e coordenar todos os seus sindicatos em torno de um plano nacional de defesa dos metalúrgicos da GM e do sindicato, preparando a solidariedade ativa que dê forças para seguir em frente contra os fortes inimigos. Desde fevereiro a GM vem com esse plano e tem avançado em sua campanha. Do outro lado, a Conlutas (nem falar da Intersindical) não tem sido uma trincheira de combate e unidade para essa guerra. Mesmo em São José dos Campos as lutas que ocorrem ficam isoladas. Por exemplo, os 10 mil terceirizados da Revap (refinaria da Petrobras) que estão em greve há mais de 15 dias, se insurgiram contra os sindicalistas da CUT e recorreram àConlutas. Contudo, esta luta não está devidamente coordenada com os metalúrgicos da GM, e mesmo que tenham, no dia 28, participado de passeata pela redução da jornada, está claro que não há uma coordenação orgânica com a luta dos metalúrgicos.

É mais do que urgente que a direção do sindicato dos metalúrgicos de São José exija da direção da Conlutas a convocação imediata de uma Plenária Estadual de sindicatos, organizações, ativistas e trabalhadores para discutir um Plano de Luta em Defesa dos Metalúrgicos da GM e do Sindicato, contra o banco de horas e a precarização do trabalho, pela redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais sem redução de salários de modo a abrir milhares de novos empregos (sem rebaixar salários e direitos) na GM. Uma Plenária onde se discuta todas as dificuldades e potencialidades, na qual nos preparemos para apresentar aos trabalhadores e ao povo pobre de São José dos Campos um plano operário e popular que desmascare a demagogia da patronal e dos políticos que falam em “investimento e criação de empregos†para esconder a superexploração que pretendem impor, ao mesmo tempo em que demonstramos com medidas claras e precisas o caminho para garantir emprego e salário dignos para todos, com base num plano de lutas que inclua desde manifestações populares de solidariedade até paralisações nas demais empresas metalúrgicas (e em outras categorias, como químicos e alimentos, dirigidos pela Conlutas).

Um plano deste tipo exige coordenar todas as organizações sindicais, políticas, estudantis, populares e democráticas, exigindo que a Intersindical e o PSOL se integrem e coloquem àdisposição seus parlamentares, figuras políticas, recursos financeiros e militantes. Por exemplo, ao PSOL deve-se exigir que disponha horário na TV e espaços na mídia em prol dos metalúrgicos da GM, entre outras medidas básicas de solidariedade ativa. O PSTU, que dirige o sindicato, tem que colocar todos os seus recursos ’ inclusive horários na TV e rádio ’ para esta campanha. A Conlutas, se romper com sua rotina sindical presa às datas base e às campanhas salariais isoladas, está chamada a assumir uma campanha deste porte para se apresentar como uma organização classista e combativa, dando exemplos de como se deve enfrentar os planos da patronal, e exigindo que os burocratas sindicais da CUT, Força Sindical e CTB rompam sua aliança com esta patronal e coloquem essas grandes organizações a serviço da luta operária, desmascarando-os por vender os direitos dos trabalhadores em suas negociatas com a patronal e os governantes.

Nós, da LER-QI, nos solidarizamos com os metalúrgicos da GM e o sindicato, e, além disso, nos colocamos inteiramente àdisposição para assumir as medidas em prol de uma campanha de defesa incondicional dos companheiros.

[1No dia 18 de abril, uma comissão do sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos, acompanhada de Waldemar Rossi, coordenador da Pastoral Operária, se reuniu com assessores do bispo da cidade dom Moacir Silva para “cobrar o apoio da Diocese àCampanha em Defesa dos Direitos, que está sendo feita pelo Sindicato contra a ameaça de redução de salários e implantação do banco de horas†, já que o bispo havia assinado carta de apoio àGM distribuída na cidade, como parte da campanha contra o sindicato e os metalúrgicos.

[2Em assembléia no dia 29/05, no sindicato dos metalúrgicos, três diretores se mostraram favoráveis a acordos de flexibilização da jornada de trabalho na GM, apontando um possível alinhamento com as propostas da empresas. Na edição digital do jornal Valeparaibano pode-se ler que “discussão sobre jornada em São José acaba com três sindicalistas feridos†que expressariam divergência “após a manifestação contrária do sindicato ao projeto de investimentos da GM na unidade de São José†.

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