Movimento Operário

Trabalhadores da USP organizam a exibição do filme PRIDE: Lésbicas e Gays apóiam os mineiros

19 Feb 2015   |   comentários

A importância desse filme diz respeito a retomarmos a única estratégia de luta que pode abalar os pilares dessa sociedade capitalista.

Em reunião realizada 10/02, o Conselho Diretor de Base do Sindicato dos Trabalhadores da USP (CDB- SINTUSP) aprovou a organização da exibição do filme PRIDE (orgulho) na sede do Sindicato, dia 06/03. Com um CDB renovado por 99 novos integrantes que foram parte ativa da greve de 118 dias de 2014, os trabalhadores da USP dão um novo passo em sua formação política e apropriação estratégica da importância de se embandeirar também da luta dos setores LGBT’s e oprimidos desta sociedade.

Durante a greve, o Comando de Greve – composto por representantes eleitos em cada unidade e que dirigia politicamente a mobilização dos trabalhadores – organizou uma atividade para debater na categoria machismo, homofobia e transfobia. Contando com a presença de mais de cem trabalhadores e uma rica discussão e depoimentos pudemos extrair a conclusão de que a repressão sexual atinge todas as pessoas, mas é especialmente mais dura contra as mulheres e chegando a ser mortífera contra aqueles e aquelas que sentem atração e afeto por pessoas do mesmo gênero (homem/mulher) ou então que não se identificam com o gênero com o qual nasceram.

A solidariedade de classe entre os trabalhadores só consegue existir se supera as barreiras ideológicas e materiais que subordinam as mulheres aos homens e se supera os preconceitos, xingamentos e humilhações que nos levam a diferenciar uma pessoa pela sua identidade de gênero ou pela expressão de sua sexualidade. Foi com essa compreensão que aprovamos a ida de uma delegação de trabalhadores em greve para o ato em repúdio ao assassinato do jovem homossexual João Donatti.

Enquanto na greve enfrentávamos não somente a Reitoria da USP, mas o governo e as suas policiais, sabíamos que não poderíamos conseguir justiça para João Donatti, e tantas e tantos outros homossexuais e trans* assassinados cotidianamente, pela via das instituições do Estado. Por isso fomos ser parte desse repúdio com setores do movimento LGBT, mostrando que somente as e os trabalhadores em luta é que temos a intenção verdadeira de destruir as relações opressoras que submetem um ser humano a outro e levam inclusive a bárbaros assassinatos.

Esses exemplos remontam àexperiência histórica da aliança e solidariedade entre um grupo de lésbicas e gays com os mineiros britânicos que protagonizaram uma fortíssima greve contra o governo neoliberal de Margareth Thatcher em 1984. A importância desse filme diz respeito a retomarmos a única estratégia de luta que pode abalar os pilares dessa sociedade capitalista. É a estratégia de sermos os trabalhadores a linha de frente e os tribunos em defesa das demandas de todos os setores oprimidos nessa sociedade.

Infelizmente, essa estratégia foi sendo deixada de lado após o processo retratado no filme, tanto pelo movimento LGBT que terminou majoritariamente se institucionalizando e buscando espaços dentro dos governos e regimes burgueses, quanto pela esquerda que dirige setores importantes da classe operária que miseravelmente não trazem essas discussões para a nossa classe. Na contramão disso, estiveram ano passado ostrabalhadores metroviários de São Paulo que, a partir de uma campanha impulsionada pelo Movimento Nossa Classe, viralizaram as redes sociais com fotos em várias estações combatendo a homofobia e em apoio a Danilo, metroviário que havia sofrido agressão por estar junto de seu namorado em um dos vagões do Metrô.

Convidamos as e os trabalhadores a participarem dessa atividade no SINTUSP, dia 06/03 às 17:30, assim como chamamos as demais categorias e sindicatos dirigidos por organizações de esquerda a impulsionarem ações como essas, fazendo de nossa classe referência para os setores oprimidos em defesa de uma sociedade livre e igualitária.

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