Quinta 18 de Julho de 2019

Direitos Humanos

Trabalhadores da USP em greve doam cestas básicas para atingidos por incêndio em favela

08 Sep 2014   |   comentários

Na madrugada dessa segunda-feira, 8, a favela do Piolho, na zona sul de São Paulo, foi atingida por um grande incêndio. Pelo menos uma mulher grávida sofreu intoxicação pela fumaça. Centenas de famílias perderam tudo, ao menos 600 (cerca de 2500 pessoas) estão desalojadas. Como a maioria das casas era de alvenaria, o fogo se espalhou rapidamente, tomando imensas proporções e destruindo cerca de 80% das moradias numa área de 1000 metros (...)

Na madrugada dessa segunda-feira, 8, a favela do Piolho, na zona sul de São Paulo, foi atingida por um grande incêndio. Pelo menos uma mulher grávida sofreu intoxicação pela fumaça. Centenas de famílias perderam tudo, ao menos 600 (cerca de 2500 pessoas) estão desalojadas. Como a maioria das casas era de alvenaria, o fogo se espalhou rapidamente, tomando imensas proporções e destruindo cerca de 80% das moradias numa área de 1000 metros quadrados.

Os moradores alegam que todos os dias falta água na região, como parte da operação de racionamento velado de água que está sendo realizada pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) através do corte de fornecimento sistemático em regiões periféricas da cidade. Segundo o próprio comandante da operação de combate ao fogo, Mauro Brancalhão, os bombeiros não puderam utilizar hidrantes para combater o incêndio pois não havia água, e que a companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) teve que comparecer ao local para normalizar o fornecimento enquanto centenas de casas ardiam em chamas. A SABESP, em nota oficial, afirmou que o abastecimento de água na região estava normal e que um hidrante “não foi utilizado em virtude de problemas operacionais†.

Em São Paulo incêndios como esse nas favelas são muito comuns, e a própria favela do Piolho já sofreu recentemente outros casos desse tipo. Em áreas dominadas pela especulação imobiliária, as famílias pobres que ali habitam representam um entrave para a valorização da área e a construção de grandes empreendimentos imobiliários. São dezenas de incêndios criminosos a serviço da especulação que ficam sempre “sem solução†. Os governos se limitam a cadastrar os moradores que perderam tudo o que tinham na vida e dar um “auxílio-aluguel†absolutamente insuficiente para que a família possa pagar por uma moradia, e muito menos para reconstruir tudo o que perdeu no incêndio.

Hoje, reunidos em assembleia, os trabalhadores em greve da USP decidiram doar as cestas básicas que iriam destinar aos trabalhadores que tiveram seus salários cortados aos moradores da favela do Piolho. A greve da USP, que já dura mais de cem dias, conseguiu na última semana reverter o corte de pagamentos que a reitoria havia imposto, e diante disso os trabalhadores aprovaram em assembleia destinar as cestas básicas aos que tiveram suas casas destruídas no incêndios. Trabalhadores do metrô de São Paulo, como na estação Sé, também estão organizando arrecadações para ajudar jovens que trabalham ali sob um regime precarizado e cujas famílias foram afetadas pelo incêndio.

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