Movimento Operário

Trabalhadores da USP aprovam plano de lutas!

05 Mar 2015   |   comentários

Após reunião de terça-feira do Conselho Diretor de Base (CDB) do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP), a categoria se reuniu na quarta-feira, dia 04/03 na primeira assembleia geral do ano para aprovar o plano de lutas e dar início à campanha salarial de 2015.

Após reunião de terça-feira do Conselho Diretor de Base (CDB) do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP), a categoria se reuniu na quarta-feira, dia 04/03 na primeira assembleia geral do ano para aprovar o plano de lutas e dar início àcampanha salarial de 2015.

O ano mal havia começado e tanto o governo Dilma quanto o governo Alckmin conrtaram as verbas da educação. Essa política, justificada pelos governos devido a uma retração na economia, tem como consequência direta um recuo nas despesas das Universidades de São Paulo. O Reitor da USP, Zago, por sua vez, se orgulha de ter “saído na frente†com os ajustes orçamentários, que significaram a extinção de 1400 postos de trabalho através do Plano de Demissão Voluntária, o corte de 25% na verba de custeio e investimento, o fechamento de bandeijões, corte na política de permanência estudantil, desligamento de atividades ambulatoriais e clínicas no Hospital Universitário e o cancelamento da matrícula dos ingressantes nas creches!

Nem oposição de direita, nem governo anti-operário!

A nível nacional, o governo Dilma implementa ajustes contra os trabalhadores, com as Medidas Provisórias que atacam o seguro-desemprego e as condições para pensão por morte e auxílio-doença. Esses ajustes, junto com os escândalos cada vez maiores de corrupção do caso Petrobrás, tem levado a uma insatisfação popular crescente contra o governo Dilma. Se apoiando nessa indignação, setores da oposição de direita (do PSDB àmilitares) tem dirigdo o chamado para atos nacionais dia 15/03 pelo impeachmeant da presidenta. Por outro lado, em defesa da Dilma, a CUT e outras centrais sindicais ligadas ao governo, chamam um ato dia 13/03 mascarado pela defesa da Petrobrás e da reforma política.

Como primeira ação do plano de lutas, os trabalhadores da USP aprovaram a construção de uma mobilização independente dos dois setores burgueses. Iremos nos somar ao †Dia nacional de lutas†que está sendo chamado pela CSP-Conlutas (central sindical anti-governista) para o dia 06/03. Como parte do nosso plano de luta vamos nos manifestar neste dia, mas considerando que ainda é uma medida insuficiente principalmente porque houve pouca preparação na base das categorias para que possa se transformar em um dia mais efetivo. Iremos chamar os estudantes também a nos concentrarmos às 6 horas da manhã em frente ao portão principal na Rua Alvarenga para nos manifestarmos, seguindo o exemplo dos professores do Paraná, em defesa dos empregos e de contratações!

Nossa luta em defesa da educação! Contra o desmonte da USP.

Inclusive, porque dentro da USP a situação não é diferente dos ajustes nacionais e estaduais: a Reitoria assumiu no Conselho Universitário dessa semana sua política de ‘terra arrasada’, carinhosamente nomeada de Plano de Metas e Reestruturação para 2015. Além de ampliar o enxugamento de gastos e cortes de orçamento, a Reitoria desenvolve o que chama de “administração compartilhada com o Estado†, que nada mais é do que desvincular da Universidade áreas, setores e serviços não vinculados diretamente ao ensino e pesquisa, como os bandejões, as creches, o sistema de informática, segurança, transporte, manutenção, hospitais, centros esportivos, permanência estudantil, etc.. Nesse documento a Reitoria também dá legitimidade para o desvio de função, estruturando o organograma da Universidade de maneira a permitir que um trabalhador possa ser facilmente remanejado e atuar em mais de um setor e função distinta, mantendo o mesmo cargo!

Nesse sentido, a categoria aprovou a consigna motora proposta pelo Fórum das Seis (organismo que congrega as entidades sindicais, docentes e estudantis das três universidades estaduais paulistas) “Arrocho não! Isonomia já!†com a ressalva de que para defender a Universidade Pública, nossos empregos, nossas condições de trabalho e nossa saúde será necessário extrapolar os limites da pauta salarial e colocar como centro de nossa luta a contratação imediata de mais funcionários e o fim do desmonte das atividades de serviço e extensão.

Também entramos nessa campanha salarial contra a criminalização dos movimentos sociais e pela reintegração de Brandão e dos 17 estudantes expulsos da UNESP de Araraquara e defendendo a manutenção do Hospital Universitário (HU) na USP a serviço da população e a volta do HRAC (Hospital desvinculado de Bauru). Também achamos que é um dever nosso nos colocarmos contra a violência às mulheres e, assim, buscarmos a punição dos envolvidos e o afastamento dos dirigentes omissos e coniventes.

Por fim, buscando garantir o poder de compra do nosso salário, além da defesa da utilização do índice do DIEESE nos cálculos da inflação mais uma porcentagem das perdas históricas, iremos defender a escala móvel de salários (reajuste mensal automático de acordo com a inflação) para que nosso poder de compra não fique defasado pela alta da inflação.

Calendário de lutas!

Devido àrapidez com que a Reitoria e a burocracia acadêmica têm atacado a Universidade e as condições de estudo e trabalho, precisamos adiantar nossa resposta. Por isso aprovamos uma primeira paralisação da categoria para o dia 07/04, dia do Conselho Universitário que pretende fechar uma proposta de auto-reforma do Estatuto da Universidade, para que não modifique em nada seu conteúdo autoritário e ditatorial. A partir de hoje, em cada unidade, estaremos realizando reuniões setoriais e gerais para levar essa discussão e essas propostas para a categoria, buscando construir uma paralisação massiva que demonstre para o Reitor que não aceitaremos o desmonte da Universidade Pública!

Nesse mesmo sentido estaremos construindo o 9º Congresso Estatutário do SINTUSP, que ocorrerá dias 28, 29 e 30 de abril. De caráter extremamente democrático, aberto para que qualquer trabalhador da USP possa se eleger enquanto delegado (sindicalizado ou não, efetivo, terceirizado, aposentado ou temporário) com a eleição sendo feita por cada unidade a partir da discussão dos candidatos com toda a sua base, o Congresso também faz parte do plano de lutas e tanto para sua construção, com a eleição dos seus delegados, quanto na sua programação contará com discussões, mesas e grupos de trabalho para articular os próximos passos da categoria para resistir aos ataques do governo Dilma, do governo Alckmin e da Reitoria.

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