Movimento Operário

METRÔ DE SÃO PAULO

Trabalhadores da CIPA da Higilimp são retaliados por exigir apuração da morte de Regina e melhores condições de trabalho

07 Feb 2014   |   comentários

No inicio desse ano, Regina da Silva Paz de 39 anos, auxiliar de limpeza da Empresa Higilimp, morreu durante o turno de trabalho numa sala interna da Estação Santa Cruz no Metrô de São Paulo.

No inicio desse ano, Regina da Silva Paz de 39 anos, auxiliar de limpeza da Empresa Higilimp, morreu durante o turno de trabalho numa sala interna da Estação Santa Cruz no Metrô de São Paulo. Tanto o Metro quanto a empresa Higilimp estão fazendo de tudo para abafar o caso, não assumindo suas responsabilidades nessa tragédia anunciada e querendo esconder que as principais causas da morte de Regina decorreram da extrema precarização do trabalho imposta a milhares de trabalhadores terceirizados.

Para isso, 3 dos 5 funcionários da bancada eleita da CIPA Higilimp foram retaliados pela Empresa nas últimas semanas, tendo seu horário de trabalho alterado. Esses trabalhadores vinham empenhados na CIPA em querer investigar as causas da morte de Regina, pelo entendimento que estavam totalmente relacionadas as péssimas condições de trabalho oferecidas pela empresa, além das inúmeras irregularidades trabalhistas que atentam cotidianamente contra a saúde dos trabalhadores. Os cipistas eleitos da subcomissão de Integração da CIPA da Linha 1, já vinham fazendo um levantamento das denúncias nos locais de trabalho, onde se constatou descontos irregulares nos salários e benefícios, pagamentos atrasados, atestados médicos não aceitos, assédio moral constante, acidentes de trabalho onde não eram abertos relatórios e inúmeros casos de doenças relacionadas ao trabalho.

Essa retaliação da Higilimp não é apenas um ataque aos funcionários, pressionando eles a pedirem desligamento, mas também mais uma tentativa da Empresa em acabar com o papel da CIPA em apontar as irregularidades nas áreas de trabalho. Vale lembrar que a empresa já tentou acabar com essa CIPA nesse ano, não liberando os funcionários eleitos para participar das reuniões. Agora com essa medida, que deixa sem representatividade na CIPA os turnos manhã e noite, a Higilimp quer sufocar qualquer denúncia que venha da parte dos trabalhadores.

A Higilimp não atua sozinha, o Metrô não é só conivente com essa situação como também tem responsabilidade legal, por ser empresa contratante. A terceirização é parte de toda uma política dos governos e patrões para flexibilizar os direitos e salários dos trabalhadores, dividindo-os e aprofundando a super exploração. Por isso, é fundamental a luta pela unidade entre trabalhadores efetivos e terceirizados em processos como esse, como se expressou na campanha que se iniciou a partir do Ato na Estação Santa Cruz pela Investigação da morte de Regina e melhores condições de trabalho aos terceirizados no Metro-SP (votado em assembleia dos metroviários), onde os trabalhadores efetivos da Estação cumpriram um papel central na sua organização, e contou com mais de 100 pessoas, entre trabalhadores do Metrô, agrupações como o Metroviários Pela Base, Grupo de Mulheres Pão e Rosas, Juventude As Ruas, Mulheres em Luta e o Sindicato dos Metroviários.

Desde então, essa campanha vem se fortalecendo e recentemente contou com o apoio de Jorge Luiz Souto Maior, Juiz do trabalho e Professor Livre docente da faculdade de Direito da USP, que publicou um excelente texto (http://blogdaboitempo.com.br/2014/01/31/as-reginas-a-paz-e-os-direitos/) divulgado pelo Blog da Boitempo e entre diversos juristas. Além disso, se iniciou uma passagem com abaixo assinado entre os metroviários efetivos por melhores condições de trabalho aos terceirizados que nós do Metroviários Pela Base já recolhemos mais de 600 assinaturas, ocorreu um 2º Ato na Estação Luz e na última reunião da CIPA da Linha 1 azul, pressionada pela bancada eleita dos trabalhadores foi votado de forma unanime a recomendação para que a Higilimp reveja as retaliações e que os trabalhadores voltem ao seu horário de trabalho de origem.

Entretanto, é bom que Metrô e Higilimp saibam que tudo isso é apenas o começo. Entraremos com uma ação na justiça contra as retaliações desde a bancada dos trabalhadores da CIPA da Linha 1 Azul, e é fundamental fazermos com que essa campanha se torne um grande movimento em defesa de melhores condições de trabalho aos terceirizados do Metro. Por isso, o SIEMACO deve organizar os trabalhadores da Higilimp nessa campanha, e chamamos o Sindicato dos Metroviários, assim como o conjunto dos metroviários efetivos a aprofundar essa luta e impor um grande golpe aos patrões e a direção corrupta da empresa.

- Pela retirada imediata das retaliações aos funcionários da bancada eleita da CIPA da Higilimp!

- Melhores condições de trabalho já! Que o Metrô junto as terceirizadas passe aceitar todos os atestados médicos, suspenda o desconto por faltas justificadas por atestados dos salários e benefícios e ofereça plano de saúde para todos os trabalhadores!

- Direitos e Salários Iguais entre efetivos e terceirizados!

- Pela efetivação dos terceirizados, sem concurso público, pois todos os dias provam estar aptos para realizarem suas funções!

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