Nacional

Toma posse o novo Conselho Diretor de Base do SINTUSP: mais um passo histórico na democracia operária

10 Jan 2015   |   comentários

Por Bruno Gilga, diretor do SINTUSP, e Patrícia Galvão representante da FFLCH no CDB.

Tomaram posse ontem, 14 de janeiro, os mais novos integrantes eleitos do Conselho Diretor de Base, o CDB, do Sindicato dos Trabalhadores da USP, SINTUSP. As eleições, que ocorreram em dezembro do ano passado, foram resultado de uma alteração no estatuto do sindicato a partir de uma assembleia que marca um momento histórico para o SINTUSP: atuando como um sindicato distinto da burocracia sindical, priorizando a luta e a organização de base, depois de ter entregado a condução da greve ao Comando de Greve eleito nos locais de trabalho, o SINTUSP reformou sua estrutura para incorporar permanentemente essa nova camada de ativistas, ampliando as vagas para o CDB. A subordinação da letra escrita, de seu Estatuto, àluta de classes é um exemplo claro de um sindicato combativo e classista. Foram eleitos 99 novos representante, totalizando 174 membros no CDB. Expressão da democracia operária e fruto da histórica greve de 118 dias, a incorporação desses novos militantes segue a tradição histórica deste sindicato de entregar a condução da luta àsua base.

Apesar de ser período das férias, a cerimônia de posse contou com a presença de mais de cem trabalhadores, majoritariamente membros do CDB e da Diretoria do Sintusp. Os novos empossados tiveram direito a fala e quase todos fizeram; demonstração da vitalidade do debate político desta vanguarda. Em suas falas expressou-se o mais avançado dos quatro meses de greve. Lembraram das lições tiradas, da importância da participação ativa enquanto sujeitos e a responsabilidade diante da categoria e da tradição do seu sindicato de fortalecer a organização nos locais de trabalho. O sindicalismo distinto da cena nacional somado às experiências e lições tiradas da greve expressou-se também na eleição de CDBistas para unidades em que não havia nenhum representante eleito.

Tarefas do CDB

O ano de 2015 iniciou-se com diversos ataques da burguesia e dos governos aos trabalhadores, como o anúncio de cortes na educação, a restrição ao acesso ao seguro desemprego, as demissões na indústria e o aumento da tarifa de transporte público.

Muitos desses novos militantes continuaram a participar da luta da classe trabalhadora e da população em conjunto, posicionando-se ao lado dos trabalhadores na manifestação contra o aumento da passagem em 9 de janeiro e dos trabalhadores das montadoras do ABC (Volkswagen, Mercedes e Ford) no ato de 12 de janeiro em defesa da greve da Volks, eclodida após 800 demissões.

Cabe também aos CDBistas a organização do Congresso dos trabalhadores da USP, como forma de organizar e manter a democracia operária construída em conjunto da base, responder aos ataques que a categoria vem sofrendo, com a implementação do PIDV, que fechará 1472 postos de trabalho, sobrecarregando setores já bastante precarizados, barrar a desvinculação dos hospitais universitários e também organizar a campanha salarial e a luta contra os ataques que virão.

Manter a tradição de buscar aliados tomando para si as bandeiras do povo pobre, dos negros, das mulheres e LGBTs, tão aclamada durante a greve, promovendo a luta contra a precarização do trabalho e da vida e contra todo tipo de exploração e opressão, de um sindicato tribuno do povo é uma tarefa fundamental que esses novos militantes têm pela frente.

Buscar constantemente a unidade de classe, expressando solidariedade às lutas travadas não somente em nosso país, mas em todo o mundo é também tradição e obrigação fundamental do CDB.

Que a nova militância seja saudada e represente um sopro de agitação às lutas que virão.

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