Movimento Operário

FRANÇA

Todas e todos àmanifestação contra a ameaça de fechamento da PSA-Aulnay

15 Feb 2012   |   comentários

Na última primavera a CGT publicava um documento emitido pela direção da PSA até então mantido em segredo. Estava em questão um projeto de fechamento, com horizonte em 2014, de três locais de produção na Europa: Madrid-Villaverde no Estado Espanhol, Sevelnord em Hordain no Norte assim como a fábrica de Aulnay que produz atualmente o C3 em Seine-Saint-Denis.

Confirmado por Médiapart, a informação teve o efeito de uma bomba. Muitos dos trabalhadores não queriam acreditar. De fato, em um departamento como o 93, onde pelo menos120.000 trabalhadores não possuem emprego, entrar no desemprego é uma perspectiva catastrófica. Mais de 3.000 assalariados que trabalham em dois turnos sobre a cadeia de produção do C3, são também milhares de empregos indiretos que estão ameaçados, tanto no nível da subcontratação como de reserva. Fala-se em pelo menos 10.000 trabalhadores afetados de surpresa no caso do fechamento de Aulnay. Seria todo departamento que se encontraria um pouco mais atingido com conseqüências para todos: serviços públicos, ensino, empregos induzidos (indiretos), etc.

PSA persiste e assina

Durante este tempo a PSA fez como se nada estivesse acontecido. A multinacional, que anunciou ter atingido níveis de vendas históricos em 2010 e 2011 apesar da crise, jamais emitiu a informação revelada pela CGT. Pior ainda, a PSA continuou a aumentar a pressão. No fim do ano a direção anunciava a supressão de 6800 postos de trabalho no conjunto do grupo, sendo que 1.800 na França. No fim de janeiro, Phillipe Varin, o CEO do grupo, anunciava a demissão parcial e por rotação de 20.000 trabalhadores na França entre fevereiro e março, com a história de adaptar seu estoque às exigências do mercado de forma que o Estado pague pelo desemprego parcial. Não é preciso ser um grande capitão da indústria para dirigir a PSA. Basta ser um campeão de jogos de azar.

Mas os trabalhadores no lado oposto (por outro lado) organizam a resposta

Diante dessa avalanche de ataques, trabalhadores de diferentes plantas da PSA não ficaram de braços cruzados. Da parte de 93, os trabalhadores de Aulnay não foram deixados: a paralisação do dia 7 de julho; greves contra a imposição de uma sociedade mútua este outono, após o ato no dia 15 de novembro em frente a sede da PSA em Paris com os colegas de outras plantas, depois diante da fábrica em 15 de dezembro; em 17 de janeiro finalmente, novo ato dessa vez contra as demissões a ameaça de fechamento.

Para o dia 18 de fevereiro, a barra está colocada mais acima: o objetivo de organizar uma grande mobilização popular dos assalariados e seus familiares e também dos trabalhadores e da juventude em solidariedade de todo o departamento 93, e mesmo de outros lugares. Para fazer um chamado comum assinado pelo conjunto das organizações, dentre eles os o sindicato “casa†SIA e os menos combativos, redigido pelos trabalhadores e difundido a várias dezenas de milhares de exemplares nas caixas de correio, nos mercados, etc.

O tema da mobilização de 18 de fevereiro

O sucesso desta manifestação é uma questão central para a preparação da batalha de classe que se anuncia. De fato, é pouco provável que antes das eleições o que quer que seja não seja confirmado pela PSA. Mas devido ao plano secreto da PSA revelado pela CGT os trabalhadores se beneficiam de uma vantagem considerável: temos por sua vez uma distância considerável da medida onde conhecemos as intenções reais do grupo. Sabemos igualmente que por sua vez a patronal organiza esta ofensiva há muito tempo. Contrariamente ao que alguns dizem, no fechamento de Aulnay não há somente um apetite de ganância (a venda até os promotores do terreno sobre o qual está construída a planta há alguns cabos de distância de Roissy) ou uma frieza lógica de reorganização gerencial (mudar a cadeia de produção de Poissy e Mulhouse 24h/24, 7dias/7, sábado e domingo inclusos). A PSA quer regular suas finanças em uma fábrica na qual os trabalhadores são particularmente combativos, onde o sindicato majoritário, a CGT, não está a cabeça da direção, e onde a extrema esquerda tem um pé militante real em meio aos trabalhadores.

Fazer de Aulnay uma Vilvoorde de cabeça para baixo !

É por todas estas razões que Aulnay deve se tornar uma Vilvoorde de cabeça para baixo [1] : barrando o ataque da patronal contra um bastião tão simbolicamente importante para os assalariados, seria toda a classe operária e toda a população que teria a ganhar. Considerando o que Jospin fez com Vilvoorde depois da vitória da esquerda plural PS-PC-Verdes* em 1997, poderíamos dizer também que os trabalhadores podem contar apenas com suas forças, sua determinação e sua unidade para colocar um fim ao projeto de fechamento.

O papel dos militantes, trabalhadores e estudantes da região parisiense, solidários a esta luta é participar massivamente no sábado dia 18 de fevereiro da mobilização. Isso ajudará os trabalhadores de Aulnay mais determinados a se convencerem e encorajarem aqueles que estão mais afastados que é preciso lutar e que podemos vencer, mas também dar perspectivas reais àqueles que querem dar a batalha e que são os mais dinâmicos nas mobilizações.

É participando com o máximo de combatividade e engajamento possível que as manifestações serão um sucesso real para os trabalhadores e eventualmente um ponto de apoio e de coordenação nos combates que teremos que dar após as eleições, qualquer que seja a cor daquele que sairá vencedor nas urnas.

Mantenhamos todos os empregos e contratos temporários e os interinos! Divisão das horas de trabalho entre as fábricas do grupo! Nós somos todas e todos trabalhadores de Madrid-Villaverde, de Sevelnord e de Aulnay! Os fechamentos não passarão!

14/02/2012

[1] Em 1997, Jospin havia prometido que a fábrica belga da Renault Vivoorde não seria fechada. A partir do momento em que chegou ao governo, ele se apressou a esquecer a promessa de campanha...

*PS-PC-Verdes, coalização de esquerda plural entre o Partido Socialista (PS), o Partido Comunista (PC) e os partidos verdes.

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