Sábado 20 de Julho de 2019

Nacional

FORA OBAMA! GO HOME!

Tire suas botas e suas tropas: da Líbia, do Magreb, do Oriente Médio, da América Latina e do Haiti!

22 Mar 2011   |   comentários

Uma operação de guerra está sendo montada no Rio de Janeiro para receber Obama. Os cariocas e os visitantes de todo o mundo sequer poderão circular livremente em várias áreas da cidade, diversas estações do metrô serão fechadas e em grande parte do centro do Rio de Janeiro serão proibidas as mochilas e bolsas. Militarizam a cidade. Submeterão brasileiros a revistas coordenadas pelo FBI e serviço secreto ianque. Militarizam o centro do Rio como antes já haviam militarizado os morros, nos chamam todos de bandidos e terroristas para dar mostras aos EUA de que seriamos um país potência e que lhe concederemos todos os tapetes vermelhos, ao mesmo tempo, que lhes auxiliaríamos em sua pilhagem de nossos recursos e opressão de outros povos. A classe trabalhadora e a juventude, precisa dizer não a isto e dar uma resposta contundente tanto a Obama como a esta submissão do Estado brasileiro que prepara vastas entregas de recursos nacionais e a continuidade dos serviços prestados em opressão de outros povos como no Haiti para tentar alçar-se como potência mundial.

Uma visita marcada pela primavera dos povos no mundo árabe

A mobilização dos trabalhadores e dos jovens no mundo árabe sacudiu o mundo. Ditadores caíram e governos imperialistas de todo o mundo mudam suas alianças e táticas para opressão do povo árabe. Palavras que antes só tinham circulação nos pequenos grupos revolucionários, invadiram o cotidiano, hoje se fala de revolução, classe trabalhadora, greve geral. A ação histórica das massas em países como Egito, Líbia, Tunísia e Bahrein colocou em xeque as idéias de que os povos árabes eram incapazes de serem sujeitos de seu próprio destino e que deveriam ser tutelados por ditadores pró-imperialistas ou por tão reacionários quanto, líderes teocráticos. Esta ação não conseguiu ainda em nenhum país livrar-se de todo o regime opressor com suas polícias, exércitos e forças especiais, nem mudar a relação de seus países com o imperialismo e Israel e menos ainda enfrentar as necessidades históricas do povo como emprego e terra. Os processos revolucionários seguem em aberto e é um dever nosso no Brasil apoiar seu desenvolvimento, lutando contra as desculpas “humanitárias†imperialistas que justificam sua invasão e opressão destes povos. Abaixo a intervenção imperialista na Líbia! Fora tropas ianques do Iraque, Afeganistão e todo Oriente Médio! Fora as tropas da monarquia pró-imperialista da Arábia Saudita do Bahrein!

Contra a intervenção imperialista na Líbia! Fora Kadafi! Desenvolver a mobilização dos trabalhadores e do povo!

A visita de Obama ao Brasil se dá exatamente neste contexto. Ontem a ONU sob a liderança ianque, francesa e inglesa, com o pedido dos governos capachos da Liga à rabe, autorizou todas medidas militares para “resguardar a segurança dos civis líbios†. A ONU com discurso democrático e humanitário está autorizando a criação de um novo Iraque. Este Obama eleito com promessa de mudar o jogo é um Obama que garante a continuidade da ocupação do Iraque, Afeganistão, Haiti e agora sujará mais um pouco sua mão de sangue na Líbia. Um Obama que não se pronuncia contra o banho de sangue promovido pelos seus aliados sauditas no Bahrein (que abriga importantes bases norte-americanas e inglesas, chave para a guerra no Iraque) quer bancar-se de democrático na Líbia e em sua relação com o Brasil e outros países da América Latina.

Depois de sustentar governos como Mubarak no Egito e Ben Ali na Tunísia por décadas os governos imperialistas saem correndo para tentar mudar seu discurso. A França de Sarkozy que ofereceu ajuda militar para suprimir a revolta tunisiana em menos de dois meses tornou-se a voz mais beligerante contra seu parceiro comercial, e grande financiador da campanha de Sarkozy, o ditador líbio Kadafi. Possivelmente veremos nas próximas horas um bombardeio francês neste país. A Itália de Berlusconi que até anteontem manteve ótimas relações políticas e econômicas com Kadafi, inclusive não faltam relatos das machistas festas promovidas, já abriu suas bases militares da vizinha Sicília para o ataque.

Ditadores pró-imperialistas como Mubarak e Ben Ali após décadas no poder, foram derrubados pela ação das massas e pela ruptura que esta causou em suas relações com os imperialismos e dentro dos próprios regimes. Esta ação histórica sacudiu não só os governos destes países que sofrem com a opressão dos imperialismos e terríveis condições de vida produto de sua situação histórica e dos impactos recentes da crise econômica mundial, como o desemprego e alto do preço dos alimentos. Todo apoio às mobilizações no mundo árabe! Nenhuma confiança no exército e setores burgueses que querem conter as mobilizações!

Um negro que oprime outros negros, uma mulher que garante uma ocupação marcada pela opressão e estupros. Fora tropas ianques e brasileiras do Haiti!

A eleição de um negro para a Casa Branca foi saudada por todo movimento negro no mundo e também aqui no Brasil. Cheios de esperança de que esta eleição seria um passo decisivo no combate ao racismo festas foram feitas no Rio, Salvador e diversas cidades africanas. Poucos meses depois com a desculpa humanitária do terremoto no Haiti os Estados Unidos, não contentes somente com a opressão garantida pelas tropas da ONU lideradas pelo Brasil, colocou mais de 10 mil soldados neste país negro, o primeiro e único a abrigar uma revolução de escravos vitoriosa.

As tropas americanas e da ONU são uma garantia de repressão a um povo que sofre com o desemprego, miséria e salários de fomes em maquiladoras para exportação aos EUA. Estas tropas são as mesmas que são acusadas de centenas de estupros, de assassinatos e repressão a todas mobilizações dos trabalhadores por salários ou por comida. O Brasil tenta se alçar como potência regional às custas do povo negro haitiano, e segue na liderança das tropas que oprimem este povo há 7 anos, ou seja, desde o segundo ano do primeiro mandato do governo Lula. É por isso que o PT tenta enquadrar militantes e movimentos sociais para que não ocorra manifestações, ou que, caso ocorram se limitem a denunciar o imperialismo. Porém a política do imperialismo imbrica-se com a política do governo Lula-Dilma. É preciso denunciar que o governo brasileiro faz o serviço sujo do imperialismo no Haiti.

Fora ianques da América Latina! Imediata retira das tropas estado-unidense, brasileiras e da ONU do Haiti!

O governo estadunidense vem para países da América Latina para mostrar-se parceiro de democracias e localizar-se diferentemente na geopolítica. Após anos sem dar relevância àregião e ver crescer o anti-imperialismo agora busca se relocalizar em seu histórico pátio traseiro. Em meio àdecadência de sua hegemonia, acelerada pela crise econômica mundial e agora pela instabilidade de seus aliados no Oriente Médio surge com maior importância aos EUA garantir sua estabilidade nesta região para desde aí alçar-se no mundo.

Mas não é somente atrás da geopolítica que vem Obama é atrás de suculentos negócios. Mike Forman, vice-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA declarou ao jornal O Globo quais são os interesses da visita: “aumentar as exportações americanas para o Brasil, e obter uma fatia do petróleo do pré-sal e das obras da infraestrutura para a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.†(18/3).

O Brasil é um dos únicos países do mundo com o qual os EUA tem uma relação comercial superavitária, nós pagamos os custos da decadência americana. E com toda complacência de Dilma, Obama vem ao Brasil para tentar aumentar esta relação desfavorável. Querem arrancar fatias da riqueza do pré-sal que ao contrário de servirem aos interesses do povo brasileiro servirão para o enriquecimento de bilionários do petróleo da Exxon e outras, acionistas estrangeiros da Petrobrás e bilionários brasileiros como Eike Batista. Por isso devemos lutar: Pela estatização de toda produção, refino, e distribuição de petróleo e seus derivados sob controle dos trabalhadores para garantir que esta renda sirva para as necessidades do povo brasileiro!

Está anunciado que nesta visita será assinado um pré-acordo para um acordo bilateral EUA-Brasil de livre comércio. O governo Dilma faz um discurso de independência e país soberano, no entanto, dá passos que podem significar o reabilitamento da ALCA. Dará continuidade ao acordo militar com os EUA que significará a instalação de uma base de inteligência no Rio de Janeiro e maiores parcerias no treinamento militar, como o que já faz o BOPE com a SWAT. Esta base americana servirá para maior ingerência no Brasil e em toda a região e ocorre ao mesmo tempo que bases militares foram instaladas na Colômbia. Fora imperialismo de toda a América Latina! Abaixo o embargo a Cuba! Abaixo os acordos militares EUA-Brasil!

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