Juventude

LUTA NAS UNIVERSIDADES PRIVADAS!

Tauany Barbosa: Segue forte a luta em defesa da educação, apesar da repressão

02 Mar 2015   |   comentários

  • Professores da Subsede de Mauá e Santo André em apoio a luta da Fama
  • Danielly Nobrega, do Centro Acadêmico Dandara

Fotos por: Kevin D’arc

Chega ao quarto dia de luta dos estudantes da Fama-Uniesp contra os fechamentos das salas do período matutino e pela rematricula de todos os estudantes. Tauany Barbosa, coordenadora do Centro Acadêmico Dandara e militante da Juventude ÀS RUAS contou que: "Nesta segunda-feira, como resolução da Assembléia de sexta, recebemos os alunos ingressantes com uma forte mobilização com mais de 100 estudantes do curso de Serviço Social. Com o apoio das subsedes da APEOESP (Sindicato dos professores) de Mauá e Santo André e estudantes da UFABC cantávamos em denúncia dos milionários gastos para propagandas em horários nobres ’Oh Fernando (dono da Universidade), eu não sou bobo, fechou a sala e o dinheiro foi pra Globo’. Paravamos os carros, conseguíamos mais assinaturas para o abaixo-assinado e dávamos o nosso recado: se nos atacam, nos organizamos e vamos à luta".

Sobre o desenvolvimento da luta, Tauany relatou “Foi muito emocionante ver minhas colegas de sala, mulheres negras das quais eu convivo cotidianamente, com o megafone em mãos lutando por seus direitos. A universidade já não é mais a mesma. Nas assembleias, onde muitas de nós participamos pela primeira vez, cada estudante se esforça para pensar coletivamente os rumos do movimento. Nosso centro acadêmico quer poder incentivar cada vez mais que os estudantes atuem como sujeitos políticos e que sua voz seja cada vez mais alta contra a repressão da diretora Carol. Ver a unidade de estudantes jovens como eu e mulheres mais velhas que com muita garra conseguiram realizar seu sonho de chegar a universidade, é algo que mostra que com a luta, coisas que pensamos ser impossível, se tornam inevitáveis”.

Continuou “Na segunda-feira, após o ato, os professores contagiados por nossa energia declararam seu apoio ao movimento e anunciaram sua disposição de garantir nossa organização. Na terça-feira, novamente não entramos nas salas. A aula foi no pátio. Realizamos um grande ato que foi amplamente apoiado pelos estudantes dos outros cursos. Mesmo com as mentiras da direção para dividir nosso movimento, o abaixo assinado ganhava mais páginas de apoio, a precarização de nossa faculdade e a legitimidade de nossa luta cada dia se torna mais visível para o conjunto dos estudantes”.

Em um vídeo divulgado pela página do Centro Acadêmico de Serviço Social da Fama os membros da gestão Dandara denunciam a repressão que veem sofrendo desde o início da mobilização. Quanto a isso, Tauany declarou: “É absurdo que nossa luta seja criminalizada, e mais ainda que a polícia militar entre dentro de uma universidade, mesmo com o fim da ditadura militar. Desde segunda-feira a polícia entra em nossa universidade. Sabemos que tentam nos amedrontar e reprimir nosso movimento. Isso só revela que a polícia, diferente de qualquer ilusão de proteção, está a serviço de garantir os lucros da Uniesp e do conjunto dos patrões. A polícia à mando de Carol vem para garantir que jovens negros e trabalhadores não lutem e para que o conjunto do povo negro não tenha acesso à educação superior. Assim como fazem para que os trabalhadores não vençam suas greves e que a população não se revolte como em Junho de 2013.” Depois continuou: “Mas Carol e a policia se enganaram se pensaram que assim acabariam com nossa mobilização. Se esquecem que nosso curso é questionador e que o nome de nosso centro acadêmico é em homenagem a Dandara, mulher negra lutadora, porque assim como ela, somos centenas de mulheres negras nestas salas precárias, com altas mensalidades, e por todas elas e a grande maioria de nós que segue fora das universidades, dizemos: Dandara resiste!”

Sobre os passos da luta, Tauany complementou: “A força e dedicação dos estudantes da Fama demonstram que a ditadura nas universidades não será capaz de nos fazer abaixar a cabeça. Pela força de nossa mobilização, Carol foi obrigada a chamar uma reunião para dialogar com o movimento. Não aceitaremos mais enrolação, vamos até o fim por nossas reivindicações. A Uniesp de Birigui também foi a luta pelo mesmo motivo que nós, assim como recebemos diversas moções e cartas de apoio, nos dirigimos a estes e dizemos: Juntos, podemos vencer!”.

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