Movimento Operário

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Tática e estratégia na luta da BKM

20 Oct 2011   |   comentários

O caso da empresa BKM na USP foi simples: atrasaram os salários, os trabalhadores procuraram o Sintusp e ocuparam uma sala da Prefeitura do Campus. Vieram dezenas de estudantes e a imprensa, no dia seguinte a Reitoria pagou os salários. Demitiram um dos trabalhadores, organizou-se nova paralisação e em menos de duas horas ele foi reintegrado. O que significa isso? Significa em primeiro lugar que os métodos de luta da classe operária (ocupações, piquetes, paralisações) não estão para nada superados. Significa que a aliança dos estudantes com os trabalhadores é uma pedra de toque para a Reitoria. Que a existência de um sindicato combativo e não corporativo faz toda a diferença na luta de classes. E que os trabalhadores da BKM mostraram sua força. Por isso, exigimos estabilidade para todos, nenhuma perseguição aos lutadores e efetivação imediata!

Mas é importante discutir, também, as distintas estratégias que se expressam nestas lutas. Muitas correntes políticas e ativistas enxergam as lutas dos terceirizados como momentos onde os efetivos e estudantes devem se solidarizar e onde o objetivo central é garantir a demanda imediata pela qual se está lutando, como os salários atrasados. Esta é uma estratégia que limita a explosiva luta dos terceirizados a um âmbito econômico, ou seja, não contribui para elevá-la ao político. Ao não transformar em uma luta política, ou seja, em uma batalha de classe contra a Reitoria, mantém o programa mínimo de pagamento dos salários e isola todas as táticas colocadas em jogo (ocupação, aliança operária estudantil, apoio de intelectuais, apoio de um sindicato combativo), não permitindo que todas estas táticas estejam a serviço da estratégia de derrotar a política de terceirização da Reitoria e impor a efetivação dos terceirizados, como um exemplo que pode ecoar nacionalmente.

Essa estratégia de combate é a que nós da LER-QI buscamos levar em todas as lutas que participamos ao lado dos trabalhadores por suas demandas mais mínimas. Para nós isso só poderá se dar a partir da mais ampla democracia operária entre os próprios terceirizados, tomando decisões e organizando assembléias, e tendo como programa também a efetivação de todos os terceirizados sem concurso público. Como Diretoria do Sintusp devemos levar uma luta política com todos efetivos, para que tomem essas bandeiras em suas mãos. A toda esta luta, nós revolucionários encaramos de uma perspectiva anti-capitalista, pois não questionamos os “excessos†do capital, mas toda esta ordem de exploração do trabalho que se utiliza da divisão entre efetivos e terceirizados para melhor explorar.

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