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50 ANOS DO GOLPE MILITAR NO BRASIL

Sobre o "ATO SINDICAL UNITÃ RIO - UNIDOS, JAMAIS VENCIDOS"

31 Jan 2014   |   comentários

As centrais da burocracia sindical, a CUT à frente, fazem este ato não para lutar seriamente pela apuração dos crimes da ditadura e a punição dos responsáveis, militares, civis e empresários, pois estas centrais, atreladas que são ao governo e aos capitalistas, são responsáveis diretas pelo acobertamento e impunidade aos crimes e criminosos da ditadura, inclusive compactuando com o governo Lula e Dilma que é constituído com grande peso por (...)

Está sendo convocado um "ATO SINDICAL UNITà RIO†para o dia 1 de fevereiro, com o eixo central “UNIDOS, JAMAIS VENCIDOS", em referência aos 50 anos do golpe militar no Brasil. A iniciativa partiu do “Grupo de trabalho Ditadura e Repressão ao Movimento dos Trabalhadores e Sindical†que integra a Comissão Nacional da Verdade, e a convocatória é assinada tanto por centrais sindicais ligadas àesquerda, como a Intersindical e a CSP-Conlutas, àqual o Sintusp é filiado, quanto pela CGTB, UGT, Força Sindical, CUT, CTB e outras centrais sindicaais ligadas ao governo, a partidos burgueses de oposição e entidades patronais. Nós, diretores do Sintusp abaixo assinados, militantes da Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional, que impulsionamos o Boletim Classista, queremos esclarecer nossa posição sobre este ato, cuja convocatória foi publicada em boletim do Sintusp de 28 de janeiro.

As centrais da burocracia sindical, a CUT àfrente, fazem este ato não para lutar seriamente pela apuração dos crimes da ditadura e a punição dos responsáveis, militares, civis e empresários, pois estas centrais, atreladas que são ao governo e aos capitalistas, são responsáveis diretas pelo acobertamento e impunidade aos crimes e criminosos da ditadura, inclusive compactuando com o governo Lula e Dilma que é constituído com grande peso por históricos dirigentes da ditadura militar, como Sarney e Maluf, portanto, responsáveis pelos crimes da ditadura. Como pode um ato com a CUT - e outras centrais cujos dirigentes, muitos, estavam com a ditadura, contra a fundação da CUT e as oposições sindicais que lutavam contra o regime militar - ser falsamente vendido aos trabalhadores como se realmente estivesse a serviço de lutar pela memória, verdade e justiça? Que justiça haverá se a Comissão Nacional da Verdade (CNV), da qual a CSP-Conlutas está fazendo parte agora através deste GT, tem como objetivo essencial "não aparecer como revanchista", ou seja, declaradamente a favor da impunidade dos torturadores, mandantes e apoiadores? Essa CNV é considerada pelos familiares de mortos e desaparecidos pela ditadura como "Comissão da Meia Verdade", pois nem sequer chama para depor esses familiares que há anos, sozinhos, enfrentam todo tipo de dificuldades e pressão para realmente descobrir a verdade dos crimes da ditadura e lutar pela punição.

Em determinados momentos, podemos construir atos e outras medidas junto a essas centrais, mas somente em torno de pontos de programa claros, em defesa de interesses da classe trabalhadora ou demandas democráticas que essas centrais se vejam obrigadas a defender pela pressão dos trabalhadores. Não é esse o caso. No site da CUT há a seguinte notícia "Com Lula, centrais farão homenagem àtrabalhadores que lutaram contra a ditadura" (http://www.cut.org.br/destaques/24129/com-lula-centrais-farao-homenagem-a-trabalhadores-que-lutaram-contra-ditadura). Como um ato ao lado do governo do PT, sentando na mesa com Lula e também Luiz Marinho (Ex-Ministro do Trabalho) pode fazer avançar a luta dos trabalhadores?
A CSP-Conlutas faz parte do Grupo de Trabalho (GT) que tomou a iniciativa do ato. Em primeiro lugar, o fato de o Sintusp ser filiado àCSP-Conlutas não significa que automaticamente o Sintusp deva convocar o ato, pois o sindicato não deve necessariamente fazer tudo que é discutido na Central e muito menos que precisa concordar com todas as posições da Central. Uma central sindical não funciona sob o regime do centralismo uma vez que cada sindicato está, ou deveria estar, subordinado às resoluções das suas assembléias.

Em segundo lugar, consideramos equivocado que uma central como a CSP-Conlutas faça parte de um GT que integra a Comissão Nacional da Verdade que tantas vezes já denunciamos como parte do pacto entre governo e militares. São inúmeros os boletins e declarações do Sintusp sobre essa questão. Quando em 2012 fizemos uma grande atividade por uma Comissão da Verdade da USP (não atrelada àReitoria) publicamos no Boletim 41 do Sindicato (também publicado no site da CSP-Conlutas http://cspconlutas.org.br/2012/08/sintusp-lanca-campanha-por-uma-comissao-da-verdade-da-usp/):

"Todos foram enfáticos em ressaltar a importância de o Sintusp, assim como a Adusp e o DCE se colocarem a tarefa de se engajar com tudo na luta pela Verdade, Memória e Justiça e de como essa é uma tarefa que deve estar presente no cotidiano dos demais sindicatos do país, estudantes, centrais sindicais e organizações políticas que não passaram para o lado do governo, sobretudo do governo do PT que infelizmente criou a Comissão Nacional da Verdade pactuada com os militares e civis da Ditadura para garantir que as verdades que venham a tona não sejam imputadas aos seus executores e mandantes."

O que estamos tentando demonstrar é o erro de fazer parte deste ato e integrar este GT. Inclusive as notas da CSP-Conlutas sobre o ato não tem absolutamente nenhum posicionamento crítico àcomposição do GT, do ato e ao fato do mesmo ser parte da CNV e agora contar com a presença de Lula no próprio ato (http://cspconlutas.org.br/2014/01/reparacao-centrais-promovem-ato-neste-sabado-1-contra-repressao-aos-trabalhadores-durante-ditadura-militar/). Achamos que o Sintusp poderia levar esta discussão àCSP-Conlutas e travar uma discussão política pra fazer avançar a Central Sindical a uma posição classista e independente neste terreno, corrigindo esta política. Não achamos que o Sintusp deve participar e convocar este ato, e tampouco achamos que os trabalhadores que heroicamente resistiram e lutaram contra a Ditadura Militar devam receber um diploma assinado por todas as centrais (incluindo não somente a CUT, mas a Força Sindical, entre outros) saudando sua luta. Os pelegos, aqueles que traem cotidianamente a luta dos trabalhadores em prol do patrão, não tem o direito de saudar a luta dos trabalhadores.

Claudionor Brandão, Marcello "Pablito", Diana Assunção e Bruno Gilga, diretores do Sintusp e militantes da LER-QI

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