As manifestações foram massivas, o que demonstra que sobram motivos para sair às ruas e não faltam forças. As massivas manifestações encheram as ruas de 60 cidades com todo tipo de reivindicações: contra a reforma trabalhista, o aumento do desemprego, os cortes de verba da saúde e educação, o aumento das taxas universitárias, o transporte público em Madrid, entre outros. Mais de 40 mil em Madrid, 100 mil em Barcelona, 20 mil em Granada, na Comunidade Valenciana foram 40 mil (a maior participação dos últimos anos), na Galícia 30 mil e dezenas de milhares no País Basco." />

Internacional

PRIMEIRO DE MAIO NO ESTADO ESPANHOL

Sobram motivos para encher as ruas...

23 Apr 2012   |   comentários

Depois da grande jornada de greve do 29M, os dirigentes sindicais Toxo e Méndez disseram que se o Executivo não “ratificasse†, manteriam a “mobilização crescente†até o 1º de maio, quando acabaria o prazo da nova “trégua†que a burocracia sindical daria. Sem dúvida, o governo não só não ratificou nada, como já era de se esperar, mas avançou nos ataques ao conjunto dos trabalhadores e da juventude. O que não avançou foi uma ofensiva de luta por parte das direções sindicais que só fazem ameaças em palavras.

Mesmo assim, as manifestações foram muito massivas, o que demonstra que sobram motivos para sair às ruas e não faltam forças. As massivas manifestações encheram as ruas de 60 cidades com todo tipo de reivindicações: contra a reforma trabalhista, o aumento do desemprego, os cortes de verba da saúde e educação, o aumento das taxas universitárias, o transporte público em Madrid, entre outros. As manifestações convocada pela CCOO e UGT neste 1º de maio foram muito mais massivas que as do ano anterior: mais de 40 mil em Madrid, 100 mil em Barcelona, 20 mil em Granada, na Comunidade Valenciana foram 40 mil (a maior participação dos últimos anos), na Galícia 30 mil e dezenas de milhares no País Basco.

Além disso, se expressou um importante descontentamento social e político. Junto ao grito de “Que viva a luta da classe trabalhadora†e “Vai acabar a paz social†– que há anos Toxo e Méndez mantêm – pudemos escutar outros: †Contrato temporário para a Casa Real†, “O chamam democracia, mas não é†, “Reduza sua corrupção, governo e banco ladrões†, “Onde estão, não se vê, os empregos do PP†. Também se fizeram ouvir as vozes contra a repressão e pela liberdade dos presos, como nas manifestações em Barcelona. Estas manifestações são a continuidade do ânimo deixado pela grande jornada de 29M, mas também são uma resposta aos terríveis cortes que a cada sexte feira o governo de Rajoy anuncia e que pretende calar com campanhas de criminalização e repressão.

O governo redobra o ataque, tripliquemos a respostas!

Com este espírito combativo participamos deste Dia Internacional de Luta os militantes do Clase contra Clase junto da Agrupação Revolucionária No Pasarán em Barcelona, Madrid e Zaragoza. Nessas cidades, além das manifestações convocadas pela CCOO e UGT, aconteceram importantes manifestações convocadas por sindicatos alternativos e pela esquerda sindical e política, junto das assembleias de bairros e do 15M. Lamentavelmente, em cidades como Madrid a esquerda sindical não se manifestou unida.

Em Barcelona, estivemos pela manhã na manifestação convocada pela CCOO e UGT com um bloco crítico, denunciando a burocracia sindical e a repressão do governo com a palavra de ordem “Liberdade aos presos por lutar†. Éramos uma voz potente frente àvacilante do sindicato que não apresentaram nenhuma bandeira pelos presos, apesar da escalada repressiva que declarou o conselheiro do Interior da Catalunha, Felip Puig. À tarde, participamos da manifestação da esquerda sindical junto às assembleias de bairros e grupos políticos de esquerda. Não foi fácil chegar até a Plaza Universidad para onde havia sido convocado, pois centenas de policiais secretos, encapuzados e identificados com faixas no braços nos esperavam em todas as ruas no entorno da manifestação. Em alguns casos, os mesmos policiais anti-disturbios fizeram cordões, registros e identificações acompanhados de ameaças, empurrões e coação. Apesar das provocações e do enorme operativo policial, a manifestação foi bastante massiva com quase 15 mil pessoas.

Em Zaragoza e Madrid participamos na manifestação da esquerda sindical com um importante bloco. Também fomos uma importante voz contra os cortes e a repressão, e pela liberdade dos presos. Em Madrid, distribuímos extratos do Manifesto Contra a Repressão que estamos difundindo internacionalmente, com dezenas de assinaturas de intelectuais e sindicalistas de distintos países. Em Zaragoza, um jovem do No Pasarán leu nossa declaração. Ao finalizar, fizemos uma comemoração em nossa sede “Trece Rosas†com dezenas de jovens, onde homenageamos os mártires de Chicago com a apresentação de um vídeo que explica o porquê do 1º de maio como um dia internacional de luta.

Contra o ajuste e a repressão se preparam novos protestos

Os corte na educação têm sua resposta com novas greves estudantis de universitários e secundaristas, como a de 3 de maio em Barcelona, onde os estudantes ocuparam faculdades e se mobilizaram pelas ruas blindadas de Barcelona na cúpula do Banco Central Europeu. Também na Comunidade Valenciana os professores anunciaram seis dias de greve para este mês de maio caso o governo não retroceda em suas medidas. Enquanto isso, o 15M se prepara para voltar a ocupar as praças em seu aniversário agora em maio.

Diante disso, o governo reforça uma ofensiva repressiva em Barcelona e outros lugares. Três estudantes presos, uma sindicalista da CGT presa, muito outros jovens detidos em Madrid e Pamplona, vários liberados sob fiança, dezenas liberados com acusações, sindicalistas da CCOO e UGT detidos em várias cidades, anúncios de endurecimento do Código Penal, webs pra incitar a população a “deletar†os violentos, multas a ativistas políticos... É assim que está respondendo o governo de Rajoy e os governos autônomos como Barcelona e Madrid àluta crescente e decidida que milhares de trabalhadores e jovens começamos a colocar em pé.
É por isso que, enquanto junto aos trabalhadores e estudantes enfrentamos aos ataques, chamamos a uma grande Campanha Anti-repressiva contra a escalada repressiva a todas as organizações de trabalhadores, estudantes, grupos políticos, organismos de direitos humanos, intelectuais, advogados... Uma verdadeira campanha anti-repressiva militante que lute pela liberdade dos presos políticos, pelo fim dos processos dos presos políticos e o fim de todas as multas e medidas repressivas que estão sendo aplicadas e anunciadas. As reivindicações contra a repressão devem estar presentes em todas as lutas e mobilizações que tivermos pela frente.

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