Sexta 24 de Maio de 2019

BRASIL

Simone Ishibashi da Liga Estratégia Revolucionária - Quarta Internacional

05 Aug 2008   |   comentários

O Brasil é visto hoje como um colosso e como um modelo latino-americano a ser copiado. Lula recebe elogios desde Hillary Clinton até dos Kirchner e da oposição burguesa (...) O desenvolvimento do agronegócio, a produção de etanol ou a presença crescente de empresas como a Petrobrás na América Latina, que cumpre um papel reacionário em países como a Bolívia, onde expulsam o povo de suas terras, leva alguns a afirmarem que o Brasil seria um sub-imperialismo.

Viemos a este ato para falar de outro Brasil. O Brasil do trabalho escravo, da precarização do trabalho, da sanguinária violência policial e do racismo (...) Mas também do país em que a classe operária é a mais numerosa e concentrada da América Latina, que conta em suas fileiras com uma alta porcentagem de operários precarizados. Quando estávamos vindo para cá, setores desses operários estavam tomando os gerentes como reféns em uma refinaria da Petrobrás, chamada REVAP, e se enfrentando com a polícia (...) Esse Brasil, enquanto cresce economicamente, tem uma das distribuições de riqueza mais desiguais do mundo. O salário está abaixo do que esteve nos anos 90. Lula diz que seu governo criou milhões de novos empregos, mas esconde que 90% são precários, sem nenhum direito. A grande produção de etanol do Brasil está baseada muitas vezes no trabalho escravo e infantil, (...) as transnacionais do agronegócio expulsam os camponeses de suas terras.

Frente a esta situação, (...) onde a burocracia sindical apóia o governo e freia a ação da classe operária, surgiu uma agrupação sindical combativa: a Coordenadora Nacional de Lutas (Conlutas), que reúne os setores anti-governistas e anti-burocráticos e da qual
fazemos parte.

Como LER-QI e apoiando-nos em nossa influência no Sindicato de Trabalhadores da Universidade de São Paulo, participamos do recente congresso da Conlutas, (...) onde propusemos uma campanha pela efetivação dos terceirizados. Lutamos por um plano de luta de emergência contra a inflação, pela escala móvel de salários e pela independência política dos trabalhadores.
Também levamos adiante uma luta contra as posições de conciliação de classes do PSOL (a versão brasileira dos partidos anti-capitalistas) e seu apoio às leis anti-operárias que flexibilizam os direitos dos trabalhadores (...)

O governo Lula é um dos mais repressores do povo negro e pobre. A própria ONU, que é uma agência do imperialismo, denunciou que a polícia do Rio de Janeiro é a mais violenta do mundo e a compara com a violência de Bagdá. (...) Frente a esta grave situação, discutimos com os companheiros do PSTU a urgente necessidade que mudem sua política de considerar a polícia assassina como trabalhadores de uniforme.

Lula, após ser bombeiro na Bolívia no levantamento de 2005, aprofunda seu papel de agente do imperialismo no continente, oprimindo e assassinando o povo haitiano com a ocupação militar. Por isso discutimos na conferência da FT fazer uma campanha exigindo o fim da ocupação militar no Haiti, para a qual chamamos os companheiros do PSTU e sua organização internacional, a LIT (que já vem impulsionando uma campanha nesse sentido), a CRCI e as demais forças de esquerda.









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