Movimento Operário

PLENà RIA NACIONAL DO PÃO E ROSAS

Sejamos milhares nas ruas lutando pelos nossos direitos e contra este sistema de opressão e exploração

09 Aug 2013   |   comentários

No próximo dia 10 de agosto centenas de trabalhadoras e estudantes de vários estados do país se reunirão na Plenária Nacional do grupo de mulheres Pão e Rosas.

As jornadas de junho, a classe operária e a luta das mulheres
Em junho a juventude saiu às ruas e um mês depois os trabalhadores saíram em cena no país. Explodiu por 20 centavos um enorme descontentamento com os serviços públicos. Como sabemos os serviços públicos mais elementares não são garantidos pelo Estado, o que atinge principalmente as mulheres. São as mulheres as que “naturalmente†arcam com as tarefas domésticas, como a lavagem da roupa, a limpeza da casa, o cuidado com as crianças e a alimentação de toda a família. E por isso também são as mulheres que cuidam dos parentes que ficam doentes, dos idosos e que se desdobram em mil para garantir em casa tudo o que o Estado e o governo não garantem. Não podemos aceitar.

Num momento em que vivemos uma crise internacional em que querem descarregar nas costas dos trabalhadores em todo o mundo e que na América Latina a classe operária começa a mostrar a sua força, é mais necessário que nunca que as mulheres se organizem de forma independente dos capitalistas, dos governos e também daqueles sindicatos que dizem defender os trabalhadores, mas que na verdade estão do lado dos patrões.

Pelos nossos direitos imediatos e para acabar com o capitalismo
Queremos nos ligar a todas as lutas pelos direitos mais imediatos das mulheres, dialogando e debatendo com companheiras que passaram, a partir das “jornadas de junho†a despertar para a vida política ou com companheiras que se sensibilizam na luta para destruir as amarras mais profundas da opressão capitalista, no cotidiano da violência que vivem as mulheres, seja com o trabalho precário, com os estupros, com a diferenciação salarial, com a opressão às mulheres negras, com os assassinatos de travestis e homossexuais, com a violência dentro das casas, com a ostensiva campanha midiática por modelos de beleza inalcançáveis.

Cada luta cotidiana queremos elevar ao embate contra o governo, o Estado e este sistema capitalista. Por isso resgatamos as ideias das principais revolucionárias socialistas dos séculos XIX e XX que não somente lutavam pelos direitos das mulheres e por mais igualdade, como também buscavam uma estratégia para derrotar a sociedade capitalista tal como é e abrir espaço para uma nova sociedade, uma sociedade socialista. Somos convencidas da enorme necessidade de uma revolução operária e socialista para permitir as condições necessárias como uma economia planificada (e não muito para poucos, e pouco para muitos!) que possam colocar fim a toda a opressão que sofremos.

As trabalhadoras na linha de frente com a juventude

Desde o começo o grupo de mulheres Pão e Rosas tem o forte potencial de reunir trabalhadoras, estudantes, donas de casa, desempregadas, secundaristas, travestis e jovens trabalhadoras. Desde o começo denunciamos as feministas governistas que diziam que Dilma representaria as mulheres. Hipocrisia! Dilma e seu governo do PT representam os capitalistas, o racista e homofóbico Marco Feliciano e até mesmo o Papa, aprofundando o atrelamento entre Igreja e Estado. Mas como dizíamos, não seria uma mulher no poder que mudaria a vida de milhões de trabalhadoras e jovens.

Por isso no nosso movimento queremos que as mulheres trabalhadoras estejam na linha de frente, debatendo com centenas de estudantes, mostrando o sofrimento diário da exploração capitalista, e como a luta das mulheres desde esta perspectiva, numa grande aliança entre trabalhadoras e estudantes, pode ser explosiva e botar medo nos patrões e nos governos.

Qual unidade na luta das mulheres?

Buscamos atuar nos movimentos de mulheres já existentes com nosso programa classista e revolucionário, mas fazendo toda frente-única em torno da luta pelos direitos das mulheres, como o direito ao aborto legal, seguro e gratuito, pelo arquivamento do Estatuto do Nascituro, contra a “cura gay†. Essas são consignas comuns entre vários grupos feministas. Mas se nos colocamos com tudo por estas consignas, também deixamos clara nossa estratégia, diferente dos movimentos feministas governistas ou chamados “pequeno-burgueses†que não criticam o governo ou que querem mais igualdade nos marcos do capitalismo.

Ao mesmo tempo, na CSP-Conlutas tem sido construído o Movimento Mulheres em Luta com o qual compartilhamos uma série de demandas programáticas e que consideramos que seu 1º Encontro em agosto pode ser um importante momento para reunir setores da vanguarda anti-governista e classista na luta pelos direitos das mulheres. Nós saudamos esta iniciativa e queremos nos organizar para contribuir com este momento.

Nas fábricas, nas escolas e universidades

Nas últimas semanas e durante a próxima estaremos panfletando mais de 15 mil boletins do grupo de mulheres Pão e Rosas. Nas fábricas levando a bandeira de luta das operárias, gritando “basta de deixar a vida nas fábricas†e pelo fim da dupla jornada, por creches, lavanderias e restaurantes comunitários garantidos pelo Estado.

Nas escolas lutando pelos direitos das professoras, funcionárias, merendeiras e faxineiras, contra a divisão da categoria O e pela efetivação de todos. Ao mesmo tempo levantando as bandeiras das jovens trabalhadoras, estudantes secundaristas e das universitárias. Com passagens em salas de aulas e novas reuniões do Pão e Rosas por local de trabalho e estudo, seremos centenas nesta semana nas fábricas, escolas e universidades.

Venha na Plenária Nacional do Pão e Rosas!

Mais do que nunca chamamos a construir um grande movimento de mulheres. O grupo de mulheres Pão e Rosas é um passo neste sentido para lutarmos cotidianamente nas fábricas, nos locais de trabalho, escolas e universidades, mas para nos colocarmos junto àjuventude e a classe trabalhadora nos próximos dias de mobilização nacional que já se anunciam. Convidamos a conhecer, debater e construir o Pão e Rosas!

BOX: Sintusp organiza debate contra a Lei Mabel (PL 4330) neste 06 de agosto

Com a presença de Jorge Luiz Souto Maior, professor da Faculdade de Direito da USP e Juiz do Trabalho, e de Silvana Ramos, do Pão e Rosas e linha de frente da luta das trabalhadoras terceirizadas o Sintusp realizou um importante debate como parte da luta contra o trabalho precário, por iguais direitos e salários e pela efetivação de todos os trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas sem necessidade de concurso público. Souto Maior explicou o que é a Lei Mabel (PL 4330) e a necessidade de lutar contra ela, e Silvana Ramos colocou sua experiência de luta dizendo que “com a classe operária unida tudo pode acontecer†.

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