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COARI

Revolta e crise política no meio da Floresta Amazônica

16 Jan 2015   |   comentários

Uma manifestação terminou com a queima de duas casas do prefeito interino, depredação da Câmara de Vereadores e ainda saque de casas de alguns vereadores ligados ao prefeito.

Dia 14 a crise política que se desenvolve na cidade de Coari, localizada a mais de 360 quilômetros a oeste de Manaus ganhou novas proporções de revolta. Nesta data, segundo jornais locais, uma manifestação terminou com a queima de duas casas do prefeito interino, depredação da Câmara de Vereadores e ainda saque de casas de alguns vereadores ligados ao prefeito. A revolta foi motivada por atrasos de salários, e segundo o portal G1, teria sido liderada por funcionários públicos.

Coari é uma das mais importantes cidades do Amazonas e é neste município que se localiza o importante campo de petróleo e gás de Urucu. Por este motivo a cidade recebe quase R$ 100 milhões ao ano em Royalties além de arrecadar recursos com serviços relacionados a indústria de petróleo.

Segundo jornais locais a manifestação teria sido iniciada por demissões em massa de funcionários públicos, atraso nos pagamentos, e por mototaxistas que reivindicam o aumento da tarifa de R$ 2 a R$ 3. O prefeito Igson Monteiro (PMDB), que teve suas casas queimadas acusa o ex-prefeito Adail Pinheiro (PSDB) por estar por trás das manifestações.

Independentemente das possíveis influências políticas o próprio prefeito em exercício Igson Monteiro reconhece que 20% dos funcionários públicos estão com salários atrasados e que efetuou mais de 3 mil demissões em um munícipio de menos de 90mil habitantes. A conta que Monteiro está depositando nas costas de milhares de famílias ele atribui a funcionários supostamente fantasmas do ex-prefeito Pinheiro. Quem paga a conta da disputa dos importantes políticos locais são os trabalhadores!

Há uma evidente crise social instalada neste rico município que sob comando de diferentes camarilhas políticas fazem os trabalhadores terem atrasos de salário e precárias condições de vida, que se expressam por exemplo na importância do transporte por motocicletas, e não de massa em uma cidade rica como esta. Esta crise social imposta pelos políticos aos moradores é parte da profunda crise política instalada na cidade.

O atual prefeito Monteiro foi eleito como vice de Adail Pinheiro que encontra-se preso. Pinheiro, é acusado de pedofilia, de formar redes de exploração sexual e tráfico de mulheres e menores, e ainda de ameaçar de morte seus acusadores. O vice, por sua vez, está aguardando publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral que o cassou por abuso de poder econômico nas eleições para entrar com recurso no STF e manter-se no cargo. E, para acrescentar elementos nesta crise política há diversos pedidos na justiça para intervenção estadual na cidade.

O governador José Melo (PROS) não emitiu nenhuma declaração sobre esta crise, nem mesmo sobre os atrasos de pagamentos dos funcionários públicos e a situação que está colocada a estas milhares de famílias. Não se encontra nenhuma declaração em nenhum jornal local, em seu facebook ou Twitter. O mesmo silêncio encontramos por parte do influente político local tucano, Artur Vírgilio Neto, prefeito de Manaus e pela senadora do PcdoB Vanessa Grazotin.

Este silêncio dos principais políticos do Estado frente a esta crise mostra o completo descaso com os trabalhadores e como nas mãos das principais famílias políticas de Coari ou do restante do estado os trabalhadores seguirão sofrendo as consequências das crises que a elite e seus representantes criam.

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