Nacional

BASTA DE CRIMINALIZAR E REPRIMIR O DIREITO A MANIFESTAÇÃO!

Respondamos com atos massivos no dia 13/03 em todo o país

24 Feb 2014   |   comentários

O 2º ato contra a Copa, realizado em São Paulo no dia 22/02, foi vítima de uma orquestrada política de amedrontamento, criminalização e repressão por parte das forças repressivas do Estado.

O 2º ato contra a Copa, realizado em São Paulo no dia 22/02, foi vítima de uma orquestrada política de amedrontamento, criminalização e repressão por parte das forças repressivas do Estado.
Desde a morte do cinegrafista Santiago Andrade, setores mais descaradamente reacionários da sociedade vêm buscando utilizar de forma oportunista esse lamentável acidente para recrudescer a legislação e a orientação repressiva do Estado para cercear o livre direito de manifestação e protesto da população, que desde junho de 2013 vem expressando um profundo descontentamento social e político.
Essa movimentação reacionária busca num primeiro momento impedir que as ações de vanguarda da juventude que começa a protagonizar ações manifestações contra a Copa em São Paulo e contra a volta àcarga com os aumentos de tarifas dos transportes no Rio de Janeiro possam confluir com a forte indignação que a maioria da população sente – como demonstram as pesquisas de opinião e as recorrentes explosões sociais nas periferias dos centros urbanos – diante dos monstruosos gastos públicos destinados a uma Copa que só uma elite poderá assistir ao vivo enquanto a maioria da população segue sofrendo com as enchentes e as filas nos hospitais, e agora o perigo de racionamento de água e de luz. Mas, para além disso, busca se antecipar àpossível eclosão de greves que também confluam com esse sentimento. No fundo, o imperialismo, os grandes monopólios por trás da FIFA, as elites dominantes do país, o governo federal e os governos locais têm medo do “fantasma†de junho, ou seja, têm medo de que ações radicalizadas de massas “estraguem†a festa de lucros que a Copa implica para todos esses setores.

Amedrontamento, criminalização e repressão coibiram o direito de manifestação no dia 22

A campanha para debilitar a manifestação do dia 22 recrudesceu com uma política orquestrada da polícia e da imprensa burguesa, que dias antes difundiram amplamente uma nova ofensiva de criminalização e amedrontamento do movimento que combinava: a intimação de vários ativistas a deporem na polícia no mesmo dia e na mesma hora da manifestação (reproduzindo o método utilizado contra as torcidas organizadas dos “Holligans†na Inglaterra), um verdadeiro "show" em torno à“queima†do suposto material incendiário que haveria sido encontrado na mochila do manifestante que foi baleado pela polícia na manifestação do dia 25, e todo o alarde sobre a nova “Tropa Ninja†de policiais especializados em artes marciais que atuariam nesse ato.
No dia 22, o contingente policial concentrado no local do ato e espalhado por todo o centro da cidade era algo que até então não tinha se visto em outras manifestações. Eram 2.300 policiais, incluindo helicóptero e cavalaria, para uma manifestação que girou em torno de 1.500 pessoas.
O ato transcorria de forma pacífica quando a polícia realizou uma ação ofensiva previamente orquestrada para prender 262 ativistas – uma verdadeira emboscada – e com isso terminar com a manifestação. A “Tropa Ninja†agiu com “brutalidade ninja†: cassetetes, murros, pontapés e spray pimenta; adolescentes, idosos e mulheres sendo golpeados, imobilizados e arrastados como criminosos; jornalistas agredidos e impedidos de registrar a repressão, advogados impedidos de auxiliar os presos, horas de privação de água e banheiro e ataques racistas aos presos; perseguição com bombas de gás lacrimogênio etc.

Buscam atacar os black blocks como forma de atacar o conjunto dos manifestantes

Como parte da tentativa de impor um caráter reacionário àconjuntura, foi colocada para tramitar em regime de urgência uma suposta “lei antiterrorista†que se implementada habilitaria a policia e a justiça a qualificar como terrorismo toda e qualquer ação de protesto político. Entretanto, houve forte repúdio de amplos setores, não só daqueles diretamente ligados àesquerda, mas inclusive de quadros mais diretamente ligados ao PT e ao PSDB, já que claramente remeteria ao período de chumbo da ditadura militar. A resultante foi que o próprio governo preferiu elaborar um projeto de lei que se volte especificamente contra os black blocs, apoiando-se na lei enviada por Beltrame – secretário de Justiça do Rio – ao Congresso.

Essa foi a essência da orientação política orquestrada para o ato do dia 22: atacar os back blocs como meio de atingir colateralmente o conjunto dos manifestantes e mais de conjunto o direito de manifestação. Assim, os governos e a polícia utilizam amplamente o discurso de que não têm como alvo os manifestantes em geral e sim os “vândalos†; hipocritamente, dizem que seu objetivo é “acabar com vandalismo†para “garantir o direito de manifestação†. Alegam que o “cerco†policial na manifestação do dia 22 foi calculado pelos seus serviços de inteligência para ocorrer preventivamente a uma suposta ação de depredação. Escolheram “a dedo†ativistas negros, pobres e com peças de roupa preta para tratar com especial truculência. Invadiram casas de supostos ativistas black blocks no mesmo dia da manifestação para apreender seus computadores com o intuito de “montar†o esquema que os incriminaria.

Essa é a nova “lei†que a polícia de São Paulo buscou instaurar na prática: os órgãos de repressão escolhem quando e quais manifestantes “oferecem potencialmente algum perigo†e estão “autorizados†a agir preventivamente para reprimi-los com brutalidade, prendê-los e criminalizá-los. Entretanto, o que ficou claro é que essa política está a serviço de atingir o conjunto dos manifestantes e dos protestos, de gerar pânico e terror para amedrontar as pessoas que querem ir para a rua, de criminalizar e reprimir amplos setores de vanguarda e não apenas os black blocks. Até jornalistas e professores foram detidos e agredidos, mostrando como a polícia e o governo agem de forma truculenta e ilegal. Enfim, uma completa ilegalidade e arbitrariedade contra todos que não aceitam que haja Copa enquanto faltam hospitais, escolas, moradias, transporte. Agem contra o legítimo direito de manifestar, garantido pelas leis vigentes, tanto para os black blocks como para quaisquer cidadãos.

Abaixo a repressão e a criminalização dos protestos!
Fim de todo indiciamento de ativistas e manifestantes!
Fim de toda perseguição policial e judicial contra os manifestantes!
Liberdade de reunião e manifestação!
Construamos um ato massivo no dia 13/03 pela estatização dos transportes com gestão dos trabalhadores em aliança com usuários e contra a repressão policial e criminalização dos protestos!

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