Domingo 16 de Junho de 2019

Movimento Operário

NOVA CARREIRA E O “PROADE†NA USP

Reitoria quer legalizar demissões “silenciosas†e o assédio moral

11 Aug 2011   |   comentários

Depois da greve de 2010, em que os trabalhadores da USP enfrentaram o projeto privatista e elitista da reitoria, Rodas mudou sua tática para avançar no projeto estratégico de adaptar a universidade às necessidades do mercado. Durante o ano vem combinando medidas como a reformulação e tentativa de fechamento de cursos a ataques mais diretos aos funcionários como o limite de 77% do orçamento para folha de pagamento e a demissão de 270 trabalhadores. Agora, a reitoria tenta anestesiar os ânimos apresentando ataques profundos travestidos de conquistas parciais como a aprovação do novo plano de carreira que elevou o piso salarial de todos os níveis na USP. Rodas implementa na USP a política de Geraldo Alckimin para o estado de SP quando anunciou que faria reajustes diferenciados para o funcionalismo, atrelando futuros reajustes ao “mérito†. Naquele momento estas medidas cumpriam ao mesmo tempo o papel de dividir as categorias do funcionalismo e de responder preventivamente ao possível aprofundamento da crise política que se abriu em SP, bastião histórico do PSDB, com a debandada de importantes figuras que migraram para o PSD de Kassab, entre eles Guilherme Affif Domingos, responsável pelas Universidades Estaduais paulistas na Secretaria de Desenvolvimento – tudo isso somada àpéssima relação entre o governo e as categorias do funcionalismo.

A nova medida “complementar†àcarreira na USP, o PROADE (Programa de Acompanhamento e Desenvolvimento Funcional), visa avaliar periodicamente os funcionários de acordo com critérios de produtividade e da “agregação de valor àinstituição†, indicando a demissão dos trabalhadores “pouco produtivos†ou que não se adequem aos critérios de “competência técnica e comportamental†. No melhor estilo capitalista com os chamados ajustes fiscais, o PROADE legaliza uma ofensiva de novas demissões, instituindo o assédio moral das chefias e dividindo os trabalhadores que competem entre si para ascender individualmente na carreira e/ou manter seu emprego tornando a precarização das condições de vida e de trabalho escancaradas pela terceirização uma ameaça concreta dos trabalhadores efetivos, que por vezes, consideravam-se imunes graças àsua relativa estabilidade.

Várias unidades já iniciaram o corte de trabalhadores de maneira silenciosa. A COSEAS, unidade famosa pelo altíssimo índice de doenças ocupacionais vem avançando ainda mais na precarização das condições de trabalho que hoje impõem um ritmo alucinante de trabalho dos “bandejões†demitindo trabalhadores como a técnica de nutrição Amanda Janaina. Em resposta os trabalhadores começaram a se organizar a partir de reuniões por local de trabalho, organizadas junto ao Sinutsp, exigindo a revogação imediata do PROADE e o fim das demissões. Nesta semana, cansados de toda esta situação os trabalhadores paralisaram espontaneamente suas atividades em solidariedade a uma das companheiras.

Desde o Sintusp viemos discutindo nos locais de trabalho, assembléias e atividades do sindicato um plano de luta para derrotar o PROADE, porque somente a mais ampla auto-organização dos trabalhadores, utilizando-se dos seus métodos de luta, será capaz de impedir o avanço destes ataques. Devemos, também, exigir o fim do assédio moral nos restaurantes e todos os locais de trabalho, o fim da perseguição aos ativistas e dirigentes sindicais, a reintegração de Claudionor Brandão, a efetivação de todos os trabalhadores terceirizados sem necessidade de concurso público e nenhuma demissão. Estas reivindicações são parte da necessária luta para derrubar esta estrutura de poder que mantém uma camarilha privilegiada de burocratas decidindo os rumos da universidade.

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