Movimento Operário

Reflexões sobre s Correios: seis ideias para avançar e combater os ataques!

26 Mar 2015   |   comentários

Na última semana, trabalhadores dos Correios paralisaram as atividades no interior de São Paulo, regiões de Campinas e Vale do Paraíba, Minas Gerais, Ceará, Bahia, Santa Catarina e Paraná. Em São Paulo capital também houve uma paralisação regional, mas localizada em alguns bairros, com data e pauta diferentes. Não faltam motivos para a mobilização: a falta de funcionários leva os trabalhadores aos limites de suas forças, em algumas unidades chegam a trabalhar 21 dias corridos, para depois folgarem 2; o plano de saúde foi terceirizado e sucateado, o fundo de pensão (Postalis) tem um rombo de R$6 bilhões, que está sendo cobrado dos trabalhadores, e cada vez mais avança a privatização da empresa, ainda que de forma mascarada.

Por isso é frequente a ocorrência de greves e paralisações na categoria. No entanto, nota-se que a cada ano as lutas se tornam mais difíceis, menos expressivas, e mais divididas. Isso leva muitos trabalhadores críticos e combativos a se afastar, concluir que não vale a pena lutar. Uma triste conclusão para uma vanguarda que tanto lutou e para uma categoria que conquistou todos os seus benefícios desta forma. Mas mais do que triste, é uma conclusão incorreta. Somos maioria na empresa, e somos nós que a fazemos funcionar. Por isso temos força para resistir e para virar o jogo.
Nós, ecetistas do Movimento Nossa Classe, acreditamos que estas 6 ideias são chave para nos organizarmos para os próximos embates:

1 – Preparar e organizar pela base

Para que haja uma ação eficaz e contundente, é preciso uma mobilização massiva. As informações precisam chegar bem antes da assembleia em cada unidade, seja através de jornais, vídeos, site. Mas também as discussões precisam ser feita em todos os locais, para que cada trabalhador possa ajudar a pensar qual deve ser o programa e quais medidas podem ser tomadas.

Na região de Campinas, as assembleias são bastante democráticas, diferente do que acontece em São Paulo, por exemplo, onde o Sindicato chega a manipular o resultado de votações descaradamente. É comum também que os sindicatos façam reuniões setoriais, para dialogar com a base. No entanto, mesmo durante a greve, as ações principais ficam todas concentradas na direção do sindicato, e os trabalhadores tendem a esperar que o sindicato faça tudo, pois é assim que tem funcionado sempre.

Para haver uma democracia operária de fato, poderíamos organizar reuniões em cada unidade, e eleger delegados que defendam a opinião da maioria de sua unidade em um comando de greve, mais amplo do que o sindicato e respaldado pela base, de forma que os trabalhadores participem ativamente da greve.

2 – Fundo de greve e o combate ao corte de ponto e àcompensação das horas

Não podemos achar “natural†que a cada greve, haja ameaça ou efetivamente corte no salário como aconteceu na greve do postal saúde. É preciso reivindicar sempre o abono dos dias parados, pois isso garante o direito de greve. Claro que para concretizar esta reivindicação, depende da força da greve, por isso é importante também fazer um fundo de greve. Buscando ajuda de outros sindicatos, trabalhadores de outras categorias, intelectuais, e da população em geral, podemos arrecadar dinheiro, alimentos, etc, para que no caso de se efetivar um corte de ponto, nenhum lutador passe necessidade. Isso aprofunda os laços de solidariedade de classe, e ajuda aos que temem entrar na luta a se decidirem, pois saberiam que não ficarão desamparados.

3 – Diálogo com a população

Por se tratar de uma categoria que presta serviços diretamente para a população, é fundamental o diálogo para que os que precisam do nosso trabalho fiquem do nosso lado e entendam a luta. Isso não é difícil, mesmo quando não estamos em greve podemos buscar este apoio,por exemplo panfletando cartas que expliquem nossas reivindicações e tornem público o que está acontecendo com a ECT, e fazendo chamados aos que concordarem com nossa luta a expressarem esse apoio, seja na mídia, nas redes sociais, ou se incorporando aos atos.

4 – Unificação

As lutas locais e regionais não são o bastante. É preciso parar a ECT toda para ter mais efeito. Mas atualmente, grande parte dos sindicatos são dirigidos por burocratas do PT e do PCdoB, e por serem a base do governo federal, que também dirige a empresa, esses setores utilizam os sindicatos não para defender os interesses dos trabalhadores, mas sim dos governos. Para tanto, alguns dos principais sindicatos (de SP e RJ) dividiram a categoria, criando uma federação àparte que negocia com a empresa pelas costas dos trabalhadores e divide o movimento nacional. Já basta dessa divisão, é preciso um calendário de lutas unificado!

Precisamos unificar também os companheiros mais combativos com os desiludidos com a luta. Para isso, não adianta puxar greve a todo custo sem que toda a categoria esteja unida. É preciso reconquistar a confiança de todos nos métodos de luta dos trabalhadores

5 – Avançar no programa e num plano de lutas

Os ataques são muitos, mas não basta se colocar contra eles. É preciso um programa para derrubá-los. Os trabalhadores devem decidir os rumos da ECT, para que ela seja não apenas uma estatal controlada por uma burocracia ligada aos governos da vez. É preciso que os cargos de direção sejam eleitos pelos trabalhadores e possam ser revogados. Acabar com os altos salários e privilégios dos administradores da empresa. Devem abrir a contabilidade da ECT e do Postalis, para que fique claro pra onde está indo cada centavo que entra graças ao nosso suor,e os rombos, desvios, investigados de forma independente. Quem deve pagar pelos prejuízos não são os trabalhadores, e sim quem foi culpado por eles, que tenham os bens confiscados.

6 – Solidariedade de classe e unificação das lutas

Não somos apenas uma categoria, somos parte de uma classe trabalhadora. Assim como garis, professores, bancários, metalúrgicos, petroleiros, e um longo etc. Por isso é fundamental tanto apoiar as outras categorias quanto buscar seu apoio. Isso pode ser feito de formas simples e criativas, como fotos cartazes de apoio, atos conjuntos, etc. E também buscando uma unificação mais profunda, já que muitos dos ataques que estão acontecendo no país, como os ajustes do governo Dilma, os ataques do governo Alckmin, as privatizações nos municípios, como em Campinas na saúde e educação, isso afeta toda a classe, e temos que responder conjuntamente. Além disso, o projeto de privatização que estamos combatendo na ECT é muito parecido com o que ocorre com outras estatais, como Caixa Econômica Federal e Petrobras, somente uma campanha forte e ampla envolvendo toda a classe pode dar uma resposta.

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