Economia

Redução da desigualdade social no Brasil?

30 Sep 2014   |   comentários

A uma semana das eleições, é preciso questionar a propaganda governista realizada por vários intelectuais e sindicatos como a CUT, de que o Brasil está no “rumo certo†com o PT no poder, reduzindo o abismo da desigualdade de renda histórica.

As pesquisas da PNAD anunciadas pelo IBGE nas últimas semanas apontam redução na desigualdade de renda no Brasil e o último dado do IBGE do dia 25/09 aponta índice de desocupação de 5,3% em agosto menor índice para o mês desde 2001, mas será que estes dados dizem realmente o que está ocorrendo na economia brasileira durante o governo do PT?
A primeira divulgação dos dados da PNAD apontou o primeiro aumento na desigualdade de renda no Brasil desde 2001 com aumento do chamado “índice de Gini†(quanto mais próximo de 1 maior a desigualdade) para 0,498, porém, com a correção dos cálculos pelo IBGE, o número foi para 0,495.

No entanto, é preciso questionar o cálculo feito pelo IBGE, que se baseia em pesquisa domiciliar, ou seja, na pergunta de quanto “ganha a família†, o que exclui a renda dos ricos obtida “por fora†, por meio de ganhos por aplicações financeira, em bolsa de valores, por exemplo. Esse ganho a mais dos ricos não é contabilizado, alterando a capacidade da pesquisa de captar a realidade da gigantesca histórica e estrutural concentração de riqueza no país.

Por outro lado, a pesquisa da PNAD também superestima a renda efetiva dos trabalhadores numa família ( que nos últimos anos cresceu em função do aumento do trabalho precário, terceirizado, subcontratado, no setores de serviços), pois, dado o baixo nível de salário, a renda da família se complementa, com o salário dos filhos em trabalhos precários, em “bicos†– que muitas vezes não estão registrados como rendimento fixo, com carteira assinada ou contratos, também não se leva em conta, que muitas famílias buscam o trabalho extra, ou acima das 44 horas de trabalho semanais para complementar o salário.

Lembrando a média salarial no Brasil, atinge mais da metade de toda a população, é de 1,5 salário mínimo, ou seja, pouco mais de R$1100,00. Para o ano de 2013, segundo pesquisadores da UNB, “5% mais ricos passaram de deter cerca de 40% da renda total do país em 2006 a abocanhar 44% em 2012†[1].

Em 2008, 48,7% de toda a renda nacional (também considerando esse número deve ser maior pois não considera os ganhos financeiros) estava nas mãos dos 10% mais ricos do Brasil, e os 10% mais pobres retinham apenas 0,8% da renda nacional (CEPAL).

Cerca de 36% da população brasileira trabalhava mais de 44 horas semanais segundo pesquisa da OIT de 2009. E 15% dos trabalhadores recebem menos de 1 salário mínimo no país. Os dados, deixam claro, apesar de subestimarem a realidade, que os salários perdem a participação no total da riqueza produzida no país, o PIB. Atualmente em torno de 35% do PIB é salário, para os EUA, este número está em cerca de 60%.

Sendo assim, as pesquisas do governo mascaram a tendência estrutural de um país semicolonial (com alta dependência do capital estrangeiro, da exportação para a China, Europa e Estados Unidos sobretudo de commodities, e ainda com expressivo mercado interno) da precarização da vida e do trabalho das famílias mais pobres, ao contrário do que propagandeiam os intelectuais do petismo, não se reverteu a concentração de renda no Brasil com Lula e Dilma, ao contrário, os ricos ganham cada vez mais e os pobres ganham relativamente cada vez menos se comparados aos lucros e ganhos recordes dos capitalistas.

A miséria relativa da população vem crescendo no Brasil, a despeito da ligeira redução da miséria absoluta com programas como o Bolsa Família, assim como em toda a América Latina, como mostram dados da CEPAL. A crise econômica na indústria e nas exportações brasileiras, junto a austeridade e os ajustes que a burguesia e o governos preparam para o pós-eleições, deve acirrar as tendências de deterioração nas condições de vida e de trabalho maioria esmagadora das famílias brasileiras.

[1] Fonte: www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi

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