Internacional

SESSÃO ARGENTINA DA FRAÇÃO TROTSKISTA QUARTA INTERNACIONAL

Realizou-se o XIV Congresso do PTS

26 Jun 2014   |   comentários

Entre os dias 20 e 22/6 realizou-se o XIV Congresso do PTS. Em relação ao congresso anterior, em abril de 2013, o PTS cresceu 40% em sua militância, fruto da intervenção política mais ampla nos principais fenômenos da luta de classes no país, o que permitiu o aprofundamento do trabalho no movimento operário e da inserção do partido na indústria

Entre os dias 20 e 22/6 realizou-se o XIV Congresso do PTS. Em relação ao congresso anterior, em abril de 2013, o PTS cresceu 40% em sua militância, fruto da intervenção política mais ampla nos principais fenômenos da luta de classes no país, o que permitiu o aprofundamento do trabalho no movimento operário e da inserção do partido na indústria, que se expressou politicamente nos mais de 1.200.000 votos conquistados pela Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – frente eleitoral anticapitalista e de independência de classe dos trabalhadores formados por partidos trotskistas (PTS-PO-IS) – nas eleições de outubro. Produto do peso específico conquistado pelo PTS na vida política nacional, em meio aos maiores ajustes antioperários desde a década de ’90 aplicados pelo governo Kirchner, àinflação galopante e os ataques orquestrados pela patronal contra a vanguarda operária com a crise da indústria, este congresso é o mais importante da história do PTS. Participaram do mesmo mais de trezentos delegados de todo o país, entre os quais se encontram dirigentes operários de importantes metalúrgicas, da indústria da alimentação, gráficas e engenhos açucareiros, junto com professores, trabalhadores municipais, e estudantes secundaristas, técnicos e universitários.

Dentre as distintas discussões e resoluções que enriqueceram o congresso, algumas ressaltam pela importância que têm na dinamização em nova escala a atuação do PTS. Politicamente, a Argentina se encontra em meio a uma nova crise da dívida externa: o juiz da Corte Suprema dos EUA, Thomas Griesa, sentenciou o pagamento imediato de uma dívida de 1,3 bilhão de dólares, correspondente a uma parte dos títulos não pagos pelo governo argentino a especuladores norteamericanos em 2001. A resposta do governo kirchnerista (que vem buscando baratear os custos de empréstimo internacional, pagando “religiosamente†suas dívidas com o Clube de Paris e o FMI), com apoio da oposição patronal, é de ganhar tempo para negociar a forma de pagamento, submetendo o país a um novo ciclo de endividamento, em benefício da burguesia financeira internacional. Desde as bancadas do PTS na FIT se rechaçou qualquer tipo de pagamento ou negociação com os chamados “fundos abutres†, e contra o desígnio dos partidos do regime burguês de dar continuidade àentrega do país nestes pactos de colonização. No Congresso do PTS, se ratificou o rechaço e se votou uma "campanha nacional pelo não pagamento da dívida externa" e a exigência de uma "consulta popular vinculante para que seja o povo que decida", um plebiscito que se apoie na ampla mobilização nacional contra a opressão imperialista. Nos fundamentos da resolução se coloca que “a extorsão não vem apenas dos ‘fundos abutres’, mas da mecânica do conjunto da dívida externa. Não defendemos o não pagamento como uma medida isolada, mas como parte de um programa integral de soberania nacional contra o imperialismo†.

Votou-se também no congresso o desafio de colocar em marcha a partir do próximo mês de setembro um diário digital multimídia, inspirado na experiência do diário digital da esquerda autônoma do Estado Espanhol, “Publico.es†, que chega a competir com as plataformas digitais dos meios burgueses em acessos. Como dissemos, a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – da qual faz parte o PTS – conquistou mais de um milhão de votos; tendo em vista que as páginas da esquerda chegam apenas a um pequeno setor de militantes ativos, o congresso do PTS discutiu estar em condições de assumir a responsabilidade de alcançar novos setores de trabalhadores e de jovens muito além do espectro deste eleitorado que se expressou em outubro de 2013, numa comunicação interativa, política e ideologicamente, que permita que os trabalhadores conscientes e os votantes na esquerda não se informem apenas pelos monopólios midiáticos patronais ou ligados ao governo Kirchner. Esta política está ligada àprodução quinzenal de uma tiragem massiva do LVO (La Verdad Obrera, periódico do PTS), para distribuição nas fábricas e locais de trabalho.
Finalmente, destacamos a votação de uma campanha contra as demissões e suspensões na fábrica de autopeças Lear Corporation e na gráfica Donnelley, ambas de capital norteamericano, colocando que "não vamos aceitar que estes ’capitais abutres’, que ganham milhões de dólares em todo o mundo, golpeiem os trabalhadores combativos e antiburocráticos, e por isso a esquerda se soma a sua luta, dentro de nossa defesa de apoio integral a todas as lutas operárias e populares que enfrentam a ofensiva do capital, como Cerâmica Neuquén e Paty". Esta campanha está vinculada a uma perspectiva de conjunto de defesa da vanguarda operária, das comissões internas das fábricas e corpos de delegados classistas e antiburocráticos, contra a perseguição e os ataques patronais em toda a Zona Norte de Buenos Aires, principal zona industrial do país, e também contra os deputados de esquerda agrupados na FIT. São diversos os exemplos desta campanha persecutória de setores organizados da vanguarda operária, na mira das patronais e da burocracia sindical. Depois da grande luta contra as demissões na fábrica Gestamp, em que a burocracia sindical se encontrava ao lado da empresa atacando os grevistas e patrocinando sua repressão e demissão, Ricardo Pignanelli, burocrata sindical metalúrgico ligado ao governo, disse estar “preocupado, não só pelos delegados que não respondem ao sindicato em Volkswagen, Lear e Gestamp, mas também pelas comissões internas da zona onde está a esquerda†, chegando a convocar uma reunião da confederação dos sindicatos da indústria para debater “a infiltração da esquerda nas fábricas†. Junto a isso, em função da intervenção de independência de classes e de denúncia às instituições do regime burguês por parte dos deputados de esquerda, desenvolve-se uma perseguição aos deputados da Frente de Esquerda em Mendoza, Salta e Córdoba, com companheiros sendo indiciados judicialmente por combaterem o ajuste e as políticas antipopulares.

Para barrar esta “santa aliança†reacionária do governo, das patronais e da burocracia sindical contra o ativismo operário que emerge e se desenvolve desde a histórica paralisação nacional do 10 de abril e a Frente de Esquerda, é necessário desenvolver a política de coordenação do sindicalismo de base, da vanguarda operária combativa e da esquerda, envolvidas no Encontro Sindical Combativo de Atlanta, realizando um Encontro Nacional massivo e unitário com a participação de todas as correntes que se reivindicam classistas e combativas (como o Partido Obrero, que ainda não se somou a esta iniciativa), em defesa dos lutadores.

Estas discussões e resoluções são expressão da vontade de dar um novo salto na construção de um partido revolucionário, que tenha maior inserção no movimento operário e em amplos setores da juventude argentina, com projeção superestrutural (como a bancada de deputados trotskistas do PTS na FIT). Estas posições em distintas frentes da luta de classes estão colocadas a serviço de desenvolver uma verdadeira alternativa política dos trabalhadores, na perspectiva da construção de um partido revolucionário na Argentina como parte da reconstrução do partido mundial da revolução social, a IV Internacional.

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