Questão negra

Goleiro Aranha

Racismo no Futebol Brasileiro

22 Sep 2014   |   comentários

A noite de 18/09/2014 foi marcante para Aranha jogador do Santos Futebol Clube ele esperava piamente outra recepção da torcida gremista, sob vais e xingamentos o jogador voltou para a Estádio do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense local onde foi vitima de cânticos e ofensas racista da torcida gremista.

A noite de 18/09/2014 foi marcante para Aranha jogador do Santos Futebol Clube: ele esperava piamente outra recepção da torcida gremista, sob vaias e xingamentos o jogador voltou para o Estádio do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, local onde foi vítima de cânticos e ofensas racistas da torcida gremista.

O caso

No dia 28 de agosto, na primeira partida entre Grêmio e Santos pela Copa do Brasil, o goleiro foi alvo de uma chuva de ofensas racistas pela torcida gremista. Claramente revoltado, o jogador revidava àtorcida aos berros o seu orgulho de ser negro. O fato passaria sem grandes proporções se não fosse uma câmera de TV flagrar a torcedora gremista Patrícia Moreira gritar “Macaco†. O vídeo logo se tornou um viral e gerou grande revolta nas redes sociais. O jogador, ao saber da repercussão, resolveu fazer um boletim de ocorrência.

A mídia burguesa

Em uma decisão até então inédita, mas não eficaz, o STDJ (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) excluiu o Grêmio da Copa do Brasil por racismo. Os torcedores gremistas flagrados gritando ofensas racistas foram intimados a depôr na policia sob acusação de ato de “injuria racial†. Patrícia Moreira, a garota flagrada no vídeo visto pelo mundo inteiro, dizia chorando em uma coletiva de impressa: "Aquela palavra macaco não foi racismo de minha parte, foi no calor do jogo, o Grêmio estava perdendo". Resumindo: ela se desculpava por ter tirado seu time de coração do campeonato, e não pelo racismo que até hoje não admite.

A imprensa se articulou para fazer o encontro entre Aranha e Patrícia Moreira: a garota pediria perdão e o goleiro aceitaria. Tudo certo e resolvido com uma saída burguesa para o problema. Só que Aranha surpreendeu a todos e foi forte em suas posições, negando-se a encontrar a torcedora. A partir daí a todo custo a impressa capitalista tenta inverter os papeis e o jogador começou a ser questionado por não dar o direito cristão ao perdão.

Racismo no Futebol

Este é um ano diferente; o racismo sempre existiu no futebol, mas jogadores se posicionarem sobre o assunto é novidade. Após as jornadas de junho, os jogadores brasileiros têm questionado diversos âmbitos do esporte: este ano o jogador Neymar lançou a campanha “somos todos macacos†após Daniel Alves lateral do Barcelona comer uma banana jogada no campo pela torcida adversaria.

O caso ganhou grande repercussão porque a saída dada pelo jogador foi a resposta comum que esta sociedade doentia nos ensinou: engolir o racismo e continuar a vida assim mesmo. Hoje, Aranha está sozinho: não existe campanha e nem apoio dos colegas de trabalho; ele foi longe demais para a classe dominante: fazer um boletim de ocorrência, outros já fizeram; mas se negar ao encontro com a torcedora que implora por perdão e exigir punição da mesma é dizer que este é um pais racista e que o que aconteceu no estádio do Grêmio não foi um fato isolado, como afirmam todos.

Pelé, ao falar sobe o assunto, disse o absurdo: “O Aranha se precipitou um pouco em querer brigar com a torcida. Se eu fosse parar o jogo cada vez que me chamassem de macaco ou crioulo, todo jogo teria que parar de jogar futebol.†Esta claro que o rei do futebol não defende a maioria negra que sofre diariamente com o racismo no dia-a-dia, foi e continua sendo um fantoche nas mãos dos capitalistas. Nos anos 70 apoiava a ditadura. Este ano chegou a pedir para que as manifestações parassem durante a Copa do Mundo

A história nos ensinou que existem dois tipos de negros: os que defendem os interesses da classe dominante, como Obama, e os que defendem o a classe explorada, como Malcolm X. Com certeza Pelé se encontra na primeira opção.

Democracia Racial?

No Brasil existem duas leis para tipificar o crime de racismo: Injuria Racial (artigo 140, § 3º do Código Penal Brasileiro) e Racismo (Lei 7.716/89). O primeiro é aplicado quando há ofensas e o acusado pode responder em liberdade e tem pena de 1 a 3 anos de prisão, prescritível em 8 anos. Já o segundo, que se aplica quando se tem a conduta de impedir ou negar direitos a negros ou estrangeiros, é inafiançável e pode-se pegar de 2 a 5 anos de reclusão . Os torcedores gremistas estão respondendo processo por injuria racial. Já o Grêmio foi eliminado por Racismo, o que abre uma brecha para que o time reverta a pena alegando que não pode ser punido por crime distinto.

A existência de duas leis para tipificar o crime de racismo e a toda politica da mídia burguesa de pressionar o goleiro para forçá-lo a perdoar e encontrar a torcedora gremista é porque a classe dominante não pode permitir que negros se rebelem contra o racismo. Historicamente, a burguesia brasileria criou o mito da “democracia racial†, ou seja, de que não existiria racismo, quando muito “injurias†e “ofensas†, como aprendemos neste caso.

No final, Aranha está isolado e a pressão é cada vez mais forte. Com os papeis se invertendo, o desfecho fica mais óbvio: os racistas estarão livres de processo; em pouco tempo o Grêmio poderá obter a reversão de sua condenação pelo tribunal de justiça desportiva e o negro discriminado continuará sendo discriminado. Um filme que nunca tem fim nesse Brasil da falsa "democracia racial".

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