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Movimento Operário

"Queremos colocar de pé uma alternativa àburocracia sindical e aos partidos dos patrões"

10 Jul 2012   |   comentários

Em uma entrevista realizada no dia 30/06/12 no programa de rádio ’Pateando el Tablero’ transmitido aos sábados das 11 a 13 hs por "FM La Boca 0.1 mhz", Raúl Godoy responde as distintas posições que se deram em torno da participação da esquerda classista na paralisação e mobilização de quarta 27 de junho, e sobre o debate nacional que ocorrerá durante toda a Conferência Nacional de Trabalhadores do PTS.
- Escute a entrevista AQUI

Entrevista de Raúl Godoy para o jornal La Verdad Obrera², dirigente nacional do PTS e dirigente ceramista de Neuquén.

LVO: Como vê as perspectivas para a Conferência Operária a partir da greve de Caminhoneiros e os debates que se abriram?

A Conferência agora é mais necessária do que nunca. A ação operária de greve de caminhoneiros, frente aos postos de combustíveis, foi atacada duramente pelo governo de Cristina Kirchner. Isto resultou na resposta crescente, intensificando a ação direta, ignorando a conciliação obrigatória e redobrando a luta com piquetes em lugares estratégicos do país, mostrando a potencialidade da luta operária. O governo respondeu como qualquer governo neoliberal teria feito, mobilizando a guarda civil e todas as forças repressivas, abrindo processos criminais apoiado na lei antiterrorista e judicializando o conflito. Isto obviamente não se limitou aos caminhoneiros mas também aos dissidentes da UOCRA em Cerro Dragón. Diante disto, Moyano não quis seguir o caminho de ação direta e optou por uma manifestação política, que levantou demandas justas, mas com um discurso político peronista, patronal, como era de esperar.

Não podemos permitir estes ataques ofensivos contra o direito de greve e de protesto dos trabalhadores.

Por outro lado, como fizemos em Neuquén e também na Praça de Maio junto ao sindicalismo de base, temos que nos mobilizar de forma independente com a bandeira de exigência de um plano de luta que inclua todas as demandas dos trabalhadores, empregados e desempregados, efetivos e terceirizados, e do conjunto de companheiros precarizados.

LVO: Uma das propostas da conferência é “por sindicatos sem burocratas†. Esta discussão se reatualiza com os acontecimentos dos últimos dias...

Totalmente. O que acontece é que muitos dos que denunciam Moyano como burocrata parece que se deram conta disso recentemente... Note que todo o progressismo K não dizia nada contra Moyano quando ele lhes garantia a paz social. Por exemplo, quando nossos companheiros de Kraft Terrabusi lutavam contra as demissões, todo o governo e a oposição falavam de Moyano como “um dirigente responsável†…

Nós viemos lutando para desenvolver uma corrente classista no movimento operário e nessa luta já levamos o modelo de sindicato que queremos: como fizemos no Sindicato Ceramista, aonde os dirigentes são revogáveis, e depois de um período voltam a produção, como fizemos Alejandro López e eu, e vão fazer os companheiros da atual Comissão Diretiva daqui poucos meses. Também reivindicamos a organização de base nas assembleias e comissões de delegados, unindo todos os setores de trabalhadores, para além das divisões impostas pela burocracia e pela patronal.

LVO: A raiz da discussão sobre o imposto ao salário, ressurgiu o debate sobre as divisões na classe operária

Hoje mais do que nunca temos que aprofundar o que viemos fazendo há anos. Para além de que apoiamos qualquer demanda levada adiante pelos trabalhadores efetivos e na defesa de seus salários, nos parece uma tarefa do classismo (e dos militantes revolucionários), é lutar pela unidade da classe operária, a partir de reivindicar os direitos dos setores mais oprimidos: os terceirizados, os precarizados, os que estão sem carteira assinada. Uma parte importante de nosso trabalho consiste em conquistar níveis de organização e capacidade de mobilização nos lugares que podem golpear a máquina capitalista e paralisá-la (o que é conhecido na história do movimento operário como "posição estratégica"). Mas só isso não basta se não é acompanhado de uma estratégia capaz de construir a aliança social que necessitamos para vencer. Como fizemos em pequena escala em Zanon, lutando em comum com os desempregados, os docentes, os estudantes, e ganhando o apoio da comunidade com o programa de colocar a fábrica a seu serviço. Ou quando estivemos no Parque Indoamericano para apoiar aos irmãos imigrantes sem teto.

Há que ter uma política concreta e militante para forjar a unidade operária e popular - com os pobres da cidade e do campo, estudantes, aposentados pobres, comunidades originárias - para enfrentar a crise capitalista que se aproxima e com ela os ataques que se desenham. E, como te dizia, organizar também os companheiros imigrantes, precarizados, mulheres, jovens com piores salários, como expressão concreta da unidade que queremos firmar entre os distintos setores da classe operária. Nisto há um alerta muito importante: o governo tem claramente o objetivo de dividir os trabalhadores, e também dividir os trabalhadores do povo pobre. Cada vez que o poder político conseguiu isso, passou a atacar brutalmente as organizações operárias. Ontem foi os demitidos, depois o sindicalismo de base, hoje também os sindicatos de massas.

Frente tudo isto, para nós tem sido um passo importante a mobilização em comum do sindicalismo combativo neste 27 de junho. Por isso vamos insistir com o chamado aos companheiros com quem conformamos a FIT, e ao conjunto de organizações políticas e sindicais classistas, para impulsionar juntos uma grande Assembleia Nacional Classista.

LVO: Outra discussão importante é sobre a necessidade de um partido de trabalhadores sem patrões....

Sim, porque a situação do movimento operário, e a do sindicalismo de base também, estão cruzadas por uma discussão política. A burocracia sindical argentina é um pilar do peronismo e é o que lhe sustenta, tanto com um aparato mafioso, como com uma ideologia que se mantém no atraso relativo da classe operária, a ideia que os trabalhadores não tem que fazer política. A famosa ideia da "coluna vertebral" composta por o movimento operário, e a "cabeça" nas mãos de burocratas e patrões. Mas também há que dizer claramente que isto não é patrimônio de Moyano somente. Todas as centrais sindicais hoje na Argentina estão divididas em função de políticas internas burguesas. Alguém duvida quem motoriza hoje os parasitas sindicais? O governo K. Alguém duvida que a CGT Azul e Branca não responde também a internas do PJ? E a divisão da CTA, estão com os que apoiam a Cristina ou Binner? E para não fazer o jogo nem de Moyano nem do governo, nem a oposição burguesa, tem que ter um posicionamento claro de independência de classe, que concretamente tem que incluir a ideia de que a classe trabalhadora tem que fazer política.

Desde o PTS pensamos que tem que ser uma política revolucionária que aponte a conquista do poder pela classe operária, e para isso faz falta um partido. Desde este ponto de vista, o passo que demos com os companheiros independentes da Agrupação ’Marrón Ceramista’, que reivindicam a necessidade de uma ferramenta política da classe operária, inclusive um partido revolucionário, queremos aprofunda-lo e amplia-lo, abrindo uma discussão sincera a todos os ativistas que compõem o sindicalismo de base, sobre a necessidade de uma organização que nos permita triunfar nas batalhas que se avizinham. Não somente em uma ou outra luta, que haverá com triunfos e derrotas, mas na questão de fundo, que é vencer a burguesia e seu Estado. Estas são algumas das coisas que vamos debater na Conferência Nacional de Trabalhadores do PTS.

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