Quinta 18 de Julho de 2019

Movimento Operário

PRESSÕES PARA NEGOCIAR SÓ ENTREGARÃO EMPREGOS E DIREITOS

Que os capitalistas paguem pela crise que geraram

07 Mar 2009   |   comentários

Não é novidade que a CUT, Força Sindical e demais centrais pelegas estejam impedindo a preparação de uma luta firme contra as ameaças de demissões que os patrões lançam aproveitando a crise económica mundial. Nem um plano de luta, nenhum chamado àunificação dos sindicatos e categorias, nenhuma campanha de solidariedade aos trabalhadores das empresas ameaçadas. Ao contrário, esses dirigentes vendidos estão entregando tudo, e ainda têm a cara-de-pau de falar que “os trabalhadores não pagarão pela crise†. Essa estratégia de conciliação de classes leva os trabalhadores a ficaram submetidos aos interesses patronais, defendendo o programa dos patrões: redução de impostos, dos juros, flexibilização dos direitos trabalhistas etc. Conciliam com os patrões contra os trabalhadores e o povo pobre, dividem os trabalhadores deixando os terceirizados e temporários àmercê das demissões, imobilizando os demais com a conversa mole de que “a crise é passageira†e que é “preciso fazer sacrifícios†.

A estratégia dos sindicalistas governistas e patronais é exatamente fazer discurso, algumas ações controladas para pressionar a patronal a negociar “melhores demissões†e flexibilizações, sem mexer na raiz do problema: os lucros da patronal. É preciso dar razão àFolha de S. Paulo (1º/03) quando afirma que “a atuação das centrais sindicais para enfrentar os efeitos da crise mundial no mercado de trabalho revela despreparo para defender o trabalhador, falta de sintonia com o cenário económico e social e atrelamento de parte do movimento sindical ao governo Lula†, prevendo que “a crise deve contribuir para que o movimento sindical passe por um processo de †˜amadurecimento†™, segundo avaliam os especialistas e reconhecem os próprios líderes sindicais. O que pode ocorrer é uma reestruturação no cenário sindical, com o crescimento de centrais mais ligadas àesquerda e de organizações até então consideradas inexpressivas.â€

Os sindicatos da Conlutas deveriam dar o exemplo

Porém, para combater essa estratégia dos pelegos não basta denunciá-la. A Conlutas, que reúne dezenas de sindicatos antigovernistas e se colocam contra a patronal e em defesa dos interesses dos trabalhadores, está chamada a dar um exemplo.
Em São José dos Campos (SP), o sindicato dos Metalúrgicos é dirigido pela Conlutas (maioria do PSTU) e representa mais de 30 mil operários, além de ter um importante reconhecimento na população. No ano passado o sindicato e os operários da GM enfrentaram a direção da empresa, o prefeito tucano, os políticos, os comerciantes e a Igreja Católica, que forjaram uma aliança espúria para impor aos metalúrgicos a aceitação do banco de horas (flexibilização da jornada de trabalho). O plano patronal chantageava com a criação de 700 empregos temporários, com salários reduzidos e sem garantia de trabalho, mas os trabalhadores conquistaram uma vitória parcial, impedindo o banco de horas, mas aceitando os 700 empregos temporários. Agora, quando a GM demite 870 trabalhadores ’ os mesmos temporários que contratou ano passado ’ a população começará a compreender que os patrões sempre falam ’ enganosamente ’ em “gerar empregos†mas não vacilam em demitir para elevar seus lucros.

Nas últimas semanas, a direção da Embraer ’ quarta produtora mundial de aviões ’ demitiu 4.270 trabalhadores, alegando efeitos da crise económica. Balela! Os negócios da empresa continuam de vento em popa e os lucros foram bilionários. “A própria empresa quando [†˜explica†™ em nota] os motivos das demissões coloca que vai produzir nesse ano 242 aeronaves, só que no que passou ela produziu 204...†, afirma Luiz Carlos Prates (Mancha), secretário-geral do sindicato, acrescentando que a empresa tem em caixa R$ 3,6 bilhões, suficiente para pagar todos os salários dos trabalhadores por dois anos.

Por um lado, a Conlutas está sendo colocada “contra a parede†em suas principais categorias, enfrentando demissões em massa e chantagem patronal. Essa ofensiva só pode ser derrotada com uma grande luta, por isso deve-se combater a política da burocracia de negociações permanentes por fora da luta de classes. Exige-se preparar uma luta para que os capitalistas paguem a crise com seus lucros, pela redução da jornada de trabalho sem redução dos salários, ocupando e colocando para produzir as empresas que demitam em massa ou ameacem fechar, lutando pela estatização sob controle operário.

Primeiramente, isso obriga todos os trabalhadores, ativistas e sindicalistas combativos a se colocarem ativamente solidários para que as demissões na GM, na Embraer e noutras empresas sejam barradas, pois trata-se de impedir, onde estamos, que os capitalistas consigam impor uma derrota duríssima àclasse trabalhadora. Nenhuma divergência pode ser empecilho para que as demissões da Embraer sejam evitadas e se possa reverter o processo na GM.
Foi com essa clara definição que nossa organização defendeu na última reunião da Conlutas (28/02) que todos os sindicatos, ativistas e dirigentes da Conlutas deveriam aprovar a proposta votada em assembléia dos trabalhadores da USP e apresentada pelo Sintusp, propondo que a Conlutas convocasse um Encontro Estadual de sindicatos e organizações combativas, com trabalhadores eleitos com mandato de base, que se realize em São José dos Campos para aprovar um plano de luta combativo e classista e cercar os metalúrgicos da Embraer e da GM de solidariedade, demonstrando que essa é nossa luta e que não permitiremos que esses trabalhadores fiquem isolados.
Infelizmente, os dirigentes sindicais do PSTU votaram contra essa proposta, propondo como orientação geral e central da Conlutas a preparação de uma mobilização nacional no dia 1º de Abril, pela estabilidade no emprego e redução da jornada de trabalho sem redução de salários e direitos.

Todavia, a despeito de no jornal especial da Conlutas estar escrito que “será um dia de protestos, manifestações e paralisações no local de trabalho†na verdade o propósito acertado com sindicalistas e políticos ligados ao PSOL e àIntersindical está centrado em “exigir do governo Lula uma medida provisória emergencial que garanta a estabilidade no emprego.†Isto é, repetirão mais um ato festivo, um palanque para discursos “socialistas†mas que não passará de uma marcha para pedir a Lula ’ que não faz outra coisa a não ser defender os interesses dos capitalistas e se fazer “de morto†diante das demissões ’ que “faça algo†contra as demissões. Na prática significa dizer aos trabalhadores que não confiem nas suas próprias forças ’ assembléias, paralisações, greves, piquetes etc. ’ mas sim no “presidente †˜operário†™†, ajudando a aumentar a ilusão da maioria da classe trabalhadora nesse governo demagógico que, não àtoa, tem sido considerado pelos capitalistas como um dos melhores em todos os tempos. E isso fica bem claro na desmobilização dos trabalhadores da GM e da Embraer, provando que voltar as baterias para a exigência a Lula, no lugar de contribuir para uma luta política independente que está colocada pelo ataque dos capitalistas deixa os trabalhadores passivos àespera das medidas benfeitoras do “seu†governo.

Os trabalhadores, com a Conlutas àfrente, deveriam ter um programa seu, independente, que mostre a toda a população que a crise só pode ser resolvida a nosso favor se atacarmos os lucros patronais ’ a raiz dos problemas ’ e não se nos aliamos ao programa dos patrões ou a uma estratégia de atos, caravanas e manifestações que só pretendem “pressionar†para “abrir negociação†e ver como chegar a algum acordo com os capitalistas. Não há acordo possível: ou luta firme e combativa ou aceitação de demissões, rebaixamentos salariais, perdas de direitos, contratações temporárias, bancos de horas etc., etc.

Nós combatemos na plenária da Conlutas justamente para que os nossos sindicatos sejam um exemplo de luta pela independência dos trabalhadores diante do governo e dos capitalistas. Defendemos que a Conlutas deve ser a fiel defensora da unidade das fileiras operárias, isto é, a defesa prática (e não de palavras) dos interesses de todos os trabalhadores, sejam terceirizados, temporários ou efetivos, inclusive dos milhões de precarizados e desempregados. Isso porque como temos visto os patrões começam demitindo os temporários e precarizados, para que os efetivos ’ os que têm emprego formal e representação sindical ’ continuem ignorando seus irmãos de classe esperando que as demissões não os atinjam. Consequente com essa proposta principista nossa organização propós que os sindicalistas presentes nessa plenária aprovassem inserir no programa da Conlutas a luta “Pela unidade das fileiras operárias: Se atacam um terceirizado atacam todos! Efetivação de todos os contratados! Por incrível que pareça, essa proposta foi rejeitada na plenária da Conlutas!
A direção da Conlutas, tendo àfrente os sindicalistas do PSTU, deve corrigir o mais rápido possível esse rumo: ser uma direção combativa e classista, com programa e métodos de classe para enfrentar a crise capitalista e forjar uma camada de lutadores que sejam exemplo para os demais trabalhadores, que mostrem na prática ser possível barrar as demissões e defender os interesses da classe operária, sem qualquer conciliação ou capitulação aos patrões.

Para isso continuamos nosso combate no interior da Conlutas, batalhando para que essa importante organização avance em seu caráter classista ’ independência programática, política e prática dos trabalhadores e das organizações de luta ’ e se constitua numa verdadeira alternativa combativa e classista de direção, aproveitando que a crise capitalista vai obrigar os trabalhadores a lutar contra os ataques patronais, recobrando forças e energias dos milhares de trabalhadores concentrados em grandes empresas e categorias que buscarão os caminhos para fazer frente àpatronal e ajustar as contas com os dirigentes sindicais pelegos.

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