Nacional

Quando há conflito entre Guarda e PM, quem paga o pato é a população trabalhadora, negra e pobre

24 Jan 2015   |   comentários

No dia 15 de janeiro, conflito entre guardas municipais e policiais militares em frente à rodoviária de Belo Horizonte foi estopim para articulação da Guarda Municipal exigir da prefeitura o armamento da corporação com arma de fogo.

Um conflito entre guardas municipais e policiais militares em frente àrodoviária de Belo Horizonte, no dia 15 de janeiro, foi estopim para articulação da Guarda Municipal exigir da prefeitura o armamento da corporação com arma de fogo, entre outras demandas. O conflito ocorreu quando uma guarda municipal, Lílian Emiliano Oliveira, abordou um PM reformado, Daleimar Hilário Moreira, suspeito de comandar uma rede de transporte clandestino em frente àrodoviária da cidade. Na abordagem, Lílian e outro guarda da corporação foram interceptados por quatro viaturas da PM, que teriam sido chamadas pelo PM reformado. Outros guardas foram ao local e, em meio ao conflito, Lílian foi atingida por uma bala de borracha de um dos PMs, tendo seu rosto perfurado. O outro guarda foi agredido pelos policiais militares e em seguida colocado na viatura.

Nos dias seguintes, membros da corporação da Guarda Municipal se amotinaram buscando visibilidade para suas demandas, a principal delas o porte de arma de fogo. Eles também exigem melhorias nos equipamentos de trabalho, como novos coletes e melhorias no plano de carreira. Mesmo não sendo por hora uma corporação armada com arma de fogo, a Guarda Municipal já utiliza outras armas que podem ser letais como taser, além do spray de pimenta e cassetete. A Prefeitura de Belo Horizonte, em negociação com a corporação, afirmou em nota que está “em contínuo esforço para viabilizar, o mais breve possível, convênio com a Polícia Militar de Minas Gerais visando àrealização de curso de treinamento para porte de arma†. Ou seja, sinaliza atender as reivindicações da guarda para que façam uso de arma letal.

Essa postura da Prefeitura de Belo Horizonte é acompanhada da promessa de plano de governo de Fernando Pimentel, do PT, que anunciou o projeto de colocar mais 10000 policiais nas ruas além de prometer outras regalias aos militares. Tanto a prefeitura quanto o governo do estado apoiam-se nos dados mais recentes que apontam Belo Horizonte como uma das capitais onde o homicídio mais tem crescido na última década, em especial entre os jovens. Escondem que esse índice seria ainda maior se todos os jovens e negros assassinados pela polícia estivessem nas listas oficiais.

A melhoria nas condições de trabalho de um destacamento armado pelo Estado, como essas corporações, militares ou não, significa apenas melhores condições para repressão da população; num estado como Minas Gerais, onde um negro tem 3 vezes mais chance de ser morto pela polícia que um branco, só pode aprofundar o caráter assassino e racista deste destacamento. O armamento com arma de fogo de mais uma corporação, que já tem posse de armas, ainda que não sejam consideradas letais, significa, então, maior violência contra a população, em especial contra os jovens e negros. Fortalecer o braço repressivo do Estado só pode enfraquecer o lado dos trabalhadores e do povo pobre em sua luta contra a opressão e exploração, pois estas corporações existem para proteger a propriedade dos empresários capitalistas e dos políticos corruptos e para reprimir as greves e manifestações que contestam seu domínio.

A Guarda Municipal, que diante de mais uma repressão da PM exige uma demanda reacionária como o armamento da corporação, mostra apenas como é parte do aparato repressivo que em sua essência sobrevive desde os anos da ditadura militar de 1964. Com uma polícia assassina e racista e uma Guarda Municipal que só pode se inspirar na imagem e semelhança desta, não é possível depositar nenhuma confiança em que a PM ou outras guardas armadas estejam a favor da população, sendo necessário o fim das polícias, entre essas a Guarda Municipal, para que no Brasil não existam mais trabalhadores e negros assassinados cotidianamente pela polícia como Amarildo e Claudia. Tampouco que seja um país com mais vítimas como os jovens Douglas Henrique e Luiz Felipe, mortos durante repressão policial nos protestos de junho de 2013 em Belo Horizonte.

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