Internacional

Protestos na Alemanha: 20.000 manifestantes em Frankfurt

20 Mar 2015 | Na quarta-feira, abriu-se a nova sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, a capital financeira da Alemanha. Mario Draghi, presidente do BCE, havia convidado apenas 100 pessoas à cerimônia. Mas umas 20.000 pessoas chegaram à manifestação “Blockupy†contra a política de austeridade imposta pelo BCE, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional.   |   comentários

Na quarta-feira, abriu-se a nova sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, a capital financeira da Alemanha. Mario Draghi, presidente do BCE, havia convidado apenas 100 pessoas à cerimônia. Mas umas 20.000 pessoas chegaram à manifestação “Blockupy†contra a política de austeridade imposta pelo BCE, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional.

As capas dos diários europeus falam do “terror†pelas manifestações.

Já pela manhã umas 6.000 pessoas participaram em bloqueios ao redor do banco. Ativistas que chegaram em ônibus e trens de toda Alemanha e também da Itália, Grécia e outros países. Aproximaram-se em cinco colunas, bloquearam pontes e incendiaram barricadas. A policía havia rodeado o banco com arame farpado e mobilizou 8.000 agentes e 28 lançadores de agua. Os manifestantes destruíram vidraças e queimaram até sete carros de polícia. 18 ficaram detidas ao final do dia.

Às cinco da tarde se celebrou uma manifestação massiva com 20.000 pessoas, mostrando um repúdio enorme àpolítica de Merkel e seu ministro das finanças, Schäuble. Este protesto foi convocado por grandes organizações reformistas como do partido Die Linke (A Esquerda), que é governo em coalizão com os socialdemócratas e o Partido Verde em alguns lugares, como no Estado federal da Turíngia, ademais de outros grupos de esquerda e juvenis.

O movimento operário também esteve presente em Frankfurt

Nas marchas, foram trabalhadores da Amazon, do maior armazém da empresa na Alemanha, em Bad Hersfeld. Estes trabalhadores lutam há dois anos para obter um contrato coletivo, e nesta terça e quarta-feira deixaram de trabalhar para somar-se ao protesto contra a austeridade.

Por sua vez, no dia seguinte começava uma greve das professoras dos jardins de infância. Neste setor, 97% das trabalhadoras são mulheres e tem muito baixos salários. Elas estão começando uma luta por melhorias salariais e sobretudo por mais funcionários nas creches. Ativistas que haviam participado no Blockupy se somaram a esta greve também.

Os pilotos da Lufthansa estão levando adiante outra paralisação contra o aumento da idade de aposentadoria. Ainda que o aeroporto de Frankfurt, o maior do país, fosse o centro da greve, os pilotos não participaram da manifestação do Blockupy. O Blockupy mostra um importante rechaço àpolítica do governo alemão dentro do “coração da besta†imperialista.

Os dirigentes de partidos reformistas tentam canalizar esta raiva para novos “governos de esquerda†e movimentos como o Syriza e o Podemos, mas que – como se começa a mostrar agora na Grécia – só podem gerir a crise para os capitalistas.

Mas há um setor da esquerda que busca ligar-se com o poderoso movimento operário na Alemanha – um movimento encadeado por imensos aparatos reformistas, mas que está desenvolvendo suas primeiras lutas contra a precariedade trabalhista.

Os trotskistas da Organização Internacionalista Revolucionária (RIO, organização irmã da LERQI na Alemanha) participamos no Blockupy junto com os trabalhadores da Amazon e estamos lutando para construir uma esquerda revolucionária baseada nos trabalhadores e na juventude combativa.

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