Educação

Propostas de Marcio Barbio para a Educação

06 Feb 2015   |   comentários

Entrevistamos Marcio Barbio, professor da rede estadual de São Paulo, que na última quarta-feira foi entrevistado pelo Bom Dia São Paulo, da rede Globo, denunciando a situação dos professores e alunos.

O ano começou de forma caótica na escola pública paulista. Corte de verbas, demissões de professores, salas superlotadas e falta de entrega de materiais foram manchetes dos principais jornais. Entrevistamos Marcio Barbio, professor da rede estadual de São Paulo, que na última quarta-feira foi entrevistado pelo Bom Dia São Paulo, da rede Globo, denunciando a situação dos professores e alunos. A entrevista de Márcio gerou coragem em diversos professores em várias cidades, que já não enxergam em Bebel e na direção de nosso sindicato a firmeza para se enfrentar com esse governo. Márcio é integrante do grupo Professores Pela Base, que integra o Movimento Nossa Classe. Diretor pela Oposição na APEOESP, ele apresenta abaixo algumas propostas para resolver os problemas da educação no estado de SP:

1) As salas de aulas estão superlotadas, com algumas tendo mais de 50 alunos. É impraticável dar aula nessas condições. Isso foi o resultado de uma política de fechamento de salas, combinada àdemissão massiva de professores com contrato precário (os chamados “categoria O†). É preciso reabrir as salas de aula que foram fechadas, e criar novas imediatamente. Não se pode ter Educação de qualidade com salas que tenham mais de 25 alunos.

2) Há milhares de professores sem trabalho, e uma infinidade de alunos sem professores. Para isso se resolver temos que acabar com a duzentena, que impede que os professores categoria O que estão há mais de 2 anos na rede deem aula por 200 ou 40 dias, e que todos possam retomar seus cargos de professor imediatamente. Deve ser garantida estabilidade, e esses professores devem ser efetivados, sem necessidade de concurso público.

3) É preciso também que todos os aprovados no último concurso sejam convocados imediatamente. O governo do estado, e a própria da direção majoritária da Apeoesp, sindicato de professores, afirmam que o concurso que aconteceu em 2013 foi o maior de anos, e “uma grande vitória†. Entretanto, há milhares de professores aprovados no concurso que não foram convocados e não são informados de nada. É preciso que os concursados sejam chamados imediatamente.

4) Os professores são os que recebem os salários mais baixos dentre as profissões com ensino superior. É uma necessidade imediata que se acabe com toda a desvalorização. O piso dos professores deve ser o salário mínimo do DIEESE (cálculo do governo das necessidades básicas de uma pessoa em nosso país), que é cerca de 3 mil reais pela jornada de 40 horas(20 aulas em sala, 20 horas em estudo e preparo).

5) Como parte dos ajustes anunciados pelo governo federal, Dilma cortou em maior nível a verba para o Ministério da Educação, com 7 bilhões de reais a menos. Assim demonstra como é farsesco o lema de “pátria educadora†. Em São Paulo o governo tucano de Alckmin está cortando verba com a demissão dos professores precários, deixando de repassar verbas para a manutenção das escolas. Enquanto isso há reajustes que os próprios políticos votam para si mesmos. É preciso que todo político ganhe o mesmo que um professor imediatamente, e que sejam revogáveis!

7) As escolas são fundamentais na vida da comunidade. Já se anunciou o fim do semestre antecipado por conta da crise hídrica em São Paulo, e diversas capitais. Os professores e toda a comunidade escolar devem se mobilizar para que haja uma saída dos trabalhadores e do povo àcrise da água. Por isso as escolas devem se negar a encerrar o semestre antes do previsto, e se articular com as organizações dos trabalhadores e da população em assembleias de base. É preciso discutir a necessidade do controle do orçamento educacional, assim como da água por essas organizações. Só assim, fecharemos a torneira do desvio de verbas da educação, e os canos que sobram nos clubes e condomínios de luxo, e faltam e nossas escolas e bairros.

8) Para avançar em todas essas questões, precisamos começar a nossa mobilização imediatamente. A direção majoritária da Apeoesp chamou uma assembleia apenas para o dia 13/03, apostando que até lá a situação se acomode. Não podemos permitir que o desânimo e o imobilismo tome conta. Precisamos desde já organizar atos regionais, eleger Representantes de Escolas que organizem nossa mobilização, constituir comandos de mobilização de base, para organizarmos uma greve séria, que nos possibilite uma vitoria efetiva, no caminho de obter as demandas acima citadas.

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