Educação

Professores seguem a greve com grande ato em SP

22 Mar 2015   |   comentários

Mesmo debaixo de forte chuva, os professores deram uma grande resposta às provocações do governo Alckmin na última sexta

Os professores do estado de São Paulo estão em greve há uma semana. Na sexta-feira, dia 20 de março, a categoria em assembleia votou pela manutenção da greve. Após a assembleia, dezenas de milhares de professores marcharam em ato até a Secretaria de Educação.

Mesmo debaixo de forte chuva, os professores deram uma grande resposta às provocações do governo Alckmin que afirmou que “todo ano é essa novela da Apeoesp, ela tenta fazer greve, mas não tem legitimidade.†Em uma marcha massiva, professores tomaram as ruas de São Paulo para dizer que essa novela já está se transformando em filme terror para o governador. O que se viu foi um grande ato que demonstrou que não será fácil para o governo continuar ignorando essa greve.

A adesão àgreve não para de crescer e atos por todo o estado de São Paulo puderam ser vistos na semana passada. Mesmo com o grande bloqueio midiático, que ignorou por completo a grande manifestação que ocupou toda a extensão da Av. Consolação, se disseminam nas redes sociais fotos e mensagens em apoio àgreve. É preciso ampliar ainda mais a greve e cerca-la de solidariedade para que o governo não consiga isolar a luta dos professores.

Contra a truculência de Alckmin e Herman, negociação Já!

Após a deflagração da greve, Alckmin e Herman se apressaram em declarar publicamente que não reconhecem a legitimidade da greve já que a APEOESP não é representativa. Ao mesmo tempo Herman emitiu orientações para todas as diretorias de ensino para que substituíssem professores grevistas por professores eventuais, uma ação coordenada de todo o governo para atacar o legítimo direito de greve dos professores.

Em um ataque a organização sindical dos professores, o governo convocou uma reunião com entidades do magistério (ligadas principalmente aos setores de chefia, como os diretores de escolas, com a UDEMO) para tratar de assuntos relativos àgreve, excluindo a Apeoesp da mesa negociação. O governo sabe que a Apeoesp é o sindicato com um número infinitamente maior de filiados e quem realmente deveria responder pelas negociações relativas àcategoria. Alckmin, e nenhum outro representante de seu governo, tem autoridade para decidir quem é o sindicato dos professores. Isso cabe aos professores, e a ninguém mais. Desconhecendo a Apeoesp, Alckmin não está atacando Bebel, mas todos os professores do estado de São Paulo.

Em consonância com Alckmin, o Secretário de Educação declarou que somente 4% dos professores aderiram àgreve. É evidente que a política do governo do estado é não reconhecer nem o sindicato, nem a greve, com o objetivo de desgasta-la e derrotar os professores. Por isso, desde já nossa exigência deve ser o reconhecimento da greve através da abertura de negociação.

Por assembleias democráticas que expressem os comandos de greve

Os professores sabem que para derrotar o governo do estado também é preciso que a categoria tome o controle da mobilização. Fruto das consecutivas traições, a categoria não quer mais ser enganada por Bebel. Sob uma grande vaia, nem sequer o informe da diretoria a presidenta conseguiu apresentar. É uma primeira demonstração que a categoria, mesmo desconfiando de sua direção, está disposta a ir pra luta e, se for preciso, passar por cima Bebel e companhia para colocar de joelhos o governo de SP.

É preciso democracia nas assembleias para que a categoria possa opinar sobre os rumos do movimento. Hoje, somente alguns membros da diretoria podem se expressar no microfone, e a ampla maioria dos professores não tem o direito de expressar suas opiniões. Para reverter isso é importante que nas assembleias regionais se vote representantes de cada subsede para levar o posicionamento do comando de greve para a assembleia geral. Tanto a Oposição Alternativa como o Bloco de Lutas devem ser os primeiros a impulsionar essas ações.

26 de Março: Dia Nacional de lutas pela educação

As universidades públicas, federais e estaduais, estão impulsionando um dia nacional de lutas pela educação. Isso ocorre por que os cortes e a precarização que afetam a educação pública não são uma realidade só do estado de SP, mas de todo o país. A farsa da “Pátria Educadora†se desfez com o primeiro anúncio de corte de 7 bilhões da pasta de educação, ficando evidente que na prática PT e PSDB andam de mãos dadas para atacar a educação e os trabalhadores.

Se os governos se unem para nos atacar, temos que nos unir para nos defender. Em São Paulo, os professores em greve devem dar o tom desse dia de luta. Nos atos e assembleias regionais que se realizarão também no dia 26 é possível unificar os professores em greve com os trabalhadores e estudantes das universidades públicas. Todos sabem que uma derrota para da greve significaria maiores forças ao governo para atacar o conjunto da educação pública. Em uma só voz, podemos colocar na ordem do dia que o governo abra negociação com os professores em luta. Unificar as lutas pela educação, inclusive com os professores de Pará e Roraima que também estão em greve e os de Santa Catarina que entrarão em greve dia 24, será um passo determinante para derrotar o conjunto dos governos e arrancar conquistas reais para educação pública.

Texto atualizado as 21:16 no dia 22 de março

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